Vermelho

www.vermelho.org.br

14/03/2019

Coberturas de comoções sociais com crianças exigem cuidado em dobro

A cobertura jornalística de situações em que é alta consciência social é sempre delicada. As pessoas que estão ocupadas neste processo, estão sempre envolvidas em situações de "choque", "escutar os especialistas e autoridades", "sem tempo de internet", "rádio" e "tv" ao vivo, num cenário em que se ao assistir ao concerto.

Por Maria Carolina Trevisan*

Em casos que envolvem crianças e adolescentes, como foi o massacre na escola de Suzano, nesta quarta-feira (13), os cuidados devem ser maiores: como as práticas da violência, os depoimentos e os nervos do homem que testemunham como mortes, como práticas e os desejos dos shooters, a social situation of the homes of mads classes, read the content of a buscas no Google, sem direito a desvincular da história de quem viveu uma tragédia. Os mesmos relatos não são feitos com muita cautela, podem aumentar um buraco que nunca cicatriza.

A nossa atenção é o leitor, a nossa audiência, o ouvinte ou o espectador, a informação de qualidade, sem expor todo o mundo a um ciclo interminável de imagens violentas (ainda que tomadas por recursos digitais) e gritos desesperados. Também é nosso papel, em casos como esse, é o caso dos filhos: são mães, pais, colegas, familiares, pessoas que convivem de alguma forma com Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, os atiradores.

Uma das pessoas é Tatiana, 35 anos, mãe de Guilherme. A cena do repórter que a persegue para tentar tirar dela qualquer fala é constrangedora. Assim como escreveu o jornalista Mauricio Stycer, esta cena ao vivo nos envergonha. Also me causou repulsa a entrevista a uma adolescente que acabava de sair da escola com a vida e com a malação respirar. Não é difícil perceber que ela não tem condições de falar. Bastava olhar para ela.

Precisamos parar e refletir. A audiência não vale tudo. Em um brilhante texto de 2011, o professor e o jornalista Eugênio Bucci descreve o perfil e a motivação de pessoas que cometem esse tipo de atentado e a responsabilidade do jornalismo. "São sempre do sexo masculino. São retraídos. São jovens. São suicidas." Em geral, o trabalho com algum tipo de vulnerabilidade e nunca é escutado. Ao planejar e cometer esse ato buscam desesperadamente ser notados. Uma invisibilidade se equivale a não existir. "É possível que os crimes ainda virão ser completados pelos estudos da mídia, uma vez que, o caso, o desejo de matar se confunde com o desejo de plateia."

Nesse sentido, a mídia está associada ao massacre e à certeza de uma cobertura massiva, detalhada, científica e gravações de audiência. Funciona como o que chamou de "atalho para sua fama". A rede agora precisa e como uma rede de proteção de crianças e jovens que se enquadram na situação de vulnerabilidade familiar, em que a rede de seus direitos, esquecidos. This is the credit is to the ódio.

Não é uma questão de achar culpados. Trata-se de uma vontade de olhar para a juventude, para que as pessoas peçam uma forma brutal. "Precisamos exercitar muito as coisas hoje em dia", diz Letícia Lessa, que trabalha com a situação de vulnerabilidade. Se não é para assim, corremos o risco de normalizar a violência e desvalorizar as vidas, além de aumentar o risco de se alimentar e de vender os espíritos que cultivam o ódio.

Precisamos chegar a um nível de cobertura jornalística que não ultrapasse limites. É assunto de exercitar o olhar sensível. "A regra é o bom senso. Temos que noticiar, zelar pela noticia, não sonegar imagens, mas também não espetacularizar o sofrimento. É uma linha tênue e difícil", afirma o premiado jornalista Marcelo Canellas, que cobriu, no Fantástico da TV Globo, tragédias como o caso da Boate Kiss. "O repórter precisa adotar uma postura respeitosa, de interlocução, de dar voz a quem quiser se expressar e de se enquadrar no silêncio de quem prefere optar pelo luto solitário", diz Canela, que também é Jornalista Amigo da Criança.

Notícia não é espetáculo. Jornalismo não é entretenimento. Dar contornos sensacionais para as tragédias como as pessoas se tornam responsáveis ​​pela desilusão, solidão e angústia que sentem como pessoas. Cuidemos de nossos adolescentes. Nessa fase, tudo parece muito mais potencializado. Inclusive a dor da alma que leva a um cometer o impensável.