
Miguel dos Santos--
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Militante do PCdoB
Apelido: Cazuza.
Cor: branca Altura: cm Idade: 29 anos Sexo: masc. Data e local de nascimento: 17/07/43, em Recife/PE. Filiação: Pedro Francisco dos Santos/Helena Pereira dos Santos. RG: 3 213 332 - expedida pela SSP/SP. Certificado de reservista: 3ª categoria 624 948 - série E. Título de eleitor: 248 435 - 1ª Zona - SP - 19/02/62. Carteira Profissional: 018 958 série 141ª.
Biografia
"Muito cedo, quando contava apenas 13 anos, começou a trabalhar. Em 1964, mudou-se com a família para São Paulo e, neste mesmo ano, concluiu o curso científico no Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
Cedo também iniciou sua participação na vida política, filiando-se ao Partido Comunista. Em 1965, devido a perseguições políticas passou a viver na clandestinidade.
Residiu inicialmente na Praia Chata, ao norte de Goiás, às margens do rio Tocantins e, posteriormente, no sul do Pará, na localidade de Pau Preto.
Membro das Forças Guerrilheiras do Araguaia, foi morto pelas Forças Armadas em 20/9/72."
Homenagens
Nome de rua em São Paulo - DOM 27/06/92 - dec. 31.804 de 26/06/92.
Nome da antiga Rua 28, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Rua 26 e término na antiga Rua 29 - Lei nº 9497, de 20/11/97.
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: "No Destacamento C, cerca do dia 20 de setembro, dois companheiros, Vítor e Cazuza, deslocavam-se para fazer um encontro com três outros companheiros. Acamparam perto de onde devia se dar o encontro. À tardinha, ouviram barulho de gente que ia passando perto. Cazuza achou que eram os companheiros e quis ir ao encontro deles, mas Vítor não permitiu. Disse que se devia ir ao ponto no dia seguinte. Pela manhã, Cazuza convenceu Vítor a permitir que ele fosse ao local onde, na véspera, ouvira o barulho. Vítor ainda insistiu que não se devia ir ao ponto, mas acabou concordando. Ao se aproximar do local do barulho, Cazuza foi metralhado e morreu."
Relatório do Ministério Exército: Filho de Pedro Francisco dos Santos e Helena Pereira dos Santos, nascido no dia 12 Jul. 43, em Recife/PE.
Militante do PCdoB, utilizava o codinome "Cazuza" e viajou para a China em 13 Set. 68, onde foi realizar curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim.
Participou ativamente da guerrilha do Araguaia, onde teria desaparecido em 1972.
Relatório do Ministério da Marinha: - Abr./66 - relacionado como tendo deixado o Brasil com destino à China Comunista, via Europa.
- Set./66 - relacionado como um dos membros do PCdoB que cursou a mesma escola que Tarzan de Castro na China Comunista, onde era ensinado desde política internacional até Guerra de Guerrilhas.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheiro no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP: tem informações sobre a viagem a China.
Relatório das Operações contraguerrilhas realizadas pela 3ª Bda Inf. no Sudeste do Pará - Ministério do Exército - CMP e 11ª RM - 3ª Brigada de Infantaria - Brasília/DF, 30 out 72; assinado pelo General de Brigada - Antônio Bandeira - Cmt da 3ª Bda Inf.: - Ações mais importantes realizadas pelas peças de manobra:
... Do 10º BC - ação de emboscada, por uma esquadra (1 Cb e 5 Sd), em 26 Set 72, numa grota distante cerca de 3 Km da casa do velho Manoel. Resultou na morte do terrorista 'Cazuza' (não identificado) (Dst C - Grupo 900)
Informações e depoimentos
Obtidos através da imprensa ou dos familiares:
As primeiras informações obtidas em noticiários da imprensa sobre as perseguições políticas sofridas são de 1968, através do jornal A Folha de São Paulo que diz "... foram vistos quando entravam ou saiam da China Comunista e é provável que a CIA (Serviço de Inteligência dos EUA) tenha colaborado com as autoridades brasileiras para sua identificação... O DOPS tem a fotografia de todos eles..."
Morto segundo informação do Gen. Bandeira de Melo - depoimento de Regilena. (Júlia Gomes Lund e outros - Ação Ordinária - Processo 108/83 - Justiça Federal e A guerrilha do Araguaia - Ed. Alfa Ómega.)
"Numa dessas ações morreu "Daniel" , à custa, no entanto, de baixas não reveladas entre as forças de segurança." 5 [Pode ser o Cazuza, pela data da matéria - 24/09/72, pois o Daniel ainda estava vivo.]
"Após se colher o depoimento oral de Adélia Azevedo de Souza, a Comissão demarcou a área de 16 metros quadrados, juntamente com a colaboração do antropólogo argentino, Luis Fondebrider. (...) Podem estar enterrados neste local cinco das seguintes pessoas: Bergson Gurjão Farias, Maria Lúcia Petit da Silva (mais provavelmente, o corpo de Maria Lúcia deve estar na UNICAMP, a espera de identificação pelo médico legista Fortunato Badan Palhares, uma vez que, em 1991, foi feita a exumação de um corpo no mesmo cemitério), Kléber Lemos da Silva ("Quelé", "Carlito"), Idalísio Soares Aranha Filho ("Aparício"), Miguel Pereira dos Santos ("Cazuza"), José Toledo de Oliveira ("Vítor"), Francisco Manoel Chaves ("Chico", "Velho"), Ciro Flávio Salazar Oliveira ("Flávio"), João Carlos Haas Sobrinho ("Juca") e Manoel Nurchis ("Gil", "Gilberto", "Guilherme"). (Fonte: Criméia Alice Schmidt de Almeida.)"
"Entre os militantes do PCdoB as "quedas" são maiores: 12 mortes e oito prisões. Entre os mortos são citados Lourival Moura Paulino, Bergson Gurjão Araújo Farias, Maria Lúcia Petit, Kléber Lemos da Silva, Idalísio ..., Helenira Rezende, João Carlos Haas Sobrinho, Ciro Flávio Salazar de Oliveira, José Manoel Nurchis, José Toledo, Antônio Carlos Monteiro, Zé Francisco e Cazuza."
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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