Vermelho

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22/02/2019

Paulinho da Viola: Estão dando aval pra matar mulher, negro e LGBTs

Durante a ditadura militar, Paulinho da Viola venceu o V Festival de MPB da TV Record em 1969, graças à “Sinal Fechado”, que daria título ao único álbum de intérprete de Chico Buarque no ano de 1974, quando o regime censurou todas as músicas do autor de “Vai assar”.

Essa é uma canção rara na obra de Paulinho, que jamais se notabilizou por ser um compositor de protesto. Apesar disso, o sambista que se apresenta nesta sexta (22) em Belo Horizonte ao lado da filha Beatriz Rabello – com o show “Bloco do Amor” –, não esconde sua insatisfação com os rumos do país.

“Parece que estão dando aval para se matar mais mulheres, homossexuais e jovens negros do que nunca. Não acredito que vai se resolver a questão da violência com mais violência, como já é feito há anos, e ainda facilitando a posse de arma. Acho que a insegurança só vai aumentar”, lamenta o músico.

Portelense histórico, Paulinho também comenta as “tentativas de se organizar o Carnaval”. “É impossível, o Carnaval é onde as pessoas vão extravasr, pular, brincar, criticar e se fantasiar. No fundo, ele representa a alegria”. Já a ascensão de blocos de rua em capitais como Rio, São Paulo e BH é vista por ele com bons olhos, e tem despertado a atenção do compositor de clássicos carnavalescos como “Sei lá, Mangueira” (com Hermínio Bello de Carvalho) e “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”, para uma outra característica.

“Além do aspecto lúdico, esses blocos manifestam várias questões. Esse espírito provocador é muito próprio do Carnaval e vem desde as marchinhas”, afiança ele, que realiza uma perspicaz comparação. “Eu mesmo brinquei muito Carnaval. A crítica velada ou mesmo aberta que se fazia, mas sempre rindo, é o que as pessoas chamam hoje em dia de meme”, avalia.

“As escolas de samba também fizeram isso, com o desfile ‘Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia’ do Joãosinho Trinta (1933-2011), e a Paraíso do Tuiuti no último ano (quando a agremiação não poupou a reforma trabalhista aprovada pelo governo de Michel Temer)”, conclui.