| Luís Renê Silveira (Duda) |
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![]() Luís Renê-- |
Militante do PCdoB Biografia "Cursou o primário e o secundário no Instituto La Fayette. Em 1970, ingressou na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, abandonando o curso no ano seguinte. Contava apenas 20 anos quando tomou a decisão de ir para o Araguaia. Com seu jeito calado, estava sempre atento aos relatos dos companheiros mais experientes. Reclamava sempre mais a sua participação nos trabalhos mais difíceis. Apesar de ter cursado apenas o 1º ano de medicina, dedicava-se bastante ao estudo, pois, como dizia sempre, se não me formei na cidade, serei médico formado na 'Universidade do Araguaia'. Compreendia que os conhecimentos de saúde ser-lhe-iam importantes. Mas sua dedicação ao estudo não se restringia somente a esta área; gostava de estudar as questões políticas e econômicas e não era raro vê-lo lendo jornais velhos que serviam de papel de embrulho. Homenagens: Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Relatório do Ministério Exército: Filho de Renê de Oliveira e Silva e de Lolita Silveira e Silva, nascido em 15 Jul. 51, no Rio de Janeiro/RJ. Relatório do Ministério da Marinha: - Set./73 - foi deslocado para o "campo" durante guerrilha rural/PCdoB. Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheiro do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão. Arquivos do DOPS/SP: "Conheci o "Nelito", a "Cristina", o "Duda", o "Antônio", o "Nilo", a "Rosinha", o "Zé Carlos", o "Lino", o "Waldir", o "João Araguaia", a "Fátima", a "Sônia"e o "Edio". Eles convidavam o povo para a libertação. ...Nelito e Zé Carlos foram mortos na localidade do Caçador, pegaram o Édio vivo, o Duda teve a perna quebrada; a Rosinha eu vi ser presa, encontrei-a na Vila São José e ela pediu para a gente rezar por ela, pra não morrer." (Depoimento de Maria Raimunda Rocha). Mas de tantas interrogações, uma deixou-nos varados de angústia. Onde estão os que foram presos, vivos? Dina, Áurea, Daniel, Rosinha, Lia, Nelito, Cristina, Josias, Duda, João Araguaia, dezenas talvez, onde estão?" "O próprio Zé da Onça diz conhecer uma senhora, cujo nome não revelou, que sabia onde estão as ossadas de Nelson Piauhy Dourado (Nelito), comandante do B, Luiz Renê Silveira e Silva (Duda) e do camponês Pedro Carretel, todos mortos no mesmo dia. Zé da Onça também afirma que na localidade de Santa Cruz foram enterrados outros guerrilheiros. 90 [Nelson e Pedro Carretel podem ter morrido no mesmo dia, mas Duda não, porque foi ele que contou a Angelo Arroyo sobre o tiroteio havido no dia 02/01/74, que provavelmente tenha atingido Nelito e que desde então desapareceram Maria Célia, Jana e Pedro Carretel]. Edinho e Duda foram presos juntos e levados para Bacaba. Edinho foi baleado e o Duda não - depoimento de Peixinho, julho/96. Preso em São Geraldo em casa de um camponês - depoimento de José da Luz Filho. (Revista da OAB - anos X/XI - Vols. XII/XIII - set. a dez. de 1980 e jan. a abril de 1981 - nºs 27/28.) "Sr. Pedro Moraes da Silva, (...) que, oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), com quem o declarante se perdeu no mato, de noite, quando foi buscar um remédio para Sônia, que estava fazendo o parto de seu mãe quando nasceu a Valderice; Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha; que viu Duda, quando passou em frente da casa do Vanu no tempo em que declarante lá morava, amarrado e seguido por mais ou menos 20 soldados do Exército, fardados; que os pulsos de Duda já estavam sem pele em razão das cordas que o amarravam; que reconheceu a ossada de Duda, em virtude da camisa esticada em cima de uma árvore e pelos ossos da perna que eram compridos por ser Duda muito alto; que o declarante pegou no crânio e viu um buraco de bala no meio da testa; (...)". "Sr. Agenor Moraes Silva, (...); que o Duda foi pego na região do Chega com Jeito; que o declarante foi chamado na Bacaba, ao que se recorda no final de 1973, e viu o Duda preso, algemado, dentro de uma sala; que o Duda foi levado para a mata, porque descobriram que ele teria um encontro com a Cristina; que o declarante foi liberado da Bacaba e foi para sua casa; que sua casa ficava próxima do local onde Cristina e Duda iriam se encontrar, na Fortaleza; que o declarante ficou sabendo que a Cristina foi morta naquele dia; (...)que o declarante foi guia do Exército e acompanhou uma turma até o rio Jacu, onde ocorreu um tiroteio, e uma turma de soldados conduzida por seu cunhado Vanu já se deslocava na mesma direção; que o tiroteio ocorreu na cabeceira do rio Jacu, na Fazenda São Raimundo, perto de Chega com Jeito; que o declarante sabe que ninguém morreu ou ferido no tiroteio, e que o Comandante de uma das turmas disse que era para pegar as mulheres vivas; que o declarante viu um corpo na floresta, 15 dias depois do tiroteio, na mesma região, na tranqueira de uma castanheira, em estado de decomposição, porém não conseguiu reconhecer com certeza de quem era, mas que achava ser de Duda, não tendo certeza; que o corpo encontrado era semelhante com Duda por ser alto, mesma cor da pele e jovem; que o cadáver tinha marcas de sangue, com sinais de que havia sido atingido no lado direito do peito e havia muitas marcas de tiros de metralhadora; que o declarante chegou a ouvir de sua casa rajadas de metralhadora, provavelmente foram disparadas no local em que ele achou o corpo, porque era próximo de sua casa; que no dia em que ouviu as rajadas de metralhadora, os militares estavam acampados próximo da casa do declarante, na OP2; que após oito dias do tiroteio, o declarante ao caminhar pela mata encontrou o referido cadáver; que o declarante viu diversos militares do Exército chorando com medo de entrar na mata; que viu Duda sentado no Bacaba, que estava numa sala, com as mãos algemadas para trás; que um empregado do restaurante do Bacaba disse que iriam levar o Duda ao encontro de Cristina e outros guerrilheiros, já que os guerrilheiros tinham encontro marcado entre eles de 15 em 15 dias, para planejar novas ações; (...)". "Raimundo Nonato dos Santos, vulgo Peixinho, (...)Uma vez encontraram os guerrilheiros Edinho e Duda; houve confronto e Edinho levou três tiros do capitão Salsa, também conhecido como Aníbal e do soldado Ataíde. Não houve confronto, pois Edinho e Duda não atiraram nos soldados. (...) depois da prisão nunca mais viu Duda ou Edinho, que apesar de baleado estava vivo e foi posto numa padiola e levado num helicóptero. O confronto foi na cabeceira da Borracheira, na direção da Fortaleza. O Duda estava desarmado, mas o Edinho carregava uma espingarda feita pelos próprios guerrilheiros, que tinha o apelido de Zezina. (...) Esclarece que a morte da Cristina ocorreu cerca de dois meses após a prisão de Duda e Edinho.(...). Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes |