Manoel José Nurchis (Gil)

Militante do PCdoB
Apelidos: Gil, Gilberto, Guilherme.
Cor: branca Altura: 176cm Idade: 32 anos Sexo: masc. Peso: 70 Kg. Cabelo: pretocomeçamdo a ficar grisalho/ondulado. Data e local de nascimento: 19/12/40, em São Paulo. Filiação: José Francisco Nurchis/Rosalina Carvalho Nurchis.

Biografia

"Era operário, mas devido à intensa perseguição política ao movimento operário após o golpe militar de 1964, acabou se transferindo para o interior. Residiu na região do Gameleira e ingressou no Destacamento B. Está desaparecido desde o dia 30/9/72, após travar tiroteio com as Forças Armadas, onde foram mortos João Carlos Haas e Ciro Flávio Salazar e Oliveira. Talvez tenha sido preso." 17
Foi preso por motivos políticos em junho/63.

Homenagens:
Nome de rua em São Paulo - DOM 27/06/92 - dec. 31.804 de 26/06/92.
Nome da antiga Rua 11, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Rua 09 e término na antiga Rua 14- Lei nº 9497, de 20/11/97.

Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.

Relatório Arroyo: "Imediatamente ouviu-se uma rajada. Juca e Flávio caíram mortos. Raul foi ferido no braço, escapando juntamente com Walk. Gil ainda se aproximou de Juca tentando reanimá-lo. Ocorreram novos disparos. Depois não se soube mais de Gil [Manoel José Nurchis]. Deve ter morrido. Raul e Walk, que não conheciam bem a região, vagaram durante dois meses pela mata até que se encontraram novamente com os companheiros do destacamento B.[30/09/72]".

Relatório do Ministério Exército: Filho de José Francisco Nurchis e Rosalina Carvalho Nurchis, nascido no dia 19 Dez 40, em São Paulo/SP
Militante do PCdoB, utilizando-se dos codinomes "Gil", "Gilberto" e "Guilherme", tendo também realizado o curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim/China. Atuou na guerrilha do Araguaia.

Relatório do Ministério da Marinha: - Jun./63 - foi preso quando distribuía panfletos subversivos em São Paulo. (Jornal O Globo).
- Out./72 - membro do PCdoB, morto em combate em Xambioá/MA.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheiro no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.

Arquivos do DOPS/SP:
Fichas entregues ao jornal O Globo em 1996:
Relatório das Operações contraguerrilhas realizadas pela 3ª Bda Inf. no Sudeste do Pará - Ministério do Exército - CMP e 11ª RM - 3ª Brigada de Infantaria - Brasília/DF, 30 out 72; assinado pelo General de Brigada - Antônio Bandeira - Cmt da 3ª Bda Inf.: Ações mais importantes realizadas pelas peças de manobra:
... Da FT 6º BC - ação de patrulhamento, em 30 Set 72, executada na R dos Crente, por 1 GC, teve como resultado a morte dos seguintes terroristas:
João Carlos Haas Sobrinho 'Juca' ( membro da Comissão Militar)
Ciro Flávio Salazar de Oliveira 'Flávio' (Dst B - Grupo Castanhal do Alexandre)
José Manoel Nurchis 'Gil' (China Com) - (Dst B - Grupo Castanhal do Alexandre)
Relatório da Operação Sucuri, de maio/74: confirma sua morte, como "Gil".

Informações e depoimentos
O
btidos através da imprensa ou dos familiares:

"Além desse, há outros de que sei apenas os nomes pelos quais eram conhecidos lá....Gil, que ao ver o médico João Carlos cair, precipitou-se para socorrê-lo.... " 3 [Depoimento de Elza Monerat].
"As testemunhas relacionaram para Vicente Araújo [Juiz] os nomes de Sírio [Ciro] Flávio Salazaer e Oliveira, João Carlos Haas Sobrinho, Bergson Gurjão Farias, Helenice [Helenira] de Souza Nazaré e Manoel José Lurchis [Nurchis]."
"[Dovwer] ... fora requisitado pelo general Antônio Bandeira, comandante das tropas no Araguaia, para identificar seis guerrilheiros mortos. Os corpos já estavam em decomposição e a identificação foi feita através de fotografias ampliadas. Os mortos eram o médico João Haas Sobrinho, Ciro Flávio de Oliveira Salazar, José Toledo de Oliveira, José Francisco Chaves e Manuel Nunes Nurchis. Dower conta que o general Bandeira comentou nunca ter visto "um homem tão macho" quanto Nurchis. Segundo o ex-guerrilheiro, Nurchis havia enfrentado pára-quedistas em combate que durou duas horas e só morrera após receber o 12º tiro de metralhadora."
"Levaram-me para uma seção de slides coloridos, projetados sobre fundo branco. Eram fotos de pessoas mortas, dentre as quais os camaradas Gil, Flávio, Juca e um antigo conhecido do movimento estudantil do Ceará, Bergson."
"Após colher o depoimento oral de Adélia Azevedo de Souza, a Comissão demarcou a área de 16 metros quadrados, juntamente com a colaboração do antropólogo argentino, Luis Fondebrider. (...) Podem estar enterrados neste local cinco das seguintes pessoas: Bergson Gurjão Farias, Maria Lúcia Petit da Silva (mais provavelmente, o corpo de Maria Lúcia deve estar na UNICAMP, a espera de identificação pelo médico legista Fortunato Badan Palhares, uma vez que, em 1991, foi feita a exumação de um corpo no mesmo cemitério), Kléber Lemos da Silva ("Quelé", "Carlito"), Idalísio Soares Aranha Filho ("Aparício"), Miguel Pereira dos Santos ("Cazuza"), José Toledo de Oliveira ("Vítor"), Francisco Manoel Chaves ("Chico", "Velho"), Ciro Flávio Salazar Oliveira ("Flávio"), João Carlos Haas Sobrinho ("Juca") e Manoel Nurchis ("Gil", "Gilberto", "Guilherme"). (Fonte: Criméia Alice Schmidt de Almeida.)"

"Entre os militantes do PCdoB as "quedas" são maiores: 12 mortes e oito prisões. Entre os mortos são citados Lourival Moura Paulino, Bergson Gurjão Araújo Farias, Maria Lúcia Petit, Kléber Lemos da Silva, Idalísio ..., Helenira Rezende, João Carlos Haas Sobrinho, Ciro Flávio Salazar de Oliveira, José Manoel Nurchis, José Toledo, Antônio Carlos Monteiro, Zé Francisco e Cazuza."
morto segundo informação do Gen. Bandeira de Melo - depoimento de Regilena. (Processo Júlia Gomes Lund e outros - 1º Vara da Justiça Federal/Brasília).
"No "anexo B" do documento relativo à operação, o Exército listou os nomes dos 52 guerrilheiros que ainda estariam em atividade em abril de 1973. Ao longo da lista, foi mencionando os oito cadáveres que, em 1972, já haviam sido levados à cova na selva.
Identificou-os assim:
1. João Carlos Hass (codinome "Juca");
2. Fátima";
3. Idalísio Soares Filho ("Aparício");
4. "Gil";
5. José Toledo de Oliveira ("Vitor");
6. Antônio Carlos Monteiro Teixeira ("Antônio");
7. Bergson Gurjão Farias ("Jorge");
8. Kleber Lemos da Silva ("Carlistos")".

Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes