Rodolfo Troiano (Mané)

Rodolfo Troiano--

Militante do PCdoB
Rodolfo de Carvalho Troiano, apelidos: Mané, Manoel, Carlos.
Cor: branca Altura: 170 cm Idade: 24 anos Sexo: masc. Cabelo: cast.claro/liso Barba: ruiva/cerrada. Data e local de nascimento: em 1950, em Juiz de Fora/MG. Filiação: Rodolfo Troiano/ Geny de Carvalho Troiano.

Biografia
"Mineiro do interior, participava ativamente do movimento secundarista, sendo preso na cidade de Rubim e, mais tarde, transferido para o Presídio de Linhares, perto de Juiz de Fora.
Ao ser posto em liberdade, em razão da grande perseguição que lhe moviam os órgãos de repressão, optou por ir viver no interior, indo para a posse Chega com Jeito, próximo ao Brejo Grande.
Devido á sua pouca idade, Mané tinha pouca experiência, não sabia cozinhar, nem lavar suas roupas. No início tudo lhe era difícil, o que lhe valeu o apelido de 'desastrado'. Mas, com perseverança, conseguiu superar estas dificuldades e destacou-se como combatente do Destacamento A - Helenira Rezende.
Está desaparecido desde 1974."

Homenagens:
Nome da antiga Rua Dezesseis, no Bairro Braúnas em Belo Horizonte - Dec. N.º 6392 - 16/09/93 (Rua Viva - Homenagem aos mortos e desaparecidos políticos mineiros - pag. 65).
Nome da antiga Rua 04, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Avenida 03 Cid. Sat. Íris e término na Rua L 48 do Jd. Florence - Lei nº 9497, de 20/11/97.

Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: Em 25/12/73 estava sendo aguardado no acampamento que sofreu o tiroteio neste mesmo dia por volta de 12:00 hs, deveria chegar à tarde, por isto talvez ainda estivesse vivo.

Relatório do Ministério Exército: Filho de Rodolfo Troiano e de Geny de Carvalho Troiano, nascido em 1950, em Juiz de Fora/MG.
Militante do PC do B, utilizava os codinomes "Carlos" e "Manoel", sendo preso em 1969 em São Paulo/SP. Foi condenado a pena de 6 meses de reclusão e recolhido a Penitenciária de Juiz de Fora/MG, de onde foi libertado em 09 Out. 70.
Deixou o Brasil, viajando para o Uruguai e Argentina.[falso]

Relatório do Ministério da Marinha: Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá.
- Morto em 12 Jan. 74.

Relatório do Ministério da Aeronáutica: teria sido guerrilheiro no Araguaia com o codinome de "Manuel" (identificado no depoimento de Elza de Lima Monerat, em Jan. 77, a militante do PC do B que deslocou para a região do Araguaia a maioria dos que ali se encontravam).
Neste órgão não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP:
Fichas entregues ao Jornal O Globo, em 1996: "Manoel" (?) - morto em 12 Jan 74.

Informações e depoimentos
Obtidos através da imprensa ou dos familiares:

"Desaparecido em meados de janeiro de 1974. Deve ter sido morto ou capturado na região da Água Branca."
"Srs. Luiz Martins dos Santos e Zulmira Pereira Neres, (...)que cerca de 10 dias após a soltura do declarante, este foi com sua esposa para sua antiga residência no Tabocão; (...)que, pouco tempo depois, viu a chegada, na sua casa de João Araguaia, Manoel e Sebastião, adolescente, sobrinho dos declarantes e filho do Zé dos Santos; que João Araguaia e Manoel lhe disseram que tinha vindo entregar o Sebastião para a família; que Sebastião voltou à mata para buscar os seus pertences, enquanto que a declarante foi chamar seu marido e Zé dos Santos; que, quando a declarante voltou com seu marido e Zé dos Santos, eles conversaram com Manoel e João Araguaia; que Manoel tinha aparência amarela, magro e dentuço; que João Araguaia tinha mesma aparência de antes: forte, trajando bermuda jeans, sem camisa, portando metralhadora e um revólver 38 na cintura; que o declarante ouviu de João Araguaia que este tinha responsabilidade para com o menino Sebastião e por isso estava voltando para entregá-lo à sua família; que Zé dos Santos nem esperou Sebastião, disse que iria ao Brejo Grande pegar um carro para ir até a c avisar aos militares que seu filho havia voltado, já que sabia que este seria preso caso não informasse; que ao chegar na Sebastião, Zé dos Santos contou a história e voltou logo com 2 equipes de 12 soldados até a casa dos declarantes no Tabocão; que os militares interrogaram Sebastião e, no dia seguinte, às 4 horas da manhã, com lanternas acesas foram para a mata, levando Sebastião; que, por volta das 6 ou 7 horas da manhã, os declarantes ouviram rajadas de tiros e, logo em seguida, 2 tiros separados; que, em seguida, chegou um soldado de volta da mata, pedindo uma rede; que os declarantes deram-lhe a rede; que, em seguida, os militares e Sebastião voltaram da mata, carregando a rede com um corpo envolto em um saco plástico azul; que os militares jogaram a rede na frente à casa dos declarantes, como se joga um porco, e chamaram Zé dos Santos para cavar a sepultura; que Zé dos Santos cavou a sepultura a 5 metros da frente da casa de seu cunhado, próximo a um tronco grosso caído; que os militares e Sebastião falaram aos declarantes que foi Manoel quem foi morto; que a declarante ainda pediu que abrissem o saco azul para ver o corpo, mas os militares não deixaram; que os militares e Sebastião contaram aos declarantes que após a rajada de tiros, esperaram a fumaça de pólvora subir um pouco e foram fazer a busca; que eles encontraram sangue no chão e foram seguindo o seu rastro; que ao chegarem em um pau atravessado na mata, constataram que Manoel estava deitado em baixo do pau com um tiro nas costas, à altura da cintura, mas ainda vivo; que um dos militares pegou sua FAL, apontou para a cabeça de Manoel, e deu dois tiros; que um dos militares que carregava o corpo de Manoel disse: essas pragas ruins não comem mas é pesado. De vez de nós estar na cidade numa boa, estamos aqui carregando uma desgraça dessa; que, quase ao mesmo tempo da chegada do corpo, chegou também um helicóptero; que os militares roçaram um momonal para o helicóptero poder aterrissar entre a casa da mãe da declarante e do seu irmão; que os militares levaram no helicóptero os pertences dos guerrilheiros; (...)".
"Sr. Agenor Moraes Silva, (...) que havia um outro grupo, integrado pela Cristina, João Araguaia, Manoel e Regina, entre outros; (...)".

Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes