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Militante do PCdoB
Suely Yumiko Kamaiana
Apelidos: Sueli, Chica.
Cor: amarela Altura: baixinha Idade: 25 anos Sexo: fem. Cabelo: preto/liso. Data de nascimento: 25/05/48, Coronel Macedo/SP. RG: 4 134 859
Biografia
"Em 1967, concluiu o curso colegial no Colégio Albert Levy, ingressando em seguida na USP, onde fora aprovada em 17º lugar no vestibular para Licenciatura em Línguas Portuguesa e Germânica. Engajada no movimento estudantil desde essa época, freqüentava com regularidade as aulas, sempre conseguindo média para ser aprovada nos finais de semestre.
Em 1968 e 1969, além do currículo normal, cursou, como cadeira opcional, Língua Japonesa.
Matriculou-se pela última vez na USP, em 1970.
Em fins de 1967 e nos anos que se seguiram, com as principais lideranças estudantis perseguidas na clandestinidade ou no exterior, novas lideranças se faziam necessárias. Sueli foi uma delas.
Chegou à região do Araguaia em fins de 1971, sendo uma das últimas a chegar. Seus companheiros muito se preocuparam, pois apesar de segura de suas convicções políticas, era "muito baixinha e magrinha". Foi grande a satisfação dos companheiros quando a viram aprender rapidamente a trabalhar como lavradora, relacionado-se com a população das redondezas, a andar na mata, com sua mochila de 20Kg às costas, a caçar e enfrentar todos os obstáculos.
No início do ano de 1974, cercada por uma tropa do Exército, recusou-se à rendição, sendo metralhada. Seu corpo foi perfurado por mais de 100 balas de grosso calibre. Foi uma das últimas a ser colocada fora de combate. Morreu aos 25 anos, dos quais 3 dedicados à guerrilha, em defesa da causa que acreditava justa - a liberdade."
? "Além desses dados, pouco mais se sabe de sua vida, uma vez que até mesmo seus familiares, inclusive seu irmão, localizado por nós, recusam-se a lembrar e falar dela, e mesmo seus pais, já não se encontram mais em São Paulo
Tudo o que se referia a Suely Yumiko parece ter sido apagado, nem mesmo seus documentos na faculdade se pode encontrar, além dos pedidos de matrículas e que era portadora de identidade RG - 4.134.859, mas o espaço para a fotogragia está em branco."
? Pertencia ao Destacamento B da guerrilha e morava na região de Gameleira.
" Homenagens:
" Nome da antiga Rua 06, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Rua 18 e término na Rua I 48 do Jd. Florence - Lei nº 9497, de 20/11/97.
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroio: Talvez ainda estivesse viva porque havia saído junto com José Maurílio Patrício, antes do dia 25/12/73, para buscar Cilon e José Lima Piauhy. Nunca mais foram vistos.
Relatório do Ministério Exército: sem dados de qualificação, nascida no dia 25 Mai. 48, em Coronel Macedo/SP.
Militante do PC do B, utilizava o codinome "Chica", chegou a região do Araguaia em fins de 1971.
Em 1974, cercada pelas forças de segurança, foi morta ao recusar sua rendição.
Relatório do Ministério da Marinha: - Mai./73 - foi indiciada em IPM, por envolvimento com atividades do PC do B em São Paulo.
- pertencia ao grupo Gameleira/Dest.B. Era auxiliar do setor de saúde e tinha como chefe João Carlos Haas Sobrinho ("Juca"). Fez parte do grupo de observação, no treinamento de emboscadas. Fez treinamento de tiro, deslocamentos através do campo e sobrevivência. Era péssima nos deslocamentos, onde perdia noção de orientação. Codinomes: "Cabloca", "Chica", "Vera", "Tuca".
-Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá.
- Morta em Set.74.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B, guerrilheira no Araguaia. Desaparecida na região do Araguaia. Segundo declaração do Dep. Fed. José Genoino, Sueli teria sido morta no Araguaia (Folha de São Paulo, 26 Jun. 78). Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP: tem informações sobre sua militância, sem referências as atividades no Araguaia ou sobre sua morte.
Informações e depoimentos
Obtidos através da imprensa ou dos familiares:
"A morte de Suely, uma nissei paulistana que no ano de 1967 cursava Letras na USP, foi uma perda especialmente sentida pelo grupo. ...Sueli morreu perfurada por mais de 100 tiros, o que chegou a chocar os próprios militares que receberam o corpo na base de Xambioá.
Talvez seja sobre ela a referência do senador Jarbas Passarinho, numa entrevista ao semanário Movimento, ...". [Não deve ser ela porque o senador se refere a uma loira, parteira, mais provável que seja a Luiza Garlippe, ou mistura de dados para confundir].
"Tinha uma japonesa também que era bastante audaciosa. Teve uma morte muito violenta, ela recebeu mais de 100 tiros. Houve um encontro com o pessoal do Exército, houve muita troca de tiro e ela ... Eu vi quando o corpo dela chegou ... estava uma peneira, mas era uma peneira mesmo, coitada!"
"... cercada por uma tropa do Exército e ao se recusar à rendição, Suely Yumiko seria fuzilada com uma rajada de metralhadora que produziu mais de 100 perfurações no seu corpo. O fato que foi assistido pela população, chocaria até os soldados do Exército", segundo depoimento de José Genoino Neto."
"O seu corpo, assim, como o de todos os outros guerrilheiros que foram enterrados na região de Xambioá, já não se encontram lá. Os restos foram retirados e levados para local desconhecido, como se significasse a necessidade de fazer esquecer à memória da população do Araguaia, os anos de resistência em defesa dos 27 pontos da União pela Liberdade e pelos Direitos do Povo.
José Genoino Neto, ... contava-nos ... que, conversando com a sua mãe (dela), a senhora Emi, que reside no sul do país, disse que ouviu um emocionate depoimento.
Ao relatar toda a história da guerrilha do Araguaia e finalmente tomar conhecimento do que realmente a sua filha Yumiko acreditava, ela diria que "estava muito feliz em saber destas coisas." Apesar de toda a sua dor, concluiu que "estava aliviada e contente por saber que ela tinha morrido feliz, pelo que sempre acreditou".
Suely Yumiko, 4 anos após a morte tinha sido compreendida, senão pela família toda, pelo menos pela sua própria mãe, que apesar de não ter recebido quase nenhuma notícia de sua filha desde o início de 1971 - somente boatos de que sua filha teria se tornado prostituta - guardava a confiança até aquele momento do encontro com Genoino Neto."
"... O outro [livro] está previsto para sair em junho, no Japão, com base nos levantamentos feitos pelo antigo correspondente do jornal "Asahi Shimbun", Hitoschi Kozato, no ano passado, numa edição que enfocará outros assuntos relativos à America Latina. Antes, o jornal japonês publicaria num suplemento especial, relembrando a guerrilha, a vida de um estudante latino-americano, Dower Moraes Cavalcante, que participou da atividade política armada contra o regime militar. A história da morte de Suely, conta o médico, impressionou o repórter japonês, porque quando ela foi capturada e torturada para revelar os nomes de seus companheiros e estratégias, retirou um revólver escondido na sua roupa e atirou contra o oficial, atingindo-o no ombro, sendo imediatamente alvejada com mais de cem tiros de metralhadora."
? "Suely Yumiko Kanayama, 25 anos, militante do PC do B que se instalou no Araguaia em 1971, havia sido morta no final de 1974. Seu corpo estava enterrado num local chamado Bacaba, onde, sob a coordenação do Centro de Informações do Exército, CIE, foram construídas celas e se interrogavam os prisioneiros. Durante a operação limpeza, sua cova foi aberta e o corpo de Suely, desenterrado. Intacto, sem roupa, a pele muito branca, não apresentava nenhum sinal de decomposição. Apenas marcas de bala. Um militar tentou erguer o cadáver com uma pá, mas ele escorregou. Tentou de novo. A mesma coisa. Mais uma vez. O corpo de Suely voltou para a cova. Irritado, o militar deu um grito impaciente. "Se não quer vir por bem, venha aqui, nos braços do papai." Saltou para dentro da cova, abraçou-se ao cadáver e o trouxe para cima. Desenterrado, o corpo de Suely foi colocado num saco plástico e levado até um helicóptero, que o transportou para um ponto ao sul da Serra das Andorinhas, a 100 quilômetros de distância, embaixo de uma palmeira frondosa. Ali, alguns brasileiros fizeram uma pilha de cadáveres de outros brasileiros, também desenterrados de suas covas originais. Cobertos com pneus velhos e gasolina, foram incendiados. (...)
Quem conta essa história sinistra não é um comunista disposto a atacar as Forças Armadas. É um coronel da Aeronáutica, Pedro Corrêa Cabral. Ele também não conta histórias que ouviu dizer. Cabral esteve no Araguaia, era piloto de helicóptero. Ele mesmo transportou os cadáveres e os viu arder, sentiu o cheiro acre de carne humana queimada. (...)"
"...Napoleão Sabino de Oliveira ... ex-mecânico de vôo do Douglas prefixo 2502 da FAB, um avião de passageiros modificado para facilitar o transporte de tropas, ...
Durante os anos em que permaneceu na Aeronáutica, Napoleão ouviu muitas histórias sobre mortes, relatadas por companheiros de farda. "Falavam até em assassinatos de camponeses", assegura. ... e cremação do corpo de uma mulher, participante da guerrilha do Araguaia. "Era uma enfermeira japonesa, observa."
"Não esconde a emoção quando lembra de Sueli Kanaiama, uma guerrilheira com quem viveu um amor platônico nos dois anos em que viveu no Araguaia. ...
Ela inha um cabelo liso, preto, bem comprido. ... Depois, na cadeia, soube que ela tinha sido morta com mais de cem tiros. Foi horrível - conta, emocionado."
Seus restos mortais foram exumados por estranhos.
Foi morta - depoimento de Dª Socorro, moradora em Xambioá, em julho/96.
"Sr. Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, (...)que dos guerrilheiros, o declarante conheceu Zé Ferreira, Mariadina, Tuca, Lia, Chica, João Goiano e Osvaldão, que conheceu como mariscador (caçador), e outros cujos nomes não se recorda; (...)que a turma que estava com Osvaldão era Mariadina, Tuca, Chica, Lia e o filho do Seu Américo e outras pessoas;(...)".
"Pedro Matos do Nascimento, vulgo Pedro Mariveti (...) Quando estava preso na Bacaba, conversou com Babão, que era um guia do Exército, que disse que haviam matado o Ari e cortado a cabeça dele. O Babão disse ainda que na cabeceira da pista de pouso na Bacaba haviam ocorrido vários sepultamentos. Lembra de Babão ter dito que Nelito e uma japonezinha estariam enterrados lá. (...)".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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