
Antônio Ribas--
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Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Antônio Guilherme Ribeiro Ribas nasceu em 20 de setembro de 1946, em São Paulo, filho de Walter Pinto Ribas e Benedita de Araújo ribas.
Desaparecido na Guerrilha do Araguaia, desde 1973.
Estudante do 3º ano colegial do Colégio Estadual Brasílio Machado e presidente da UPES).
Foi condenado pela 2º Auditoria de Justiça Militar de São Paulo a 1 ano e 6 meses de prisão. Cumpriu pena até 1970 e, posteriormente, mudou-se para a região do Gameleira, no Araguaia. Foi visto pela última vez no natal de 1973.
O Relatório do Ministério do Exército diz que "Antônio Ribas durante encontro com uma patrulha na região do Araguaia conseguiu evadir-se abandonando documentos nos quais usava o nome falso de José Ferreira da Silva" , e mais adiante diz que "teria morrido em confronto com as forças de segurança." Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que ele teria sido " morto em 20 de fevereiro de 1973", o que não é verdade pois foi visto pelos seus companheiros no natal de 1973.
De seu irmão, José Dalmo Ribas:
"...Em 1967 Guilherme foi eleito Presidente da União Paulista de Estudantes Secundaristas - UPES. No dia 7 de setembro de 1968 Guilherme foi detido pelo DOPS por ocasião de manifestação contra a presença do Presidente Costa e silva em ato comemorativo à data da Independência. Guilherme ficou detido por 34 dias nas dependências do antigo Presídio Tiradentes, sendo solto na data aproximada de 7 de outubro de 1968 por Habea-Corpus impetrado pela advogada Dra. Maria Aparecida de Faria Pacheco.
Na qualidade de dirigente da entidade estudantil secundarista participou do Congresso da União Nacional dos Estudantes. Na ocasião, foi detido, nos seguintes locais: Presídio Tiradentes, Delegacia de Polícia, situada à Rua 11 de Junho, Vila Mariana, Quartel do Batalhão dos Caçadores do Município de São Vicente, Forte de Itaipu, na Praia Grande, Casa de Detenção de São Paulo, Quartel de Quitaúna e, por fim, retornou ao Presídio Tiradentes.
Sofreu dois processos perante a Justiça Militar de São Paulo e perante a 2º Auditoria Militar, tendo sido condenado num deles a 3 meses de prisão e, no segundo, a 18 meses. Quando estava detido e em período anterior e posterior à sua detenção vários de seus familiares sofreram violências e arbitrariedades por parte dos órgãos de segurança.
Após sua libertação em abril de 1970, Guilherme transferiu-se para a Baixada Fluminense onde passou a residir no município de Duque de Caxias com outra identidade em companhia de José Genoino Neto e outros companheiros, por volta de fins do ano de 1970. De lá saiu para viver no campo. Tivemos ainda um encontro de despedida. E só voltamos a ter notícias dele em 1973, por intermédio de Francisco Romanini, que esteve preso na Operação Bandeirantes, quando então ficou sabendo sobre Guilherme e suas atividades políticas na região do Araguaia.
Mais tarde, em 1975, nossa família recebeu uma intimação da Auditoria Militar para Guilherme. Nesse julgamento, Guilherme, na qualidade de rel, foi absolvido. Ficou absolutamente claro para mim que meu irmão tinha sido morto pelos agentes da repressão política.
Em 1977, nossa família constituiu o advogado Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh para buscar oficialmente o paradeiro de Ribas. Concluiu-se que Guilherme permaneceu em atividade política na região do Araguaia até o combate ocorrido no dia 25 de dezembro de 1973, ocasião em que teria morrido juntamente com Jaime Petit da Silva. Provavelmente num confronto entre as forças de repressão e o grupo de guerrilheiros ocorrido na localidade de Caianos.
Posteriormente a família recebeu esclarecimentos por parte do Padre Aristides Camio, que residiu na região, que o corpo de Jaime Petit fora visto por moradores da região em são Félix do Araguaia, naquele Natal de 1973. Depois de confirmado o fato de ter Guilherme sido assassinado no Araguaia em companhia de várias outras pessoas que ali exerciam atividades políticas, a família continuou diligenciando em caráter particular, com a participação do CBA São Paulo e de seu advogado para tentar chegar a uma versão oficial do que de fato ocorreu, bem como da localização do corpo de seu irmão."
Dalmo Ribas, irmão de Guilherme, foi ao Quartel General do 2º Exército, localizado no Ibirapuera, São Paulo, procurando manter contato com o General Dilermando Monteiro, Comandante do 2º Exército. Não foi recebido por ele, tendo falado com o Tenente Coronel Pinheiro, uma espécie de relações públicas, que foi taxativo ao afirmar que "esse assunto era reservado mesmo dentro do próprio Exército e que nem o próprio Comandante teria acesso a essas informações, que estavam afetas exclusivamente a Brasília" e que não mais deveria buscar esse tipo de esclarecimento.
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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