Vermelho

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11/10/2019

De Olho no Mundo, por Ana Prestes

A cientista política e especialista em relações internacionais, Ana Maria Prestes, apresenta os principais fatos que se sobressaem no cenário internacional. Nesta sexta-feira (11) ela destaca os comentários sobre a não participação do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

O burburinho internacional ontem no Brasil foi o não apoio dos EUA ao Brasil para sua entrada na OCDE. Os jornalistas da Bloomberg foram os primeiros a fazerem uma matéria em que afirmaram ter tido acesso à carta oficial enviada pelo secretário de Estado Mike Pompeo no último mês de agosto ao comando da OCDE em que os EUA apoiam a entra de Argentina e Romênia. Quem acompanha o tema mais de perto não se surpreendeu muito. Eu mesma, aqui nestas notas, já havia informado a prioridade do apoio dos EUA à Argentina entre os países latinoamericanos que tentam entrar na OCDE. O fato de o governo Trump se posicionar assim agora não significa que não apoie o Brasil, mas que está seguindo um rito da própria OCDE e que há uma “fila para os apoios” e a Argentina chegou primeiro. Alguns analistas, como Oliver Stuenkel, da FGV, pensam que a atitude também pode ser uma forma de pressionar o Brasil a não permitir a entrada da Huawei no mercado brasileiro do 5G. A OCDE congrega hoje 36 países ricos e em desenvolvimento.

O Brasil é um endividado com organismos internacionais. Segundo matérias da imprensa desta semana, o Brasil deve cerca de 5 bilhões de reais a diversos organismos internacionais. Destes, 592 milhões são devidos à ONU que resolveu cobrar a dívida.

No Nordeste brasileiro segue a investigação para descobrir a origem das manchas deóleo que já atingem 63 municípios de nove estados nordestinos. A Marinha brasileira já notificou 30 navios-tanque de 10 diferentes bandeiras para prestarem esclarecimentos. O governo brasileiro vem atacando sistematicamente nos últimos dias a Venezuela por ser a responsável pelo vazamento que originou as manchas. Segundo Sarah Rocha, química que participou dos trabalhos de análise do Lepetro (Laboratório de Estudos do Petróleo) da UFBA, em entrevista o O Globo, “o óleo é de uma bacia petrolífera especifica do território venezuelano, mas isso não quer dizer que a Venezuela é a responsável pelo derrame”. O óleo pode ter vindo de qualquer embarcação, não necessariamente venezuelana. Segundo anúncio da PDVSA e governo venezuelano, “não há evidências de vazamentos de petróleo nos campos de petróleo da Venezuela que possa ter causado danos ao ecossistema marinho de nosso vizinho”.

Outro tema que tomou a pauta internacional da semana foi o Sínodo da Amazônia. O encontro entre o Papa e bispos da região amazônica começou no último domingo (6) e vai até o dia 27 de outubro. O evento provocou a reação de setores conservadores da Igreja Católica no Brasil que percebem no encontro um sinal de “esquerdização” da Igreja. A oposição vem questionar a postura do Papa Francisco que disse na abertura do Sínodo que a “ação pastoral deve se esquivar de colonizações ideológicas”. O que para os conservadores significa “ceder a ritos pagãos” para se aproximar dos indígenas. O Sínodo reúne 250 participantes, entre eles 184 bispos e 35 mulheres membros de entidades e das comunidades amazonicas.

No Equador segue o quadro de tensão social e sublevação da população contra o governo. Ontem as grandes mobilizações se deram em torno do funeral dos falecidos durante os protestos. Em um comunicado da Conaie que circulou no dia de ontem, seu presidente diz: “aprendemos com nossos anciãos e anciãs que aos mortos pela luta se honra multiplicando-nos”. Na carta fica também restabelecido que não há diálogo com o governo enquanto não forem demitidos a ministra do Interior, Maria Paula Romo, e o ministro da Defesa, Oswaldo Jarrín, além da revogação do decreto 883, que pôs fim os subsídios dos combustíveis. No dia de ontem, os indígenas também liberaram 10 policiais que estavam retidos na Casa de Cultura de Quito.

Em Cuba, no dia de ontem (10), a Assembleia Nacional do Poder Popular elegeu Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez como Presidente da República com um mandato até 2023. Até ontem Díaz-Canel ocupava a presidencia dos Conselhos de Estado e de Ministros, mas esta nomenclatura deixa de existir com a entrada em vigor da nova Constituição do país, aprovada no último mês de abril. Como Vice-Presidente foi eleito Salvador Valdés Mesa, que já foi ministro do Trabalho e da Seguridade Social. Em seu discurso de posse, Díaz-Canel citou a frase de José Martí de que “governar é prever” e fez referência a vários discursos de Fidel, entre os quais o da Eco-92 em que o líder advertia que a humanidade é “uma espécie em perigo de extinção”. Canel disse ainda, ao se referir a Fidel e Raul Castro, que “esta é nossa escola política. Aqueles que o colocarem em dúvida, somente precisam dar uma olhada nos 60 anos de história revolucionária”.

O Palácio de Convenções de Havana também abrigou ontem (10) a eleição do Presidente, Vice-Presidente e Secretário da Assembleia Nacional do Poder Popular, assim como os membros do Conselho de Estado e sua direção.

O presidente turco, Recep Erdogan, deu ordem para o início de uma ofensiva militar do lado sírio da fronteira com a Turquia, região ocupada pela população curda. Nas primeiras 48 de combates, 16 pessoas morreram e 33 ficaram feridas, segundo a imprensa. Há um potencial significativo de crise humanitária na região. Erdogan iguala os curdos aos membros do Estado Islâmico, como terroristas todos. Os curdos constituem hoje a maior população sem Estado do mundo e vivem espalhados em uma região que abrange partes da Síria, do Irã, do Iraque, da Turquia e da Armênia. Eles foram fundamentais para combater o Estado Islâmico na Síria, inclusive fazendo cobertura do exercito norte-americano, que agora os abandonou à própria sorte contra a ira de Erdogan.

Os refugiados paraguaios Juan Arrom, Anuncio Martí e Victor Colmán conseguiram asilo político na Finlândia após a cooperação entre a Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) com o governo do Uruguai. O Governo do Paraguai informou que convocou o embaixador do Uruguai para explicações e que fará um “protesto diplomático” contra a Finlandia e uma denúncia na União Europeia. Os três estavam refugiados no Brasil há 17 anos e perderam o refúgio com a entrada do Governo Bolsonaro. Os três foram acusados sem provas pelo sequestro da esposa de um empresário paraguaio em 2002.

Bolsonaro viaja no final do mês para o Japão, China, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Arábia Saudita.

E o Nobel da Paz de 2019 foi concedido ao primeiro-ministro da Etiopia, Abiy Ahmed Ali, por sua condução na resolução do conflito de fronteira com a vizinha Eritreia.

A cantora brasileira Pabllo Vittar está em uma lista de “líderes da próxima geração” da revista americana Time.

Uma autora polonesa preocupada com as questões ecológicas e feministas, Olga Tokarczuk, foi uma das vencedoras do prêmio Nobel de literatura deste ano. O outro vencedor foi Peter Handke, dramaturgo austríaco.por Ana Prestes) - 11/10/19

O burburinho internacional ontem no Brasil foi o não apoio dos EUA ao Brasil para sua entrada na OCDE. Os jornalistas da Bloomberg foram os primeiros a fazerem uma matéria em que afirmaram ter tido acesso à carta oficial enviada pelo secretário de Estado Mike Pompeo no último mês de agosto ao comando da OCDE em que os EUA apoiam a entra de Argentina e Romênia.

Quem acompanha o tema mais de perto não se surpreendeu muito. Eu mesma, aqui nestas notas, já havia informado a prioridade do apoio dos EUA à Argentina entre os países latinoamericanos que tentam entrar na OCDE. O fato de o governo Trump se posicionar assim agora não significa que não apoie o Brasil, mas que está seguindo um rito da própria OCDE e que há uma “fila para os apoios” e a Argentina chegou primeiro. Alguns analistas, como Oliver Stuenkel, da FGV, pensam que a atitude também pode ser uma forma de pressionar o Brasil a não permitir a entrada da Huawei no mercado brasileiro do 5G. A OCDE congrega hoje 36 países ricos e em desenvolvimento.

O Brasil é um endividado com organismos internacionais. Segundo matérias da imprensa desta semana, o Brasil deve cerca de 5 bilhões de reais a diversos organismos internacionais. Destes, 592 milhões são devidos à ONU que resolveu cobrar a dívida.