Rosalindo se Sousa (Mundico)

Rosalindo--

Militante do PCdoB
Rosalindo de Sousa, apelido Mundico.
Cor: Altura: cm Idade: 32 anos Sexo: masc. Data e local de nascimento: 02/01/40, Caldeirão Grande/BA. Filiação: Rosalvo Cypriano Sousa/ Lindaura Correia de Sousa. RG: OAB: 2 950/BA.

Biografia
"Em 1957, iniciou o curso científico no Colégio Antônio Vieira, em Salvador, interrompendo-o em 1959 para o serviço militar no Quartel do 19o BC como soldado de Artilharia. Em 1961, volta a residir em Itapetinga, assumindo as funções de Diretor da Secretaria da Câmara Municipal. Retorna mais tarde a Salvador onde conclui o Curso de Contabilidade no Instituto Valença e ingressa na Escola de Direito do UFBa. Nessa época, era também escriturário do Intituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários (IAPC) e estava à disposição do Ministério da Educação e Cultura (MEC), como secretário do Serviço Intensivo de Preparação de Mão de Obra.
Militante ativo do movimento estudantil, em 1968 foi eleito presidente do Diretório Acadêmico de sua escola e em função disto, em 1969 é impedido arbitrariamente de se matricular no 4º ano da Faculdade.
Transfere-se para o Rio de Janeiro e termina o curso na Faculdade Cândido Mendes. Terminado seu curso, retorna a Itapetinga, inscreve-se na OAB/Ba e instala seu escritório de advogado. Nessa mesma época, foi denunciado, juntamente com alguns estudantes, pela Auditoria Militar, sendo posteriormente condenado à revelia a 2 anos e 2 meses de reclusão.
Em abril de 1971, foi residir no Araguaia, na região de Caianos. Visava, dessa forma, continuar a luta que havia iniciado na Bahia contra o terrorismo dos generais que estavam no poder.
Gostava de fazer cordéis, sendo de sua autoria um que fala dos 27 pontos defendidos pelos guerrilheiros. Esse cordel era recitado pelos camponeses da região.
Morreu em setembro de 1973, na guerrilha do Araguaia, vítima de um acidente com sua própria arma."

Homenagens:
" Nome da antiga Rua 05, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Avenida 03 Cid. Sat. Íris e término na Rua 17 - Lei nº 9497, de 20/11/97.
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.

Relatório Arroyo: "...acontecimentos negativos ocorreram também em setembro: a morte de Mundico, do C, por acidente com a arma que portava..."

Relatório do Ministério Exército: Filho de Rosalino Cipriano de Souza e de Lindaura Corrêa de Sousa, natural de Caldeirão Grande/BA.
Advogado, militante do PC do B, participou da guerrilha do Araguaia, atuando no Grupo de Apoio na região de Pau Preto. Consta que teria sido morto no dia 16 Ago. 73, em combate com as forças de segurança.

Relatório do Ministério da Marinha: Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá.
- Morto em Set. 93 [ou 73?].

Relatório do Ministério da Aeronáutica: militante do PC do B e guerrilheiro no Araguaia. Dado como morto por documento do Comitê Brasileiro pela Anistia, datado de Nov. 79 e segundo declaração do Dep.Fed. José Genoino, publicada na F. de São Paulo, 26 Jun. 78. Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão.

Arquivos do DOPS/SP:
Fichas entregues ao Jornal O Globo, em 1996: "Mundico"
- tem dossiê na 6 ª RM
- é bacharel pela Fac. Direito UFBa
- foi amante de Sara Silva.
- na área foi Sub Cmt do Dest. C.
- foi justiçado pelos companheiros em 16 Ago. 73.
- suicidou-se segundo Tobias Pereira Jr.

Informações e depoimentos
Obtidos através da imprensa ou dos familiares:

"Um coronel que serviu no Centro de Informações do Exército, que controlava o porão militar do país na época, dispõe da informação de que um militante do PC do B foi assassinado pelos próprios companheiros de partido porque queria ir embora daquele inferno. Era o advogado baiano Rosalindo de Souza, o 'Mundico', 33 anos. Segundo a versão pública do PC do B, Souza acidentou-se com a própria arma, hipótese da qual até seus familiares duvidam. "Acho muito estranho falar em acidente de armas com o Rosalindo, pois todo mundo sabe que ele tinha muita experiência como caçador e era um exímio atirador",afirma hoje seu irmão, José Antônio de Souza, auditor fiscal em Ilheus. "Mas, se dizem que houve acidente, temos de acreditar."
"As anotações levantam duas hipóteses que não existiam para a morte de Rosalindo de Souza, o Mundico. Na ficha 77 está escrito que ele foi 'justiçado pelos companheiros' em 16 de agosto de 73, mas, em seguida, aparece a frase: 'suicidou-se, segundo Tobias Pereira Jr.'. Em outro relatório de 1992, do Exército, Mundico foi 'morto em combate com as forças de segurança' em 16 de agosto. Segundo o relatório de Ângelo Arroyo, dirigento do PC do B e único sobrevivente da terceira campanha da guerrilha - só morreu em 1976, em São Paulo no chamado 'massacre da Lapa'- Mundico morreu em setembro de 73, 'por acidente com a arma que portava'. Tinha 33 anos".
Parece que sua morte não teria sido acidental, teria sido assassinado por um bate-pau. (Depoimento de Elza Monerat à Comissão de Representação Externa do Congresso.)

"Sinésio Martins Ribeiro (...) que quando ainda estava preso no curral da base de Xambioá, viu a cabeça do Mundico; que isto se deu entre agosto e setembro, porque as roças ainda não tinham sido queimadas; que quem descobriu a sepultura foi o João do Buraco, proprietário do local onde estava enterrado o Mundico; que o Mundico era conhecido do João do Buraco; que as terras do João do Buraco, localizadas perto das terras dos GALEGOS, eram freqüentadas pelos guerrilheiros; que João do Buraco ajudava os guerrilheiros; que João do Buraco ao ser preso pelo Exército, mostrou a sepultura; que o Exército não havia travado combates neste local; que por isso o Exército disse que foram os guerrilheiros que mataram o Mundico; que o Exército chegou lá por volta de 4 ou 5 dias após; que o Exército cavou o buraco, cortou a cabeça, e enterrou novamente o corpo; que a cabeça foi levada para a base e mostrada aos presos para reconhecimento; a cabeça estava meio destruída, o cabelo solto; que João do Buraco reconheceu o Mundico; que os documentos estavam com o morto; que a cabeça do Mundico ficou exposta uns dois dias perto do barracão do Exército; que ele acha que essa cabeça foi enterrada perto de um pé de jatobá que ficava perto da base; que o João do Buraco apanhou muito na base do Exército em Xambioá; (...)".

 

Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes