Vermelho

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15/09/2019

Festa do L'Humanité realiza grande ato de solidariedade ao Brasil

Festival realizado pelo Partido Comunista Francês teve como destaque central da programação de sábado (14) uma mesa de debate que contou com a ex-presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, e o representante do MST Igor Felipe dos Santos.

As dezenas de milhares de pessoas que passaram pela Fête De L’Humanité, ao norte de Paris, na noite deste sábado (14), encontraram na ágora central do evento um grande ato de homenagem e solidariedade às lutas progressistas do Brasil e pela libertação imediata do ex-presidente Lula. Considerado pelos participantes do festival e pelos movimentos internacionais populares um dos principais presos políticos do mundo, Lula tem seu rosto estampado e diversos cartazes, faixas, camisetas de todo o L’Humanité.

O ato de solidariedade teve como convidada central a ex-presidenta Dilma Rousseff, vítima de um golpe em 2016 e que tem divulgado, junto à comunidade internacional, a situação do país e a campanha Lula Livre. O diretor geral do L’Humanité, Patrick Le Hyaric, abriu o ato, explicando para os franceses as circunstâncias irregulares da prisão de Lula, hoje denunciadas também pela série de reportagens do site The Intercept, com vazamentos da operação Lava Jato. O vice-presidente e secretário e Relações Internacionais do PCdoB, Walter Sorrentino, explicou aos presentes como o abuso de autoridade funciona, atualmente, para sabotar a democracia brasileira.

Walter Sorrentino, do PCdoB, ao falar na ato em solidariedade ao Brasil

“O desrespeito às normas constitucionais e das instituições é a orientação da extrema direita, neoliberal e fascista, e sua principal estratégia política é vedar por completo os canais institucionais para que a esquerda e as forças progressistas possam chegar democraticamente ao governo”, afirmou Sorrentino. O uso da lawfare e o aparelhamento do judiciário brasileiro para finalidades políticas está cada vez mais na pauta internacional após as últimas revelações sobre o grampo ilegal da presidenta Dilma, vazado pelo então juiz Sérgio Moro, e pela interferência da Lava Jato a fim de impedir a nomeação do ex-presidente Lula como seu ministro da Casa Civil.

O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Igor Felipe dos Santos, lembrou que todo o processo de deposição de Dilma e perseguição a Lula se encontra também em um cenário de desmonte do patrimônio e da soberania nacional. “Nós temos um governo que tem um programa ultra neoliberal”, expressou. Lembrou os efeitos das reformas em curso, como a da Previdência, que ameaça seriamente o direito à aposentadoria no país. “Nos vemos também a entrega das nossas riquezas naturais e a submissão aos Estados Unidos. Sob o governo Bolsonaro, todos os instrumentos da reforma agrária estão parados. Os órgãos responsáveis pela reforma foram entregues para latifundiários e ruralistas”, disse.

Também participou da mesa de solidariedade ao Brasil a historiadora Maud Chirio e o sociólogo Eric Fassin, membro do comitê francês de libertação de Lula. Neste domingo (15), acontece no festival um ato unificado de lutas do povo latino-americano, que contará novamente com a participação dos brasileiros. Durante o encontro, o tema também é divulgado de forma contínua na barraca brasileira, com material explicativo em dois idiomas, a venda de camisetas, bottons, livros sobre o Brasil e os movimentos de esquerda no país.

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