Vermelho

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01/08/2018

EUA financiam violência na Nicarágua, diz presidente Ortega

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, disse ter evidências suficientes para comprovar que a onda de violência que assola o país desde abril é financiada pelos Estados Unidos.

"Enfrentamos um potente inimigo, os EUA, que repetidamente invadiu a Nicarágua e continua interferindo nos assuntos da Nicarágua. Através de contas nos EUA, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e outras organizações norte-americanas fazem declarações sobre os milhões que são alocados à Nicarágua, à democracia, conforme dizem", assinalou Ortega em entrevista ao canal Euronews.

Segundo o presidente, o dinheiro alocado é utilizado depois para outras necessidades. "Desestabilizar o país, provocar a violência e estimular as ações armadas de gangues que têm cometido crimes desde 2007, quando voltamos a assumir o poder", destacou.

No dia 20 de julho, a USAID anunciou a alocação de US$ 1,5 milhões (R$ 5,59 milhões) adicionais para apoiar a democracia e os direitos humanos na Nicarágua. A assistência visa ajudar as organizações da sociedade civil, defensores dos direitos humanos e a mídia independente. O montante alocado se junta a aproximadamente US$ 10 milhões (R$ 37 milhões) que previamente foram aprovados para a Nicarágua pelo Congresso dos EUA como parte do orçamento da USAID.

A Nicarágua vive uma grave crise desde meados de abril, quando começou uma onda de protestos contra o governo que levou a duros confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

O governo desmente a existência de grupos de choque oficiais que provocam violência, como argumenta a oposição, e insiste que os protestos são promovidos por grupos "terroristas" que visam levar a cabo um "golpe suave" contra Ortega.

Desde que começaram as manifestações, Ortega se mostrou disposto a dialogar e uma mesa par as negociações de paz foi instalada. Porém, no mês passado, até mesmo os bispos da Igreja Católica, responsáveis por mediar este debate, foram atacados pela oposição.