
Valquíria--
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Militante do PCdoB
Apelidos: Valk, Vera.
Cor: branca Altura: Idade: 28 anos Sexo: fem. Data e local de nascimento: 09/08/45, em Uberaba/MG. Filiação: Edwin Costa/Odete Afonso Costa.
Biografia
"Ingressou na Faculdade de Artes e Educação da UFMG, em Belo Horizonte, abandonando o curso em janeiro de 1971, quando foi viver na região do rio Gameleira, no sul do Pará. (...)
Ao mudar-se para o campo, tinha em mente atuar junto aos camponeses pobres da região e, quando do ataque das Forças Armadas, em abril de 1972, incorporou-se às Forças Guerrilheiras do Araguaia.
Está desaparecida desde 25/12/73."
Homenagens
Atuava no movimento estudantil e, hoje, numa justa homenagem o DA da Faculdade de Artes e Educação (FAE), leva o seu nome.
Nome da antiga Rua G, no Bairro Braúnas em Belo Horizonte - Dec. N.º 6392 - 16/09/93 (Rua Viva - Homenagem aos mortos e desaparecidos políticos mineiros - pag. 68).
Nome da antiga Rua 18, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Rua 07 e término na Rua 04 - Lei nº 9497, de 20/11/97.
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69. Parte II.
Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: Foi com Paulo Roberto Pereira Marques encontrar-se com Vandick e Dinaelza. Deveriam retornar dia 28/12 a um local bem próximo ao local do tiroteio do dia 25/12/73. Desde esta data está desaparecida.
Relatório do Ministério Exército: Filha de Edwin Costa e de Odete Afonso Costa, nascida no dia 02 Ago. 47, em Uberaba/MG.
Militante do PCdoB, utilizava o codinome "Vera" e pertencia ao Destacamento B do grupo Castanhal, liderado pelo guerrilheiro "Zé Ferreira", na guerrilha do Araguaia.
Foragida, teve sua prisão preventiva decretada em função do IPM que apurou as atividades do Partido, na região do Araguaia [Desconheço este IPM].
Consta que teria morrido em 1972, em confronto com as forças de segurança.
Relatório do Ministério da Marinha: -Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá.
- Morta em 25 Out. 74.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB, guerrilheira no Araguaia, dada como morta ou desaparecida por publicações diversas, da imprensa e de entidades defensoras dos Direitos Humanos. Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP:
Fichas entregues ao Jornal O Globo, em 1996: "Vera"- "Dinalva"- PCdoB/MG
- filha de Edwin Costa e Odete Afonso Costa, natural de Uberaba/MG, em 02 Ago. 47
- era mulher de Idalísio Soares Aranha Filho (morto).
- residia à rua Idelfonso Lima, 09 - BH/MG
- integra o Dst C.
Informações e depoimentos
Obtidos através da imprensa ou de familiares:
Presa. (Depoimento de Elza Monerat à Comissão de Representação Externa do Congresso).
"José Ferreira Sobrinho, o Zé Veinho, lavrador de idade avançada declarou aos familiares:
... toda quinta-feira tinha que viajar 3 léguas para assistir a reunião deles (do Exército). E aquilo era sem apelo. Se não fosse, tinha que explicar o motivo que não fui. Se não fosse, daí a pouco chegava 4 a 5 soldados. Lá nessas reuniões tinha o retrato do pessoal. O que eles iam pegando, iam tirando do mapa. Só vi presa a Lia, que se entregou lá no Macário e foi presa. Aí o Macário mandou chamar o Zé Olímpio. Ela dormiu no barraco do Zé Olímpio, que era uma pessoa deles, do Exército. Ela tava sozinha. Disse que tava com um revólver 38 e um facão. Parece que o marido dela era chamado Lourival, esse dizem que tinham matado ele lá no Carrapicho. Isso foi no final. Ela falou que tavam as duas. A Valquíria mais ela. Depois a Polícia foi para ela achar a outra. Ela não achou. Depois eu soube que pegaram essa outra... O Amadeu, um negro, morador, ajudou-as. Foi preso e muito espancado. Perguntaram pra ele, se ele queria apanhar ou morrer. Ele disse que preferia morrer. Deram logo um tapa na cara dele. Ele estava com os olhos inchados, os dedos furados ...
A Lia não sabia que tinham matado o marido dela. Quando ela foi presa o Zé Olímpio, trouxe ela para a base de Xambioá."
? Foi presa pela Dª Maria do Zezinho Madeira e entregue aos militares, próximo de São Raimundo. Estava muito magra, com a roupa toda rota. Dª Maria e Sr. Zezinho a amarraram e chamaram os soldados - depoimento de Luzinete, em julho/96.
"Sinvaldo de Souza Gomes (...) que um ex-soldado do Exército conhecido por Raimundo Nonato, que guarnecia a base do Exército em Xambioá, (...) que Raimundo Nonato assistiu a prisão de Valquíria, guerrilheira, sendo que ele ficou três dias vigiando a prisioneira, que estava amarrada numa árvore conhecida como Jacarandá, quando chegaram dois tenentes do Exército que pediram para que Raimundo Nonato cavasse um buraco no chão e após saísse do local por pelo menos uma hora; que quando Raimundo Nonato retornou Valquíria não estava mais no local e o buraco já estava tapado com terra; ..."
"Sinésio Martins Ribeiro (...)que viu a Valquíria viva dentro da base de Xambioá; que ela estava bem cuidada, limpa com roupa nova, um vestido, falando com o doutor; que o doutor não gostava de falar com guerrilheiro sujo; que a Valquíria contou aos militares que estava com o Osvaldão quando este foi morto; que a mesma perdeu a espingarda nesta vez, pois a mesma ficou enganchada num pau; (...) que na base de Xambioá viu ela ser levada por um soldado do Exército para o rumo do jatobá; que o 'carrasco' (sic) levava uma arma curta; que a arma era 'surda' e não se escutava o tiro; que atrás ia outro soldado levando uma lata grande de bolacha com cal virgem; que dias depois ele perguntou ao soldado por ela e teve como resposta 'já era', que esta resposta significava que tinha sido morta; que o depoente não falou com ela; que antes de ser morta ela tinha uma rede armada no barracão; (...)".
"Sr Francisco Alves dos Santos conhecido como Chico Vitorino (...) informou que: por volta das dez horas do dia 10 Out 74 estando na fazenda do Sr. Carlos Holanda, descansando em uma barraca apareceu uma mulher trajando bermudas, camisa de homem meio amarelada, descalça, cabelo amarrado e com um revólver na mão. A mulher perguntou que lugar era aquele, que foi respondido. Perguntou se a grota Seca era uma que indicava e também se a estrada era a OP-2. Obteve respostas positivas, perguntando que direção estava São Raimundo. Tudo respondido pediu uma caixa de fósforo. Depois o Chico Pantera (que estava com o informante) pediu a mulher que o deixasse ver o revólver. Tentando apanhá-lo a mulher levantou o revólver dizendo que não e saiu correndo na direção da OP-3. Após isso o informante e seu acompanhante reconheceram nela a Valquíria, que já tinha sido vista por Chico Vitorino em agosto de 73. Nesse dia ela estava com todo o grupo.
O informante declara que tudo isso durou 15 minutos. Chico Vitorino pediu a Chico Pantera que avisasse a Jacó. Por sua vez este avisou Liomar, filho do Raimundo Galego. Chegando Jacó. e Liomar estes foram caçar rastro. Não conseguiram muita coisa. Perguntando sobre a aparência de Valquíria, disse que está mancando, amarela e bastante magra. Embora manca, saiu em "carreira'. Não a reconheceu nas fotografias e disse que era dentuça, característica de Valquíria".
"Um dos corpos localizados ontem foi enterrado sentado ou em pé em uma cova de formato circular e estava com indicação de uma corda amarrada no pescoço. A ossada seria da guerrilheira Valquíria Afonso Costa ...
"Não há vestígios dos ossos dos punhos e das mãos da primeira ossada. Quanto à outra, acreditávamos que ela havia sido enterrada em pé, mas apenas o crânio foi enterrado, disse o médico-legista José Eduardo Reis, diretor do Departamento de Antropologia do IML (Instituto Médico Legal) de Brasilia.
(...)
O crânio pode ser o de uma mulher, a guerrilheira Valquíria Afonso Costa, que tinha traços orientais. A ossada tinha vestígios de corda de sisal no pescoço".
"Na última sexta-feira, Greenhalgh informou a ela [Valéria, irmã de Valquíria Afonso Costa] que a possibilidade de o crânio não ser de Walkíria são reduzidas. Essa forte presunção se baseia, segundo ela, na comparação entre as fotos enviadas a Xambioá e o estudo preliminar do crânio, feito pelos legistas.
Ela diz que prefere aguardar com "cautela e expectativa" os testes que serão realizados pelos legistas da Universidade de Brasília".
"Walkíria Costa começou na política como militante da Ação Poppular (AP). Pedagoga, foi fundadora do diretório acadêmico da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A partir daí, começou a ser vigiada pelos órgãos de segurança.
Por isso, quando anunciou que iria para a clandestinidade, não causou supresa entre os familiares. Nós já estávamos esperaando, conta Valéria Costa, que diz sentir orgulho das atividades da irmã. Ela foi uma peça importante para a redemocratização do país.
Nos oito anos seguintes, nenhum contato foi feito. Somente em 1979, quando as primeiras informações sobre o Araguaia começaram a ser divulgadsas, a família ficou sabendo que ela havia estado no Sul do Pará".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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