Vermelho

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22/03/2019

Metalúrgicos de Caxias defendem respeito ao direito à aposentadoria

Respeito e dignidade. Esses foram os mantras usados pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região (RS), Assis Melo, para se dirigir aos trabalhadores e trabalhadoras no dia nacional de luta contra a Reforma da Previdência e em defesa da aposentadoria. Os dirigentes promoveram assembleias em frente à Fras-le e à Marcopolo de Ana Rech nesta sexta-feira (22), paralisando por algumas horas as atividades de centenas de trabalhadores.

Eram 5h da manhã quando sindicato se concentrou em frente ao portão da fábrica. Usando de uma retórica didática para explicar os impactos da reforma da previdência proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, Assis foi além e abordou outras questões envolvendo os trabalhadores para falar de perdas de direitos e para convocar a classe operária a participar das mobilizações ao destacar que as centrais sindicais estão preparando uma greve geral no Brasil para o mês de abril.

“Eles querem implantar no Brasil o mesmo modelo adotado no Chile, onde hoje idosos catam lixo para comer e sobreviver, e o país registra o maior índice de suicídio de aposentados. Defendem ainda a capitalização privada para beneficiar os bancos e pagar para o trabalhador uma aposentadoria de R$ 400 em vez de um salário.”
Sem nominar Bolsonaro, Assis relembrou que o atual presidente defende que “é mais importante ter trabalho do que direitos.” Esse foi o fio condutor para o líder sindical explicar a diferença entre trabalho e emprego, alertando que esse último conceito é o que assegura os direitos conquistados por meio da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que foi rasgada depois de 70 anos com a Reforma Trabalhista do então presidente Michel Temer sem que houvesse reação e mobilização da classe trabalhadora.

“Agora, com essa reforma trabalhista, vão criar a carteira verde e amarela para que o trabalhador tenha trabalho e não direitos. Ou vocês acham que na hora de contratar os patrões vão optar pela carteira azul com todos os direitos ou pela verde e amarela?”, questionou Assis, reforçando que a intenção é transformar o trabalhador em empresa, porque empresa não tem fim de semana nem tem hora-extra.

“Nesse conceito de empresa, que eles chamam o trabalhador de Pessoa Jurídica, é para retirar tudo. E se o trabalhador ficar doente, não terá nem direito ao benefício do INSS, nem as mães terão direito a receber a licença-maternidade, porque tudo isso é Previdência Social”, completou Assis.



O presidente ainda listou algumas conquistas asseguradas atualmente, apesar da reforma trabalhista, graças às cláusulas estabelecidas em convenções coletivas, como a jornada de trabalho em cinco dias úteis da semana.

“Eles querem jogar o trabalhador contra o sindicato, mas o sindicato é o representante legítimo dos trabalhadores. Na reforma trabalhista, diziam: os sindicatos são contra porque vão perder a contribuição sindical de um dia de cada trabalhador. Na verdade, isso foi para desmobilizar a categoria, porque desse um dia, o sindicato fica com 60% e os outros 40% vão para o FAT, que é o Fundo de Amparo do Trabalhador. É do FAT que saem os recursos para o seguro-desemprego e programas sociais como Minha Casa, Minha Vida, porque é o trabalhador quem paga isso com a força do seu trabalho.”

Nas duas empresas, Assis enfatizou a necessidade de o trabalhador se envolver e participar da luta em defesa dos direitos, como a aposentadoria. Ele relembrou da luta histórica em Caxias contra a chamada Emenda 3 de 2007, onde já queriam retirar os direitos e as empresas pararam numa grande greve geral.

“O trabalhador precisa refletir. Se tiver greve e eu parar, vão me descontar o dia, costumam dizer os trabalhadores. Mas o que vale mais? Perder um dia e não permitir que lhe tirem o direito de aposentar ou aceitar a reforma da Previdência, sem reagir, como foi com a Reforma Trabalhista?”