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Militante do PCdoB
Codinome:
Apelidos: Josias.
Cor: Altura: Idade: 24 anos Sexo: masc. Peso: Kg
Cabelo: Barba: Bigode: Sapato:
Tipo sangüíneo: Fator Rh:
Data e local de nascimento: 26/11/49, Estado da Guanabara.
Filiação: Tobias Pereira/ Emília Barreto Pereira.
RG: 2 278 168, expedida em 04/10/67, pelo Instituto Félix Pacheco.
Biografia
"Era estudante de Medicina e residia no Rio de Janeiro.
Posteriormente transferiu-se para a região do Araguaia, incorporando-se às Forças Guerrilheiras do Araguaia.
Está desaparecido desde 1974."
Homenagens:
" Nome da antiga Rua 11, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Avenida 03 Cid. Sat. Íris e término na Rua 17 - Lei nº 9497, de 20/11/97. 94
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69. Parte II.
? Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: "Logo de início, alguns elementos mostraram vacilação: Miguel [?] e Josias [Tobias Pereira Júnior]." 31A
- "Entre 17 e 18 de dezembro, Josias fugiu perto de uma base do inimigo". 17
Relatório do Ministério Exército: Filho de Tobias Pereira e de Emília Barreto Pereira, nascidos em 26 Nov. 49, no Rio de Janeiro/RJ.
Militante do PC do B, utilizava os codinomes "Marcos", "Sérgio", "Josias", "Jonas" e "Isaias", atuando no Destacamento C da Guerrilha do Araguaia.
Relatório do Ministério da Marinha: - Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá.
- Morto em 15 Fev. 74.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B dado como desaparecido ou morto no Araguaia por diversas publicações da imprensa e de entidades de Direitos Humanos. Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP: tem informações, sem referências as atividades no Araguaia, ou sobre a morte.
Fichas entregues ao Jornal O Globo, em 1996: "Isaias"- "Josias"- "Marcus" - "Sérgio" - PC do B/Pa
" filho de Tobias Pereira e Emília Barreto Pereira, natural da GB (26 Nov. 49)
" em 1971 - 3° ano de Medicina
" Foi citado por Douglas Alberto Milnes Jones
" integra o Dest. C
" foi preso em 18 Dez 72 na região do Rio Gameleira
" na casa do Zezão.
[ se este dado for verdadeiro, pode ter servido de guia (cachorro), segundo o Relatório Arroyo, no dia 17 ou 18/Dez/73, fugiu, estava próximo de uma Base Militar. Deve ser o Acampamento de São Raimundo].
Informações e depoimentos obtidos através da imprensa ou de familiares:
? "Ainda assim, alguém se disporia a dar o seu depoimento. E mencionando ainda mais inúmeros guerrilheiros que foram pegos vivos e feitos prisioneiros. José da Luz Filho, lavrador, que teve seu pai preso durante sete meses em Marabá, contou que:
Conheço o Nelito, Cristina, Piauí, Edinho, Duda, Valdir, Manoel, Mário, Zé Carlos, Daniel, Paulo, Dina, Sônia, Josias, Nilo. Eles quase não sabiam trabalhar. Ensinei eles a fazer tudo, e trabalhei muito pra eles. Eles andavam muito, pra cima e pra baixo.
Quando o Exército chegou a 1a vez, matou a Fátima. Ela está enterrada a 100 metros das "oito barracas".
O Zé Carlos e o Seu Antônio e um outro morreram também. Eles estavam matando um porco e quando colocavam a carne nas matulas foram metralhados pelas costas. O guia que acompanhava a patrulha era o Ranu, foi o próprio Ranu que me contou ...
O Velho Mário morreu quando comia carne de sol, encostado numa árvore. Todos os que estavam com ele morreram também. Foi na Barra das Andorinhas.
Pegaram a Rosinha e levaram ela pra Bacaba. A Cristina e o Nelito foram presos e levados pra Bacaba. O Josias se entregou em São Geraldo. O Duda também foi entregue em São Geraldo. Depois o Piauí se entregou também. O João Araguaia também se entregou na casa da minha madrinha Nazaré Rodrigues de Souza. O Exército ficou com eles vivos...
José da Luz Filho explicaria ainda que o 'se entregar' consistia na busca de contato com lavradores, que estavam com suas casas guarnecidas por tropas. De todos os citados, propriamente apenas 'Duda' talvez haja realmente se entregado ao Exército.
(...)
Mas de tantas interrogações, uma deixou-nos varados de angústia. Onde estão os que foram presos, vivos? Dina, Áurea, Daniel, Rosinha, Lia, Nelito, Cristina, Josias, Duda, João Araguaia, dezenas talvez, onde estão?" 15
? "O estudante carioca Tobias Pereira Júnior, o Josias, o mais citado como fonte de informação dos militares, foi preso, segundo a ficha número 82, em 18 de dezembro de 1972, na região do Rio Gameleira. Um relatório resumido - apenas com as datas das mortes - encaminhado à Comissão de Assuntos Externos do Senado em 1992 pelo Ministério da Marinha registra que Tobias foi morto em 15 de fevereiro de 74, aos 25 anos de idade - um ano e dois meses após o dia em que teria sido preso pelos militares." 57
? "As anotações dos militares confirmam uma suspeita da cúpula do PC do B: a de que o Exército usou o guerrilheiro Tobias Pereira Júnior - que consta da lista oficial dos desaparecidos - para identificar e localizar os companheiros. O diário não esclarece se Tobias, que usava o codinome Josias, foi torturado ou se a colaboração foi espontânea, mas uma data anotada em sua ficha pode esclarecer muita coisa: ele teria sido preso em 18 de dezembro de 1972. Mas segundo o relatório do dirigente Ângelo Arroyo, Tobias teria desertado somente um ano depois, quando "fugiu perto de uma base do inimigo". Se Tobias realmente foi preso em 72, pode ter feito um acordo com os militares para ser solto e atuar como um agente infiltrado na guerrilha.
Ele aparece como a fonte das informações em oito fichas. A observação 'está na área' é atribuída a ele nas fichas de Elmo Corrêa, morto em maio de 1974, Guilherme Gomes Lund (25 de dezembro se 1973); Telma Regina Cordeiro Corrêa (janeiro de 1974); e João Carlos Wisnesky, que abandonou a guerrilha e mora no Rio Ele informou também que João Amazonas não estava na região e que Rosalindo Souza, o Mundico, se matara. (...) ... identificou Pedro Alexandrino de Oliveira Filho, o Peri, morto em agosto de 74.
O militar responsável pelas fichas disse ao Globo que não interrogou Tobias e não acredita que ele tenha morrido no Araguaia. Em 93, um ex-soldado do Exército contou a amigos da ex-guerrilheira Elza Monnerat que vira o corpo do estudante num matagal. Segundo Elza, o ex-soldado contou que teve um choque ao ver o corpo de Tobias, que teria sido seu amigo. Segundo o relatório da Marinha, ele foi morto em 15 de fevereiro de 74.
A mãe e a irmã de Tobias, que moram no Rio, se recusam a falar do caso. No cartaz dos desaparecidos da guerrilha, feito pelo PC do B, Tobias é um dos poucos que não têm sequer uma foto." 57
? Foi preso em casa de camponeses, em São Geraldo - depoimento de José da Luz Filho. 15
? Luzinete se refere a um guerrilheiro que era estudante de medicina, foi preso e trabalhava na farmácia do acampamento militar de São Raimundo. Foi preso bem magro, mas depois ficou forte. Não sabe que fim teve e não o reconheceu nas fotos mostradas [Obs.: não temos fotos do Tobias] - depoimento em julho/96.
" Conheci o Tobias, que usava o codinome Josias, e pessoas que mais se aproximaram, como o Antônio - que era um geólogo - a Dina, o Zé Francisco, esses eu conheci ali. O Dower (codinome Domingos) foi meu grande amigo da guerrilha. Os outros eu conheci nas refregas, como o Carlito, o Mundico, etc.
(...)
O Josias - um cara alto e forte - saiu correndo, mas foi atingido pelas balas, caiu gemendo e se esvaindo em sangue. O Paulo - se não me engano, comandante do destacamento da Gameleira - também morreu assim. Aquela informação do Ângelo Arroio de que o Josias fora um dedo-duro e que apontara os companheiros é equivocada. Josias não tinha conhecimento da realidade do local e, por isso, não poderia sair apontando.97
" "Sinésio Martins Ribeiro (...) que foram pelo informe de Josias, guerrilheiro que tinha se entregado para o pessoal da base de São Raimundo; que o depoente conhecia o Josias, o Chicão, o Ari, Osvaldão, Valquíria, Jaime, Áurea, desde antes da guerra; que o Josias, falou como fez para se entregar; que fingia estar com dor de barriga para se afastar dos guerrilheiros e fugir; que os guerrilheiros desconfiaram dele e ficavam vigiando até que uma vez conseguiu fugir e se entregar; que o Josias, entregou um local na mata que era ponto de encontro dos guerrilheiros, caso se perdessem após algum tiroteio com o Exército; que quem levou os guias ao local foi o próprio Josias; que ao se aproximar do local ele apontou com o dedo e voltou; que nesse instante o Jaime atirou dois tiros e errou e que não atirou mais porque a bala engasgou na arma; que a seguir a equipe atirou muito que a mata ficou cheia de fumaça; (...)". 136
"Pedro Ribeiro Alves, (...) conhecido como 'Pedro Galego', (...)que o declarante se recorda de haver visto no acampamento do Exército em Xambioá os guerrilheiros Batista, Áurea, Simão, Josias; que todos estavam vivos e acompanhados de soldados; (...)".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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