Vermelho

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30/11/2018

Bolsonaro despreza defesa do meio ambiente

Protagonistas de um vexame global na defesa do meio ambiente, Bolsonaro e Temer empurram um para o outro a responsabilidade por retirar sua candidatura para sediar a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-25), que ocorrerá de 11 a 22 de novembro de 2019.

Por Iberê Lopes*

Destinada a negociar a implementação do Acordo de Paris, a COP-25 é o principal fórum de debates sobre a redução na emissão de gases poluentes e desenvolvimento de economias sustentáveis. A gestão da equipe da Michel Temer à frente do Itamaraty alegou restrições orçamentárias às Nações Unidas para não realização do encontro.

Já o futuro presidente, Jair Bolsonaro, disse que queria evitar controvérsia entre o seu governo e setores ambientalistas sobre a criação do corredor ecológico internacional. "Houve participação minha nessa decisão. Ao nosso futuro ministro [Ernesto Araújo, indicado para o Ministério das Relações Exteriores], eu recomendei para que evitasse a realização desse evento aqui no Brasil”, disparou Bolsonaro.

Ernesto Araújo, disse recentemente acreditar que as mudanças climáticas são uma “conspiração marxista”. “Esse dogma vem servindo para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais e suas populações, bem como para sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China”, escreveu em seu blog.

Em 2017, Araújo destacou em artigo, que ao eleger Bolsonaro e se aproximar de Donald Trump, o Brasil retomaria sua “alma ocidental”. Os dois presidentes são abertamente contra qualquer mudança nas políticas ambientais. E a ideologização na política externa e ambiental do governo Jair Bolsonaro já poderá impactar na balança comercial do Brasil.

O presidente da França, Emmanuel Macron, que está em Buenos Aires para participar do G20, disse, nesta quinta-feira (29) que o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul está vinculado à posição do presidente eleito do Brasil sobre as mudanças climáticas. “Não podemos pedir aos agricultores e trabalhadores franceses que mudem seus hábitos de produção para liderar a transição ecológica e assinar acordos comerciais com países que não fazem o mesmo. Queremos acordos equilibrados”, alertou Macron, sem fazer menção direta a Bolsonaro.

Entregue ao G20 na Cimeira, que começou esta quinta-feira, em Buenos Aires, documento intitulado “Financiar o Clima do Futuro: Repensar as Infraestruturas”, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE, a agência da ONU para o Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente, e o Banco Mundial afirmam que os governos devem adotar uma agenda mais transformadora que invista na economia de baixo carbono e que seja resiliente ao clima.

Segundo o relatório das três organizações, só assim será possível alcançar a meta definida no Acordo de Paris de eliminar as emissões de dióxido de carbono na segunda metade do século.