Vermelho

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09/08/2018

Manuela: Segurança deve ser tratada sem populismo ou visões simplistas

Levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que a taxa de mortes violentas no Brasil atingiu 30,8 para cada 100 mil habitantes no ano passado, quando morreram dessa forma 63.880 pessoas em todo o país, um aumento de 3% em relação às 61.597 registradas em 2016.

Assim como a impopularidade de Michel Temer, os números da violência em 2017 bateram recorde, sendo os maiores da série histórica, iniciada em 2013.

“Mais um ano de tragédia no Brasil”, disse a deputada estadual gaúcha, Manuela D’Ávila, ao comentar os números da pesquisa em sua página nas redes sociais.

“São 50 anos de aumento da violência sem que o país realmente construa uma política séria e estruturada. Não são 1,5 milhão de brasileiros mortos desde que a Constituição foi promulgada. Esse precisa ser o assunto prioritário do novo futuro presidente e dos governadores, de forma séria e técnica, sem mais populismos ou visões simplistas”, completou.

Os dados mostram um aumento no número de pessoas mortas pela polícia. Foram 5.144 em 2017, uma média de 14 mortos por dia. Esse número representa um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o número de policiais mortos recuou 5%. Foram 367 no ano passado.

O levantamento mostra ainda que houve um aumento dos números relacionados à violência contra a mulher. O país registrou um aumento no número de mulheres assassinadas, sendo 4.539 no ano passado. E o número de mulheres estupradas alcançou 60.018 em 2017, 8% acima do que registrou no ano anterior.



Modelo que não traz solução

“O modelo pelo qual o país opta na segurança pública faz muitas vítimas”, avalia o diretor-presidente do fórum, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, em entrevista à Folha.

“O Brasil está lidando com o problema com receitas da primeira metade do século passado.” E numera: a legislação que regula polícias é de 1983, anterior à Constituição. As normas dos inquéritos policiais, de 1871, da época do Brasil Império. O Código Penal, dos anos 1940. E a lei de Execuções Penais, de 1984.

“Governos fizeram opção de investir em policiamento ostensivo, à margem das investigações”, diz a socióloga Samira Bueno, diretora-executiva do fórum. Segundo ela, apenas 8% dos homicídios no país são esclarecidos. “E são polícias que produzem muitas mortes e que têm morrido muito”, lembrou.