
Orlando Momente--
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Militante do PCdoB
Codinome: Orlando de Moura Momente (ou nome como consta nos arquivos da repressão)
Apelidos: Landin, Landinho, Alexandrine.
Cor: branca Altura: 168 cm Idade: 41 anos Sexo: masc. Peso: 70 Kg. Cabelo: preto/liso Barba: preta/cerrada Bigode: preto Sapato: 39/40. Tipo sangüíneo: A Fator Rh: positivo
Data e local de nascimento: 10/10/33, em Rio Claro/SP.
Filiação: Álvaro Momente/ Antônia Ruiglini Momente. Certificado militar: 121 466 - Tiro de Guerra de Rio Claro/SP - 1952. Carteira Profissional: 063 173 série 93ª
Ficha antropométrica: dentes: incisivos superiores largos, canino direito encavalado, prótese móvel superior.
Biografia
"Operário em São Paulo, com grande atuação política junto à sua classe.
Compreendendo a necessidade do proletariado ter um partido independente e revolucionário, optou por ingressar nas fileiras do PCdoBrasil. Devido às perseguições políticas foi residir no interior. Primeiramente no norte de Goiás e posteriormente no sul do Pará, próximo à Transamazônica.
Tinha um gênio alegre e muito criativo. Sabia sair-se com facilidade de situações difíceis. Muito habilidoso e prestativo, conquistava facilmente a simpatia de todos que o conheciam.
Com a criação das Forças Guerrilheiras, ingressou no Destacamento A - Helenira Resende - onde era chefe de grupo.
Com seu espírito arrojado, em algumas ocasiões esteve frente a frente com bate-paus e agentes disfarçados, passando por camponês e dando informações erradas sobre os guerrilheiros, contando para isto com a ajuda de moradores da região que o apresentavam como compadre ou parente.
Está desaparecido desde 1974."
Homenagens:
Nome da antiga Rua 19, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Avenida 1 e término na antiga Rua 1 - Lei nº 9497, de 20/11/97. 94
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: "Os grupos eram cinco. Um chefiado por Osvaldo (que retornou a sua área); outro por J.; outro pelo João; outro pelo Nelito; e o outro pelo Landim. (...)
Dia 30 pela manhã [30/12/73], os cinco grupos tomaram seus destinos. Às 15 horas ouviu-se ruído de metralhadora no rumo em que havia seguido Osvaldo ou Landim. Não se sabe o que houve."
Relatório do Ministério Exército: não possui registros.
Relatório do Ministério da Marinha: - Tratar-se-ia de Orlando Moura Momente, guerrilheiro do PCdoB no Araguaia (período aproximado de 1966 a 1974), morto segundo matéria publicada no Semanário "Movimento" de 03 a 09 Mar 80. Reportagem publicada na revista "Afinal" de 13 Out. 87, com Rosana Momente, filha de Orlando Moura Momente, conclui que ele "desapareceu" no Araguaia. Neste órgão não há dados que comprovem essa versão.
Informações e depoimentos obtidos através da imprensa ou dos familiares:
"Desaparecido em meados de dezembro de 1974. Sua sepultura encontra-se na Paxiba, São Domingos."
No princípio de 1974, no sítio de Luiz Vieira, foi encontrado por Joana Vieira de Almeida, um crânio e um osso (fêmur) ao lado do chapéu que o mesmo usava [de couro de coati curtido, com a cauda, muito particular], o que permitiu a mesma identificá-lo - depoimento de Joana Vieira de Almeida a Criméia Almeida e a equipe de reportagem da revista Manchete, em 1993.
1974 - preso. (Depoimento de Elza Monerat à Comissão de Representação Externa do Congresso).
"Maria Nazaré Ferreira Brito (...)que além de Alice, conhecia também Zé Carlos, Joca, Maria, Luiz, Cid, Mauro, Beto, Regina (esposa do Beto) e Alandrino; (...)".
"Sr. Lauro Rodrigues dos Santos, (...) que a partir do ano de 1970 começou a manter contatos com as pessoas conhecidas como guerrilheiras, a saber, Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa), Zé Carlos (André Grabois, Alice (Criméia Alice Schmidt), dona Maria (Elza Monnerat), Joca (Libero Jean Carlo Castiglia), Luis (Guilherme Gomes Lund), seu Mário (Maurício Grabois), Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zezinho (Marcos José de Lima), Alandrino (Orlando Momente), Cid (Jo ão Amazonas), seu Beto (Lúcio Petit da Silva) e sua companheira Regina (Lúcia Regina de Souza Martins), Goiano (Divino Ferreira de Souza); (...)".
"Sr. Pedro Moraes da Silva, (...) que, oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), com quem o declarante se perdeu no mato, de noite, quando foi buscar um remédio para Sônia, que estava fazendo o parto de seu mãe quando nasceu a Valderice; Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha; (...)".
"Sr. João Vitório da Silva, (...) que morava próximo do igarapé Fortaleza quando conheceu os guerrilheiros Orlando, Zezinho, Toninho, Piauí, Zé Carlos, Sônia, Dina, Regina, Fátima, Rosinha; (...)".
"Srª. Rocilda Souza dos Santos (...) que a declarante e seu marido conheciam Nelito, Rosa, Sônia, Cristina, João Araguaia, Paulo, Edinho, Londrin, Duda, os quais diziam serem guerrilheiros, entretanto o Exército dizia que eles eram terroristas; (...)".
"Sr. Manoel Ferreira, (...)que conheceu Zé Carlos, Piauí, Sônia, Orlando, Zezinho, Luizinho, Fátima, Regina, dona Maria, Mário; que tinha demais amizade com os guerrilheiros, tanto que compartilhava arroz, farinha com eles; que, quando fraturou o braço direito, a Sônia e o Zé Carlos acudiram o declarante, cuidando-o; (...) (...)".
"Sr. Antônio Félix da Silva, (...) que é conhecido na região como seu Tota; que, chegou na Região do Araguaia em 16.07.1972, mais precisamente na região do Caçador; (...); que o declarante foi obrigado a servir de guia para os militares na região de Água Boa, Caçador e Borracheiro, (...); que mostradas as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Zé Carlos, ...; Nelson, Valdir, ... , Beto, Antônio, Orlandinho, que usava um chapéu de macaco da noite com rabo".
"Sra. Adalgisa Moraes da Silva, (...) (...); que um dia estavam em sua casa o João, Valdir, o Beto e o Orlandinho, quando se aproximou um cavaleiro e que a depoente os avisou que era o Tota; que o João pediu licença para se esconderem para não serem vistos pelo Tota; que isto era porque o irmão da Margarida era o detetive conhecido como Nonato e que esse Nonato apontou todos os moradores da região de São Domingos, em outubro de 1973; (...); que os guerrilheiros haviam colocado fogo em uma ponte na Transamazônica, no Município de São Domingos; que a Rosinha, a Sônia, o Nelito, o João Araguaia, o Nunes, o Orlandinho, o Beto, o Alfredo, o Zé Carlos, o Edinho e Valdir e o Zebão colocaram fogo na ponte para impedir que os carros passassem; que eles atacaram um posto da polícia militar e colocaram um soldado para ir à pé até Marabá, vestindo apenas uma cueca, pegaram as armas, as facas, o Alfredo vestiu a roupa do sargento, e passaram logo após na casa da declarante, vestindo roupa da Polícia Militar; que eles passaram na casa da declarante um dia após os fatos; que eles queimaram a ponte numa 6a feira, atacaram o posto da Polícia Militar no Domingo e estiveram na casa da declarante na 2a feira seguinte; (...)".
"Pedro Matos do Nascimento, vulgo Pedro Mariveti (...)Em outra oportunidade o depoente estava na lavoura quando viu e cumprimentou Valdir, Landinho, Beto, Nunes e Alfredo. Mais tarde eles retornaram e disseram que tinham assaltado o Posto Policial. O depoente deixou eles descansarem um pouco e sua casa e depois eles partiram foi a última vez que os viu. (...)".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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