| Nelson Piauí Dourado (Nelito) |
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![]() Nélson Piauí-- |
Militante do PCdoB Ficha antropométrica: Foi morto no dia 2/01/74, após tiroteio com o inimigo." Homenagens: Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. Relatório Arroyo: "Os grupos eram cinco. Um chefiado por Osvaldo (que retornou a sua área); outro por J.; outro pelo João; outro pelo Nelito; e o outro pelo Landim. Relatório do Ministério da Marinha: Nov. 74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá. Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheiro no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão. Informações e depoimentos Obtidos através da imprensa ou dos familiares: "Desaparecido no dia 02 de janeiro de 1974. Possivelmente sua sepultura encontra-se na região do Castanhal Brasil-Espanha. Não sabemos precisar se Nelito encontra-se com Hélio Navarro e Luiz Renê [provavelmente não foram enterrados juntos com Nelito porque morreram tempos depois]. Porém, cremos, que localiza-se na região referida acima." "Sra. Margarida Ferreira Félix, (...)que o primeiro encontro com estas pessoas, foi em 1972, pelo mês de outubro, quando às 21:00 hs, algumas pessoas chegaram na casa da declarante; que eram duas pessoas, uma chamada Sônia e a outra Rosinha, e posteriormente chegou um terceira pessoa chamada Nelito; que a declarante ficou muito desconfiada, mas que as pessoas procuraram acalmar a declarante; que somente após a chegada de Nelito a declarante ficou mais calma, pois a declarante já o conhecia de Augustinópolis-GO (hoje Tocantins), local onde residia anteriormente, e onde Nelito era um farmacêutico conhecido, e ninguém sabia de nada sobre sua atividade clandestina; (...)" "Sr. Pedro Moraes da Silva, (...) oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), (...); Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha; (...) que reconhece a foto de Nelito (Nelson Lima Piauhy Dourado); (...)". "Sr. Antônio Félix da Silva, (...) que é conhecido na região como seu Tota; que, chegou na Região do Araguaia em 16.07.1972, mais precisamente na região do Caçador; (...); que o declarante foi obrigado a servir de guia para os militares na região de Água Boa, Caçador e Borracheiro, (...)que mostradas as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Zé Carlos, ...; Nelson, Valdir, ... , Beto, Antônio, Orlandinho, que usava um chapéu de macaco da noite com rabo". "Sra. Adalgisa Moraes da Silva, (...) que os guerrilheiros haviam colocado fogo em uma ponte na Transamazônica, no Município de São Domingos; que a Rosinha, a Sônia, o Nelito, o João Araguaia, o Nunes, o Orlandinho, o Beto, o Alfredo, o Zé Carlos, o Edinho e Valdir e o Zebão colocaram fogo na ponte para impedir que os carros passassem; que eles atacaram um posto da polícia militar e colocaram um soldado para ir à pé até Marabá, vestindo apenas uma cueca, pegaram as armas, as facas, o Alfredo vestiu a roupa do sargento, e passaram logo após na casa da declarante, vestindo roupa da Polícia Militar; que eles passaram na casa da declarante um dia após os fatos; que eles queimaram a ponte numa 6a feira, atacaram o posto da Polícia Militar no Domingo e estiveram na casa da declarante na 2a feira seguinte; (...)". "Srs. Luiz Martins dos Santos e Zulmira Pereira Neres, (...) que conheceu os seguintes guerrilheiros: Sônia, Nelito, que eram os mais próximos dos declarantes, (...) que a comida foi acabando porque as casas dos lavradores que davam comida, munição e remédio ao povo da mata foram queimadas; que, devido a escassez de alimentos, Nelito disse ao declarante e aos demais lavradores: "nós já estamos no sufoco, se é de morrer vocês, que morra só a gente, porque vocês têm famílias"; que o declarante e os demais lavradores decidiram procurar suas famílias; que, por medo do Exército, o declarante e o povo da mata não podiam atirar, apesar de haver caça passando na frente; que a comunicação era por assobio, sempre através de 3 assobios, e as conversas eram de pé de ouvido; que o declarante matou um tatu com o cano de sua espingarda, o que fez com que os grupo comesse naquele noite, já que o helicóptero não voava durante a noite e se podia fazer fogo; que Nelito repartia sempre tudo o que tinha com os demais integrantes do grupo; que cada pessoa levava um pouco de farinha na boroca; que, quando a farinha acabou, comiam massa de coco de babaçu; que o declarante deu o último fumo que tinha a Nelito e aos demais; que próximo da região de Fortaleza o grupo já estava sem munição quando Nelito disse ao declarante colocar mão em um pau ocado; que no local havia um saco plástico com medicamentos (benzetacil, agulha de cirurgia) e 5 quilos de munição (chumbo, espoleta e pólvora); que o grupo inteiro era constituído de 9 pessoas, sendo que Nelito era o único representante do povo da mata; (...) que o primeiro companheiro a ser interrogado, José dos Santos, que compunha o grupo de Nelito na mata, saiu da casa puxado pela orelha; (...) que, na ocasião do interrogatório, o declarante se lembrou de que Nelito havia mandado dizer a verdade, caso fosse preso, e falou toda a verdade; (...) que na Bacaba soube por um companheiro que o Nelito chegou baleado em um helicóptero; que Nelito estava com uns tiros no peito, e que fizeram uma operação lá na Bacaba, mas Nelito não resistiu; que não sabe se Nelito foi enterrado na Bacaba ; (...)". "Raimundo Nonato dos Santos, vulgo Peixinho, (...) Contou que Pedro Carretel - outro camponês que havia aderido a guerrilha - foi preso por uma equipe que andava com Zé Catingueiro e ferido por um tiro do próprio Zé Catingueiro. Na mesma ocasião, Nelito, outro guerrilheiro, foi naufragado, ou seja, morto. Zé Catingueiro contou para o depoente que Pedro Carretel lhe teria ameaçado de morte quando fosse solto; dessa forma Zé Catingueiro foi reclamar junto ao Comandante, que teria determinado a morte de Pedro Carretel. Não soube informar qualquer lugar de sepultura, pois tudo era mantido em sigilo. A operação que resultou na morte de Nelito e prisão de Pedro Carretel foi comandada pelo capitão Rodrigues. (...). Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes |