Vermelho

www.vermelho.org.br

29/01/2019

Governantes calamitosos

Por Aluísio Arruda*

Qualquer empresário mediano sabe que se a sua empresa entrar em processo de recuperação judicial poucos a irão procurar para realizar negócios.

Será que um Estado que decreta calamidade será procurado por investidores e os que já o são se sentirão estimulados a ampliar seus negócios? Essa medida extremada não poderá trazer mais prejuízos que benefícios?

Não é preciso ter maior preparo para prever os estragos. Mato Grosso é um Estado pouco industrializado, e as principais atividades geradoras de emprego e impostos são o comércio e os serviços. Essas duas atividades, tanto na capital, quanto nos municípios, são, em grande parte, alimentadas pelos salários dos servidores e prestadores de serviço.

O atraso e escalonamento desses salários, bem como o não pagamento de fornecedores, evidente que vai resultar em significado baque na economia atingindo vários outros setores.

Se as pessoas deixam de comprar, o comércio diminui suas vendas, os prestadores de serviço vão reduzir drasticamente suas atividades, a indústria vai produzir menos, e a consequência imediata vai ser mais demissões em todos esses setores e diminuição significativa na geração dos impostos para o Estado.

Em suma, se a situação estava ruim, evidente que a tendência será de agravamento, ou seja, a calamidade real pode acontecer.

E quem seriam os mais prejudicados?

Como sempre os mais pobres, os funcionários públicos, pequenos e médios empresários e comerciantes, prestadores de serviços e os que necessitam dos serviços essencias dos órgãos que serão fechados ou reduzidos drasticamente como os que atendem os pequenos e médios produtores da agricultura familiar responsável por cerca de 70% dos alimentos da nossa mesa.

Ao invés dessa medida extremada, como faz qualquer empresa para pagar a folha e atender necessidades imediatas, corre ao banco e faz um empréstimo. O Estado estaria totalmente sem crédito? Em seguida teria que ter a competência e a coragem de promover os cortes, não no osso de quem já está massacrado, mas onde existe muita gordura acumulada como nos repasses para a Assembléia Legislativa, que tem orçamento maior que todo o município de Várzea Grande, sem nada produzir, e dos demais poderes que bancam altos salários e mordomias às custas dos nossos impostos, e que também pouco produzem.

Poderia ter a coragem de taxar devidamente o agronegócio onde muitos que aqui chegaram pobres e em poucos anos se transformaram em verdadeiros magnatas. Os barões do agronegócio que digam como isso foi possível?

Poderia ter a capacidade de elaborar projetos, como outros governos, talvez em situação pior, foram buscar investidores para aplicar e desenvolver nosso Estado.

Poderia ter a capacidade de implementar de forma arrojada uma política de agro-industrialização, que apesar de plena condição, está há anos esperando por gestores arrojados e competentes e não a escória que temos tido até hoje, com raras exceções.

Enfim, Mato Grosso, assim como o Brasil, onde ontem e hoje se aferram à uma política caolha e perversa de cortes nas verbas de saúde, educação, assalto aos direitos dos trabalhadores, de privatizações, na verdade entrega descarada das nossa riquezas, e sim adotarem medidas plenamente viáveis para a retomada do desenvolvimento do Brasil, que já chegou a 6ª potência mundial e agora regride sem parar, fruto de uma política equivocada, medíocre, lesa povo e lesa pátria, em benefício dos bancos, das multinacionais e outros magnatas que faturam bilhões do dia para a noite nos juros dos cheques especiais, do cartão de crédito, no rentismo das dívidas públicas que quanto mais se paga, mais se deve.