
Grabois--
|
Dirigente do PCdoB
Apelidos: Mário, Abel, Chico, Velho.
Cor: branca Altura: 170 cm Idade: 61 anos Sexo: masc. Peso: 78 kg. Cabelo: grisalho/ondulado/curto Barba: Bigode: Sapato: 39. Data e local de nascimento: 02/10/12, Bahia. Filiação: Augustin Grabois/ Dora Grabois.
Ficha antropométrica: - fratura de tornozelo esquerdo em 1955.
- dentes largos.
- duas pontes móveis com um bloco que sustentava uma delas.
Biografia
"Estudou no Ginásio Estadual de Salvador e depois ingressou na Escola de Guerra do Realengo/RJ. Em 1932, ingressou no Partido Comunista. Neste mesmo ano houve um incidente na Escola Militar e vários alunos foram desligados. O comandante propôs retirar a ordem de afastamento para aqueles que se retratassem. Maurício se recusou. A seguir, ingressou na Escola de Agronomia, cursando até o 2º ano. Participou da Aliança Nacional Libertadora (1935). Deputado Constituinte, em 1946, dirigente comunista, era o líder de seu partido no Congresso e membro da Comissão de Relações Exteriores. Cassado em 1948, passou a viver na clandestinidade. Era o editor do jornal A Classe Operária e responsável pela Editora Vitória.
No Araguaia, foi dirigente das força guerrilheiras e morava na região desde 1967. Morto próximo a Fazenda Consolação, em 25/12/73.
Em seu poder foi apreendido pela repressão um diário, no qual ironiza a atuação do Exército durante a 1ª Campanha e lamenta a morte do filho André, em 14/10/73." (A guerrilha do Araguaia - Ed. Alfa Ómega.)
"...Maurício Grabois ingressou no Partido Comunista do Brasil, antes de completar 20 anos, em 1932, quando aluno da escola militar. Desde então dedicou sua vida por inteiro à atividade partidária. Na escola militar, e depois como simples soldado, foi um dos primeiros organizadores do Partido nas Forças Armadas. Tomou parte ativa nas jornadas de 1934 contra o fascismo, trabalhou infatigavelmente ao longo de 1935 na criação e fortalecimento do grande movimento revolucionário, anti-imperialista e anti-fascista, na Aliança Nacional Libertadora, sendo já então dirigente regional do Partido.
Naquela época, e posteriormente, sempre defendeu a gloriosa insurreição popular de novembro de 1935. Nos dez anos de ditadura de Vargas, nos quais nós, os comunistas, enfrentamos uma selvagem repressão policial, desenvolveu incansavelmente, atuação das mais relevantes.
Preso no início de 1941, comportou-se com dignidade de verdadeiro comunista, honrando nossa legenda heróica: "primeiro o Partido, depois tua vida se possível".
Já em julho de 1942, imediatamente após sair da prisão, ocupou seu posto de vanguarda, integrando o Secretariado Nacional Provisório de Partido, no qual teve como tarefa principal, rearticular nacionalmente o Partido, e realizar um Conferência Nacional, sendo esta realizada com pleno êxito em agosto de 1943 na Serra da Mantiqueira, onde foi eleito membro do Comitê Central, da Comissão Executiva e do Secretariado do Comitê Central.
Deputado comunista nas eleições de dezembro de 1945, foi líder da bancada do Partido na Câmara dos Deputados de 1946 a janeiro de 1948, quando a reação cassou os mandatos comunistas, desenvolvendo uma atividade parlamentar e extra-parlmentar, de real destaque, revolucionária e leninista.
Trabalhou ativamente como um dos relatores do programa do Partido e também como um dos organizadores de seu IV Congresso, em novembro de 1954, no qual foi reeleito para o Comitê Central, Comissão Executiva e Secretariado do Comitê Central.
Diante do surto revisionista kruchoviano, durante os anos de 56 a 60, manteve firme posição de defesa do marxismo-leninismo e do Partido, e de luta contra as furiosas investidas de Prestes e sua camarilha de renegados, ocupando nesse combate, lugar proeminente. Considerando essa sua atividade, tanto política e ideológica, como prática, no trabalho de reorganização marxista-leninista do Partido de 1961 a 1962, contribuiu de forma destacada, juntamente com o camarada Amazonas, para esclarecimento de importantes problemas da revolução brasileira e na elaboração do programa do Partido aprovado na Conferência Nacional Extraordinária de fevereiro de 1962.
Valiosa também foi sua colaboração na elaboração da tática revolucionária do Partido aprovada na 6ª Conferência Nacional de junho de 1966, o mesmo acontecendo em relação a outros documentos básicos do Partido, como os Estatutos, Guerra Popular: Caminho da Luta Armada no Brasil, Política e Métodos de Revolucionarização do Partido, 50 anos da Lutas do PCdoBrasil, e entre os principais ensinamentos, Problemas Ideológicos da Revolução na América Latina.
Desde a Revolução Cultural da China, onde esteve por duas vezes, trazia sérios reparos ao que considerava erros de princípios deste movimento, e, a partir de 1970, criticava energicamente os desvios do PC da China, em particular a aliança com os EUA.
O nome de Maurício Grabois está ligado estreitamente ao órgão central do PCdoBrasil, "A Classe Operária", do qual foi diretor por um longo período. O camarada Grabois esteve sempre na primeira linha de combate em todos os anos de lutas acirradas contra o revisionismo contemporâneo e pela consolidação das fileiras partidárias.
Junto com o camarada Amazonas e ao lado dos camaradas Angelo Arroyo e Paulo Rodrigues, deu o melhor de suas energias revolucionárias, na preparação da luta e na resistência armada do Araguaia. Aí esteve desde os primeiros momentos. Ali conviveu com as massas exploradas e oprimidas e sentiu sua dor de revolta. Ali atuou abnegadamente ombro a ombro com todos os camaradas. Ali colaborou na elaboração de valiosos documentos políticos e militares. Ali comandou as Forças Guerrilheiras do Araguaia. Ali tombou como um bravo. Caiu de armas na mão, caiu como guerrilheiro, naquele campo de batalha da luta de classes do Araguaia, ponto alto de referência da luta revolucionária de nosso povo.
Maurício Grabois, Abel, Mário, Freitas, Chico, Velho, mil nomes num só dirigene comunista exemplar, num só camarada e amigo de dedicação e solicitude à toda prova, honrado, leal, altivo, valoroso. O Partido foi sempre a razão primeira de sua vida." 31A
A última condenação ocorreu em 27 de junho de 1970, quando foi julgado com outras 56 pessoas acusadas de atividades subversivas. Cinqüenta e dois foram absolvidos e Grabois - julgado à revelia - foi condenado a 10 anos, juntamente com Prestes, Lincoln Cordeiro Oest e Leonel Brizola."
Homenagens:
Nome da antiga Rua 27, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Rua 26 e término na antiga Rua 29- Lei nº 9497, de 20/11/97.
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: "Quando já estavam a mais ou menos um quilômetro do acampamento, às 11 hs e 25 da manhã )25/12/73), ouviram cerrado tiroteio. Encontraram-se logo depois com Áurea e Peri, que vinham apanhá-los para o acampamento. Os dois afirmaram que o tiroteio tinha sido no rumo do acampamento. Cinco minutos depois do tiroteio, dois helicópteros e um avião começaram a sobrevoar a área onde houvera o tiroteio, e continuaram durante todo o dia nessa operação. Dois helicópteros grandes fizeram duas viagens - da base do Mano Ferreira, a uns cinco ou seis quilômetros, até o local do tiroteio. Tinha-se a impressão de que ou estavam levando mais tropas ou retirando mortos e feridos do local. J. e seus companheiros (eram oito) afastaram-se do local mais ou menos um quilômetro. No dia seguinte, 26, foram a uma referência para encontro, num local próximo. Aí encontraram os companheiros Osvaldo, Lia [Telma Regina Cordeiro Corrêa], Batista [Uirassú de Assis Batista] e Lauro.
Osvaldo informou o seguinte: que o grosso da força havia acampado dia 24, mas percebeu que estava perto da estrada. Dia 25, pela manhã, afastaram-se para uns cem metros de onde se achavam, designando alguns companheiros para limpar (camuflar) o local em que estiveram. Os membros da CM e sua guarda ficaram num ponto mais alto do terreno, e os demais ficaram na parte de baixo . Na hora do tiroteio havia 15 companheiros no acampamento: Mário [Maurício Grabois], Paulo, Pedro, Joca, Tuca, Dina (com febre), Luís (com febre), na parte alta; embaixo: Zeca, Lourival, Doca e Raul (estavam ralando coco babaçu para comer). Lia e Lauro faziam guarda. Osvaldo e Batista realizavam a camuflagem.
(...)
Em poder do camarada Mário, responsável da CM, havia uma espécie de diário, onde ele anotou os principais fatos e as medidas adotadas na guerrilha, desde o seu início. Estas anotações são da maior importância, refletem as opiniões do comando em diferentes ocasiões. Com Mário encontravam-se também cópias de todos os materiaais editados, assim como os hinos, poesias, ete."
Relatório do Ministério Exército: Filho de Agostin Grabois e de Dora Caplan, nascido em 02 Out. 12, natural do Estado da Bahia.
Dirigente foragido do PCdoB que, segundo depoimento de José Genoino Neto, periodicamente visitava os destacamentos guerrilheiros que atuavam em Xambioá/GO.
O jornal O Estado de São Paulo, em sua edição de 10 Out. 82, noticiou sua morte no dia 25 Dez 73, em confronto com as forças de segurança na área entre Xambioá/GO e Marabá/PA, não havendo dados que confirmem essa versão.
Relatório do Ministério da Marinha: Nov. 74 - relacionado entre os que estiveram ligados á tentativa de implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo CC do PCdoB, em Xambioá. Morto em 25/12/73.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheiro no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP: têm documentos, mas não se referem à luta no Araguaia, nem à morte.
Relatório da Manobra Araguaia/72, de nov./72: no ítem 'ações não confirmadas', diz que teria sido morto pelas forças da repressão.
Informações e depoimentos obtidos através da imprensa ou dos familiares:
"No Dia de Natal de 1973, foi cercado e bombardeado o local da mata onde se encontravam Maurício Grabois e outros guerrilheiros. Depois que fui presa, disseram-me que naquele local e naquele dia haviam sido mortos mais de 20 pessoas..." 2 [Depoimento de Elza Monerat]
Depoimentos
É citado como morto no dia 25 de dezembro de 1973, por para-quedistas, na reportagem de Fernando Portela, com o nome verdadeiro. 7
"Quanto a Grabois, não surgiu nenhuma prova concreta de sua morte durante o movimento. Oficialmente está desaparecido. Mas nem os pecedebistas acreditam que esteja vivo." 9
"Ainda assim, alguém se disporia a dar o seu depoimento. E mencionando ainda mais inúmeros guerrilheiros que foram pegos vivos e feitos prisioneiros. José da Luz Filho, lavrador, que teve seu pai preso durante sete meses em Marabá, contou que:
Conheço o Nelito, Cristina, Piauí, Edinho, Duda, Valdir, Manoel, Mário, Zé Carlos, Daniel, Paulo, Dina, Sônia, Josias, Nilo. Eles quase não sabiam trabalhar. Ensinei eles a fazer tudo, e trabalhei muito pra eles. Eles andavam muito, pra cima e pra baixo.(...)
O Velho Mário morreu quando comia carne de sol, encostado numa árvore. Todos os que estavam com ele morreram também. Foi na Barra das Andorinhas.(...)"
"Maurício Grabois não desapareceu - está morto. Grabois - ou Abel, Chico, Velho ou Velho Mário - morreu num início de tarde chuvosa da véspera do Natal de 73, em confronto com uma patrulha do Exército, composta de três militares e dois mateiros, durante uma emboscada no interior da selva, entre Marabá e Xambioá. Aos 61 anos, Grabois morreu atingido por balas de fuzil FAL, ao lado de três companheiros da Comissão Militar da Força Guerrilheira do Araguaia - Forga ou Fogueira - (...) Eram eles: Gilberto Olímpio Maria (Pedro Gil), Paulo Henrique Milhomens e Guilherme Lund (Luiz). Gilberto era genro de Grabois, que também perdeu um filho na guerrilha, André (Zé Carlos)."
"Um militar que combateu em Xambioá, detentor de vigorosa folha de serviços prestados no combate à subversão, principalmente à guerrilha rural, dá o seu testemunho sobre a morte de Maurício Grabois e seus três companheiros, na véspera do Natal de 73:
-"Eles emboscaram uma patrulha do Exército, que era composta de cinco homens, sendo três militares e dois mateiros. Estavam armados de revólveres calibre 38, espingardas de caça e armas brancas improvisadas. O confronto ocorreu entre Marabá e Xambioá, à margem esquerda do Araguaia. Era aproximadamente meio-dia. Eles estavam reunidos em discussão, quando a patrulha foi pressentida e sua aproximação avisada pelos seus vigias. Embora a patrulha fosse constituída de pequeno número, era de gente altamente qualificada e ainda contava com reforço de elementos locais que serviam de batedores, de guias, recrutados na população, voluntariamente."
O combatente faz pequena pausa, retira-se e apanha slides em seu arquivo, em meio a outros documentos e apontamentos sobre a guerrilha do Araguaia. Levanta os slides contra a luz que atravessa a vidraça da janela, separa um deles e retoma a narrtiva:
-"Aqui está a prova: os quatro caíram no mesmo choque contra a patrulha. Morreram sob o impacto de fuzis automáticos FAL. O "Velho"(Grabois) se destacava pela idade em relação aos demais integrantes da Fogueira. Eles pertenciam aos grupamentos B, C e D e integravam a Comissão Militar, que era chefiada pelo "Velho". O Grabois levou um tiro na cabeça, que lhe arrancou o cérebro, e um na perna que causou fratura exposta. Houve, então a fuga de 26 a 30 guerrilheiros. Alguns ficaram perdidos na mata, mas foram sendo caçados um a um. Em sua desesperada fuga, deixaram armamentos e material. Documentos apreendidos comprovam o treinamento de guerrilha no Exterior, em países da órbita comunista, mais precisamente na China e em Cuba. A Albânia se fazia presente por meio de transmissões radiofônicas de fatos passados no interior da selva em prazos surpreendentemente curtos.(...)
- Foram os próprios mateiros que imediatamente identificaram os mortos. Mais tarde, Grabois foi reconhecido com a ajuda de um álbum de fotografias de terroristas procurados. Eles foram sepultados no mesmo local, com os nomes falsos, os codinomes como eram conhecidos na região da guerrilha. As próprias condições locais da floresta densa, sem vias de comunicação, a alta temperatura e umidade faziam com que os corpos se decompusessem com rapidez, o que impedia a remoção para áreas mais distantes. Nunca soube dessa história de que os restos mortais desses terroristas foram desenterrados para crenação dos esqueletos."
"A propósito de recentes reportagens sobre a morte de Maurício Grabois na Guerrilha de Xambioá, lembro o que me disse há tempos o General Hugo Abreu, quando chefe do Gabinete Militar. Como se sabe, ele comandou a Brigada de Pára-quedistas, que teve papel saliente na eliminação do foco guerrilheiro. Certa tarde, ao longo de uma conversa, perguntei ao general se ele havia lido notícia de descoberta de ouro na Serra das Andorinhas. "Na Serra das Andorinhas?", perguntou o general. E ante a confirmação: "Acho bom não cavucarem muito essa serra pois podem encontrar outras coisas. Foi lá que enterrei o Maurício Grabois."19
"O velho Mário morreu quando comia carne de sol, encostado numa árvore."
"Sobre cada combate existe um relatório e ampla documentação, que foi toda encaminhada ao Centro de Informação do Exército (CIE). Esse foi o destino dado ao material recolhido do embate no qual morreu o ex-deputado e antigo líder comunista Maurício Grabois, que era chefe da guerrilha. Segundo um dos militares que participaram do combate, Grabois e outros quatro guerrilheiros foram emboscados na manhã de 25 de dezembro de 1973. Um deles escapou, mas os outros quatro tombaram em poucos minutos de tiroteio. Grabois recebeu um tiro de fuzil FAL de baixo para cima, que penetrou no queixo e rompeu a massa encefálica ao sair. Em seu poder foi encontrado um detalhado diário das atividades guerrilheiras. Num longo trecho, Grabois ironiza a primeira campanha do Exército, que ficara ao largo da floresta enquanto os guerrilheiros estavam dentro da mata. As últimas páginas, porém, traduzem um longo lamento pela morte do filho André, ocorrida algum tempo antes.
Os pára-quedistas que combateram no Araguaia não acreditam que Grabois esteja entre os quatro corpos de uma fotografia que em outubro de 1982 chegou ao jornal O Estado de São Paulo (...) Não há sinais de que o corpo à esquerda tenha levado um tiro no queixo, os cadáveres estão com as pernas amarradas num sinal de que sofreram torturas ou estavam aprisionados e com os pés descalços - o que não ocorria com o grupo de Grabois, quando foi emboscado. Mas admitem que a foto é de um grupo de guerrilheiros.
O diário de Grabois também é comentado por um dos raros sobreviventes da campanha do final de 1982, Angelo Arroyo (que morreu em 1976 numa operação desfechada em São Paulo, pelo Exército, contra uma reunião da direção do PC doB).
(...)
O diário, como toda a documentação resgatada, os pára-quedistas garantem que encaminharam ao CIE."
"Não pode haver Natal mais desgraçado para os guerrilheiros do que o de 1973. Completamente desarmados, estavam o ex-deputado Maurício Grabois, Guilherme Gomes de Castro [Guilherme Gomes Lund], seu genro Gilberto Olímpio Maria e Paulo Mendes Rodrigues, quando foram cercados por uma volante, sendo metralhados. Estavam desarmados." 25
"Recomendamos também uma viagem à região da serra das Andorinhas. A área não foi desmatada, pertence hoje a uma organização ecológica estrangeira, e ali ocorreu o último grande combate da guerrilha onde pereceram vários companheiros, dentre eles, Maurício Grabois ..."
"O documento aponta o ex-deputado federal Maurício Grabois como chefe militar da guerrilha, superior hierárquico de três comandos distintos: o Comando A, à frente o comandante André Grabois, Edgar, filho de Maurício; o Comando B, dirigido pelo técnico em máquinas e motores Osvaldo da Costa, o Osvaldão, e o Comando C, que era liderado pelo economista Paulo Mendes Rodrigues. Os militares reconhecem no informe que a guerrilha do PCdoB contava apenas com armas precárias e levanta a suspeita de que os guerrilheiros estariam à espera de armamentos da China comunista.
(...)
Nessa fase, Curió montou uma rede de informantes em toda a região do Araguaia. Sua estratégia mais bem sucedida foi a montagem de biroscas para o fornecimento de alimentos e munição ao longo do rio Araguaia, onde obtinha informações dos caboclos. (...) Sua operação mais destruidora ocorreu na manhã do Natal de 1973, quando supreendeu Maurício Grabois e Paulo Mendes Rodrigues, principais chefes da guerrilha, no acampamento na Gameleira, próximo ao rio Araguaia, junto com Guilherme Lund, arquiteto, e Gilberto Olímpio, técnico industrial, genro de Grabois. Todos foram mortos."
"Desde 1966 Maurício fincou raízes no Araguaia, para implantar o movimento guerrilheiro, e se instalou na localidade de Faveira, município de Marabá, em definitivo, nos primeiros meses de 1967, acrescenta a viúva do líder comunista."
"Meu pai foi o deputado constituinte de 46 mais votado no então Distrito Federal (Rio de Janeiro), elegendo-se com 39 mil votos, lembra [Vitória Grabois]".
"Maurício Grabois, comandante militar da guerrilha do Araguaia, ex-deputado federal, líder da bancada do PC e membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados na Assembléia Constituinte de 1946, morreu doente, praticamente estava cego, no dia de Natal de 1973. Em seu acampamento militar montado em plena selva amazônica na localidade Grotão dos Macacos. (...) Os documentos secretos produzidos pelo Centro de Informações do Exército (CIE) descrevem a ação militar. O Exército conseguiu localizar Grabois depois de obter informações através da prisão de um dos guerrilheiros.
O ataque ao acampamento de Grabois no dia de Natal foi, talvez, a maior vitória militar das Forças Armadas durante a guerra suja do Araguaia: uma patrulha com 15 soldados armados com metralhadoras e fuzis, liderada pelo capitão Sebastião de Moura Rodrigues, o Curió, do Centro de Informações do Exército (CIE) conseguiu descobrir o local que Maurício Grabois havia escolhido. (...) O ataque somente não alcançou maior êxito porque, segundo relato de um militar que participou da operação, um dos soldados assustou-se com uma cobra surucucu pico-de-jaca, fez barulho e despertou atenção dos guerrilheiros. Mesmo assim, o objetivo da expedição foi alcançado. Centenas de tiros de metralhadora e fuzis foram disparados contra os guerrilheiros no meio da floresta. Grabois recebeu um tiro de fuzil no barço esquerdo, que com o impacto da bala quebrou. "Maurício estava completamente cego", atesta hoje um capitão do Exército que, à época, participou da ação. A falta de visão não permitiu que o líder militar dos guerrilheiros, então aos 61 anos de idade, escapasse. No ataque morreram ainda Paulo Mendes Rodrigues, chefe da Coluna B da guerrilha; Gilberto Olímpio, técnico industrial, casado com a filha de Grabois, e Guilherme Gomes Lund, estudante de arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na clandestinidade desde 1968. "Perdemos o Osvaldão, que estava na festa natalina e conseguiu fugir embrenhando-se na mata", recorda o oficial que participou do ataque. (...)
Paulo Mendes Rodrigues, economista até deslocar-se para a localidade Caiano, no Araguaia, morreu crivado de balas. Na mesma data, constam da relação de 'desaparecidos' do Araguaia os seguintes guerrilheiros: Daniel Ribeiro Callado, Dinaelza Soares Santana Coqueiro, Dinalva Oliveira Teixeira, José Huberto Bronca, José Lima Piauhy Dourado, Líbero Giancarlo Castiglia, Paulo Pereira Marques e Vandick Reidner Pereira Coqueiro, cujos corpos foram enterrados em cemitérios clandestinos na própria região e nunca descobertos. O oficial que presenciou a morte de Grabois, porém, garante que houve somente quatro mortes no ataque do dia de Natal de 73." [Esta lista de desaparecidos é dos familiares. Estes guerrilheiros estavam no acampamento que sofreu o ataque do dia 25/12/73 e desde então estão desaparecidos, o mais provável e que tenham escapado a este ataque e vieram a morrer mais tarde.]
"O mais velho era o jornalista Maurício Grabois, deputado do PCB na Constituinte de 1946, 62 anos, morto num fogo cruzado com soldados do Exército. "Foi a morte de um lutador", reconhece um oficial que testemunhou a cena. "Grabois estava doente, enxergava mal, caiu atirando e se ajoelhara quando recebeu a bala final".
"(...) o Centro de Informação do Exército (CIE), num relatório de 31 de janeiro de 77 que analisava o material apreendido na Lapa, levou a sério as intenções do PCdoB. Nele, o Exército revelava ter apreendido o diário do dirigente Maurício Grabois, assassinado no Araguaia no Natal de 73 pelas tropas do general Hugo Abreu. "Ao ler-se o Diário Grabois, onde ele mencionava sua ida ao Xingu por várias vezes, somente acompanhado por elementos da Comissão Militar, conclui-se que membros do CC (Comitê Central) pretendem conduzir para o futuro a guerrilha rural e a luta armada."
O local onde foi morto e enterrado, hoje está guarnecido por estrangeiros que têm casa em São Geraldo mas vivem na serra das Andorinhas, depoimento de Maria Raimunda Rocha Veloso. Maria da Metade, a Crimeia Almeida, em 1991.
Curió, em reportagem do SBT, em julho/96, faz referência a um combate com 10 guerrilheiros, no começo da 3ª Campanha, na localidade de Some Home, sendo que quatro deles morrem. Pode ser o cambate do dia 25/12/73. Este local pode ser o descrito por Osvaldão, no Relatório Arroyo, pois Some Home fica a uns 6 Km da Fazenda Consolação e 4 Km distante do rio Saranzal. Pode ser que alguns tenham sido presos, outros escaparam e, provavelmente quatro tenham sido mortos no local.
"Adão Rodrigues Lima e Salviana Xavier Lima ... que oferecido para reconhecimento dos declarantes as fotos dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, ambos reconheceram Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zé Carlos (André Grabois), Zebão (João Gualberto Calatroni) e Mário (Maurício Grabois)".
"Maria Nazaré Ferreira Brito (...) que além de Alice, conhecia também Zé Carlos, Joca, Maria, Luiz, Cid, Mauro, Beto, Regina (esposa do Beto) e Alandrino; (...)".
"Sr. Lauro Rodrigues dos Santos, (...) que a partir do ano de 1970 começou a manter contatos com as pessoas conhecidas como guerrilheiras, a saber, Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa), Zé Carlos (André Grabois, Alice (Criméia Alice Schmidt), dona Maria (Elza Monnerat), Joca (Libero Jean Carlo Castiglia), Luis (Guilherme Gomes Lund), seu Mário (Maurício Grabois), Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zezinho (Marcos José de Lima), Alandrino (Orlando Momente), Cid (João Amazonas), seu Beto (Lúcio Petit da Silva) e sua companheira Regina (Lúcia Regina de Souza Martins), Goiano (Divino Ferreira de Souza); (...)".112
"Sr. Manoel Ferreira, (...) que conheceu Zé Carlos, Piaui, Sônia, Orlando, Zezinho, Luizinho, Fátima, Regina, Dona Maria, Mário; (...) ".
"Sr. Agenor Moraes Silva, (...)que o declarante conheceu os 4 grupos de pessoas que viviam na mata, mas o declarante tinha mais intimidade com o grupo do Chega com Jeito, integrado pela Sônia, Fátima, José Carlos, Mauro Borges (a Sônia dizia que era o pai dela), (...)".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
|