Vermelho

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03/02/2019

Em viagem histórica, Francisco é o 1º papa a visitar o berço do Islã

O homem chegou até à Lua, mas, até esta data, nenhum papa havia pisado na região que é considerada o berço do Islã. A escrita mudou na noite deste domingo (3), quando o papa Francisco desembarcou nos Emirados Árabes Unidos, na primeira visita de um líder da Igreja Católica à Península Arábica.

O avião com o argentino Jorge Mario Bergoglio chegou ao Aeroporto de Abu Dhabi pouco antes das 22 horas locais (16 horas de Brasília). O chefe da Igreja Católica foi recebido pelos xeques Mohamed bin Zayed al-Nahyan (príncipe-herdeiro de Abu Dhabi) e Ahmed al-Tayerbiman (imã de Al-Azhar, a instituição mais importante do Islã sunita).

Antes de sair de Roma, Francisco escreveu no Twitter: “Estou partindo para os Emirados Árabes Unidos. Me dirijo a esse país como um irmão para escrevermos juntos uma página de diálogo e percorrermos juntos os caminhos de paz. Orem por mim!”. A bordo do avião, o papa disse que soube que estava chovendo em Abu Dhabi. “Nesses países é visto como um sinal de bênção”, destacou.

Segundo o programa, a visita será dominada pelo diálogo entre as religiões. Um encontro inter-religioso internacional está previsto para segunda-feira. Francisco se reunirá, por exemplo, com a cúpula da “Irmandade Humana”, que reunirá 700 líderes de diferentes religiões, entre eles o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmed Al-Tayyeb.

O principal objetivo da viagem do Papa é justamente escrever um novo capítulo nas relações entre as várias religiões do mundo. “Deus une, e não divide. Aproxima, e não cria distinções. Afasta das hostilidades”, disse Francisco, em uma mensagem em vídeo gravada por ocasião da viagem.

Neste domingo, católicos se aglomeravam perto da Catedral São José de Abu Dhabi, que foi decorada com as cores do Vaticano e dos Emirados. Francisco encontrará na cidade a comunidade católica local, incluindo imigrantes das Filipinas e da Índia, na grande missa que fará na terça-feira (4), no estádio Zayed Sports City, a um público de 135 mil pessoas. Fiéis tentam conseguir os últimos lugares para a missa – que será a maior manifestação popular realizada no país.

Com a aproximação da visita, o padre Elie Hachem, da Catedral de São José, fala de algo “histórico”. Segundo ele, o papa vem com “uma mensagem de paz”. Cerca de um milhão de católicos – a maioria imigrantes asiáticos – vivem nos Emirados e podem praticar a religião em oito igrejas. Com uma população constituída por mais de 85% de expatriados, o país é adepto a um Islã moderado, e sua sociedade é bastante aberta ao mundo exterior.

Uma das agendas mais esperadas é encontro entre o papa e o imã de Al-Azhar, a principal instituição do Islã sunita que fica no Cairo, o xeque Ahmed al-Tayeb. Diferentemente do seu vizinho saudita, que proíbe a prática de outras religiões que não sejam o Islã, os Emirados Árabes Unidos querem projetar uma imagem de país tolerante. Mas as autoridades controlam as práticas religiosas e reprimem a contestação política e a exploração da religião, inclusive pelos adeptos de um Islã político, encarnado pela Irmandade Muçulmana.

Desde o início do seu pontificado, o papa viajou a vários países com população majoritariamente muçulmana, como Egito, Azerbaijão, Bangladesh e Turquia. Em março, viajará ao Marrocos. A ida aos Emirados Árabes Unidos é o 27º giro internacional do seu pontificado, que o leva ao 41º país a ser visitado pelo líder católico. O papa ficará na capital Abu Dhabi até terça-feira (5).

A Santa Sé confirmou que Francisco concedeu a condecoração da Ordem de Pio IX a Mohamed Mahmoud Abdel Sala, ex-conselheiro do Grande Imã de Al-Azhar, “pelo excelente trabalho desenvolvido em prol do diálogo inter-religios e pelo reforço nas relações entre Al-Azhar a Igreja Católica”. Conforme o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, “a condecoração será entregue a Slalam no próximo dia 26 de março, na Cidade do Vaticano”.

Da Redação, com agências