Uirassu Assis Batista (Valdir)

Uirassu--

Uirassu Assis Batista
Codinome: Valdir da Costa Lima
Apelidos: Valdir, Batista..
Cor: branca Altura:170 cm Idade: 22 anos Sexo: masc. Peso: Kg
Cabelo: preto/liso Barba: Bigode: Sapato:
Tipo sangüíneo: Fator Rh:
Data e local de nascimento: 05/04/52, Itapicuru/Ba
Filiação: Francisco de Assis Batista/Aidinalda Dantas Batista
RG:
Carteira de habilitação:
Alistamento militar:
Ficha antropométrica:

Biografia
"Teve grande participação no movimento estudantil secundarista. Perseguido, por sua atuação política, foi para o interior indo residir na localidade denominada Metade. Apesar de muito jovem, demonstrou grande capacidade de adaptar-se às novas condições. Com seu gênio alegre, cativou facilmente a amizade dos companheiros e moradores da região; freqüentava todas as festas da vizinhança, onde gostava de dançar e participar das brincadeiras.
Após os ataques das Forças Armadas, ingressou no Destacamento A das Forças Guerrilheiras do Araguaia.
Está desaparecido desde 1974." 17
Homenagens:
" Nome da antiga Avenida 01, na Vila Esperança, em Campinas, com início na Div. Do loteamento e término na Divisa do Loteamento - Lei nº 9497, de 20/11/97. 94
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
? Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69. Parte II.
? Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.

Relatório Arroio
30/12/74 - estava vivo.
Relatório do Ministério Exército: Filho de Francisco de Assis Batista e Aidinalda Dantas Batista, nascido no dia 05 Abr. 52, em Itapicuru/BA.
Militante do PC do B, utilizava os codinomes "André", "Sussu" e "Valdir", integrando o grupo de jovens deslocados pelo Partido para a região do Araguaia.
Relatório do Ministério da Marinha: - Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá.
Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B, guerrilheiro no Araguaia. Dado como morto por seu irmão Ubirajara Dantas Batista e por entidades defensoras dos Direitos Humanos. Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP:
Fichas entregues ao Jornal O Globo, em 1996: Valdir da Costa Lima (falso) Uirassu Assis Batista (quente) - "Valdir"
- identidade ignorada
- citado por Danilo Carneiro e Pedro de Albuquerque Neto
- ainda não localizado
- integra o Dst B
- é da Bahia
- atuou com Custódio Saraiva Neto, no ME da Bahia
- morto em 11 Jan. 74 em Brejo Grande, próximo a (...), pela eqp (...) [esta informação está riscada].
[está escrito Morto na ficha e riscado].

Informações e depoimentos
O btidos através da imprensa ou dos familiares:
É citado por JMS na reportagem de Fernando Portela, estava vivo. "Conheci o "Nelito", a "Cristina", o "Duda", o "Antônio", o "Nilo", a "Rosinha", o "Zé Carlos", o "Lino", o "Waldir", o "João Araguaia", a "Fátima", a "Sônia"e o "Edio". Eles convidavam o povo para a libertação. ...Nelito e Zé Carlos foram mortos na localidade do Caçador, pegaram o Édio vivo, o Duda teve a perna quebrada; a Rosinha eu vi ser presa, encontrei-a na Vila São José e ela pediu para a gente rezar por ela, pra não morrer."(Depoimento de Maria Raimunda Rocha). 13
? "Na ficha de Uirassu de Assis Batista, o Valdir, a informação da data de sua morte, 11 de janeiro de 74, em Brejo Grande, foi posteriormente riscada a caneta. O relatório da Marinha diz que ele foi morto em abril de 74". 57
? "...outras três mortes são registradas nas 54 fichas individuais, nas quais os arapongas do Exército concentravam os dados sobre cada suspeito de integrar a guerrilha. São de Jana Moroni Barros (11 de fevereiro de 74), Uirassu Assis Batista (11 de Janeiro de 74) e João Aquino Jaime (17 de janeiro de 74), [João Goiano - Vandick Reidner Coqueiro] que não é identificado pelo comando do PC do B. Na ficha de João Aquino, está anotado que ele foi morto pela equipe C11, provavelmente um dos grupos de agentes do CIE que passaram a combater a guerrilha na terceira campanha (de outubro de 73 a janeiro de 75). (...)" 58
? "A informação de que Uirassu Assis Batista havia sido morto em 11 de janeiro - "em Brejo grande, próximo à Transamazônica"- pela equipe A1 foi riscada a caneta." 58
? Foi dos últimos a serem presos. Eu vi o Valdir e o Beto, presos no helicóptero. Eles fingiam que não conheciam a gente e baixavam os olhos - depoimento de Adalgisa Morais da Silva, julho/96.
" "Seu Antônio, por sua vez, não esquece do dia em que um helicóptero do exército tirou com vida, os últimos três guerrilheiros capturados na região: Valdir, Beto e Antônio foram presos e transportados no dia 21 de abril de 1974, ironicamente, o dia de Tiradentes.
(...)
Seu Tota (...) servi como guia do Exército, não podíamos falar nada, nem pras nossas esposas. Eu vi quando pegaram o Valdi, o Beto e o Antônio e levaram embora num helicóptero. Eles estavam vivos e o Valdi com um "lexo"(ferida em estado grave) [ferida de leischimaniose] na perna, que não podia nem andar. Mesmo assim ele ouvia uma música num rádio que tocava e alegre batucava com a perna, mesmo sabendo que ia morrer. Foi no dia 21 de abril de 1974, recorda em voz baixa.
? "...que "Valdir" e "Zé Carlos" foram capturados na região do Saranzal; que "Valdir" tinha um hematoma na perna e era conduzido por "Zé Carlos" ; que viu "Valdir" e "Zé Carlos" ao passarem por sua casa presos por Nonato, com destino à Bacaba; que "Zé Carlos", parece, era marido de "Dina", uma moça morena, que exercia um cargo elevado na Vale do Rio Doce na Bahia; que possivelmente "Zé Carlos" era um ex-terceiro-sargento do Exército no Rio de Janeiro..." 83
[Essa historia está um pouco confusa; as informações parecem corretas mas com erro de datas e troca de algumas pessoas - provavelmente o Zé Carlos a que ele se refere seja o Beto - Lúcio Petit da Silva]
? "Desaparecido, segundo moradores da região, no dia 21 de abril de 1974, juntamente com Lúcio (Beto) e Antônio Alfaiate. Preso, provavelmente levado para Bacaba." 91
" "Sra. Margarida Ferreira Félix, (...)que no dia 21 de abril de 1974, os três últimos guerrilheiros foram presos na casa do Manezinho das Duas, quando eles vieram pedir um pouco de sal; que os guerrilheiros eram o Beto (Lúcio Petit da Silva), Antônio (Antônio Ferreira Pinto) e Valdir (Uirassu de Assis Batista); que os soldados do Exército enganaram os guerrilheiros, simulando que estavam pousando um helicóptero na casa da declarante, mas na verdade uma equipe de soldados foi para a casa do Manezinho das Duas, e lá prenderam os três; que o marido da declarante ajudou a embarcar os três guerrilheiros vivos em um helicóptero do Exército; (...)" 92
" "Sr. Antônio Félix da Silva, (...) que é conhecido na região como seu Tota; que, chegou na Região do Araguaia em 16.07.1972, mais precisamente na região do Caçador; (...); que o declarante foi obrigado a servir de guia para os militares na região de Água Boa, Caçador e Borracheiro, (...); que os militares pousaram em uma clareira perto de sua casa e foram a pé até a casa de Manezinho das Duas e se esconderam em um bananal próximo da casa; que no dia seguinte, pela manhã, o declarante foi até a casa do Manezinho das Duas, conforme determinação dos militares; que lá chegando, por volta das 7 horas da manhã, do dia 21.04.1974, o declarante viu Antônio, Valdir e Beto sentados em um banco na sala da casa, com os pulsos amarrados para trás com uma corda fina, parecendo ser de nylon; que o declarante viu um militar se comunicando pelo rádio; que, por volta das 9 horas da manhã, chegou o helicóptero que levou os militares e os três prisioneiros; que o declarante apenas percebeu que Valdir estava ferido, parecendo ser um lecho na batata de sua perna, que atingia metade da mesma, tendo dificuldade para andar até o helicóptero; (...)que mostradas as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Zé Carlos, ...; Nelson, Valdir, ... , Beto, Antônio, Orlandinho, que usava um chapéu de macaco da noite com rabo". 118
" "Sra. Adalgisa Moraes da Silva, (...); que um dia estavam em sua casa o João, Valdir, o Beto e o Orlandinho, quando se aproximou um cavaleiro e que a depoente os avisou que era o Tota; que o João pediu licença para se esconderem para não serem vistos pelo Tota; que isto era porque o irmão da Margarida era o detetive conhecido como Nonato e que esse Nonato apontou todos os moradores da região de São Domingos, em outubro de 1973; (...); que os guerrilheiros haviam colocado fogo em uma ponte na Transamazônica, no Município de São Domingos; que a Rosinha, a Sônia, o Nelito, o João Araguaia, o Nunes, o Orlandinho, o Beto, o Alfredo, o Zé Carlos, o Edinho e Valdir e o Zebão colocaram fogo na ponte para impedir que os carros passassem; que eles atacaram um posto da polícia militar e colocaram um soldado para ir à pé até Marabá, vestindo apenas uma cueca, pegaram as armas, as facas, o Alfredo vestiu a roupa do sargento, e passaram logo após na casa da declarante, vestindo roupa da Polícia Militar; que eles passaram na casa da declarante um dia após os fatos; que eles queimaram a ponte numa 6a feira, atacaram o posto da Polícia Militar no Domingo e estiveram na casa da declarante na 2a feira seguinte; (...) que a declarante viu o Valdir e o Beto vivos, no dia em que um avião chegou trazendo os dois, que ficaram dentro do avião para comer no acampamento da Bacaba; (...) ". 119
" "Pedro Matos do Nascimento, vulgo Pedro Mariveti (...)Em outra oportunidade o depoente estava na lavoura quando viu e cumprimentou Valdir, Landinho, Beto, Nunes e Alfredo. Mais tarde eles retornaram e disseram que tinham assaltado o Posto Policial. O depoente deixou eles descansarem um pouco e sua casa e depois eles partiram foi a última vez que os viu.(...)". 133
"Ana Luiza Martins Rodrigues (...) que no ano de 1972 a declarante morava, em propriedade da família, juntamente com sua família na localidade de Caçador, Município de São João do Araguaia/PA; que conhecia os guerrilheiros José Carlos, Rosinha, Fátima, Valdir e outros que não lembra o nome, que seu pai de nome Antônio Alfredo seguiu para a mata em companhia dos guerrilheiros, (...)". 140

Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes