Vermelho

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19/07/2018

Jandira faz alerta da redução da vacinação e volta de doenças fatais

Como médica e profissional de saúde, a deputada federal (PCdoB-RJ) Jandira Feghali fez um pronunciamento nas redes sociais alertando sobre a forte queda no número de vacinação dos brasileiros e o retorno de doenças antes erradicadas. A queda drástica no número de vacinados preocupa autoridades por risco de surtos e epidemias de doenças fatais.

Para Jandira, a redução da cobertura e a reintrodução de doenças como o sarampo é resultado de um quadro dramático de retrocessos que os brasileiros tiveram desde o golpe de 2016. "Retrocessos de todas as maneiras", afirmou Jandira.

"Nós tínhamos a cobertura vacinal de 99% e caiu em alguns casos para 75%, em um terço das cidades brasileiras, é algo estarrecedor, porque isso pode significar a entrada novamente de doenças que já estavam erradicadas no país. Nós já tínhamos erradicado varíola, poliomelite, difteria, tétano neo-natal, uma série de doenças, por cobertura de um programa de vacinação que era um sucesso no Brasil e referência no mundo e até 2015 nós cobrimos todas as metas e nos últimos dois anos começamos a reduzir".

Um exemplo é a poliomielite: a doença, responsável pela paralisia infantil, que estava erradicada no país desde 1990. Em 2016, no entanto, o país registrou a pior taxa de imunização dos últimos doze anos: 84% no total, contra meta de 95%, recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados de 2016 são parciais até outubro, mas emitidos após a campanha nacional de multivacinação, finalizada em setembro, aponta informações da BBC Brasil.

Segundo a reportagem, desde 2015, o país registra o desabastecimento de diversas vacinas. Do início de 2016 até junho desse ano, houve acesso limitado à vacina pentavalente acelular, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite provocada pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b e poliomielite. Também houve dificuldades com a BCG, que protege contra a tuberculose e é a primeira vacina dada ao recém-nascido.

Especialistas

A parlamentar contou que esteve em conversa nos últimos dias com diversos especialistas em vacinação e que recebeu dados estarrecedores sobre o assunto. Segundo eles, um dos principais responsáveis por este retrocesso na Saúde é o governo federal, através do Ministério da Saúde que perdeu a liderança como grande coordenador do programa de vacinação.

Para Jandira, isso ocorreu porque os ministros do governo Temer não são da área e não têm conhecimento da importância do programa de vacinação. Segundo ela, houve uma fragilização e redução dos recursos, inclusive na rede básica, de atenção da saúde da família. E citou redução de profissionais, de treinamento, de transporte das comunidades comunitárias.

Outro fator que contribuiu com a diminuição da cobertura vacinal foi a falta de comunicação e o permanente estímulo às famílias. "É preciso estimular a vacinação através de campanhas o ano inteiro, para que a população que não vê a doença acontecer não tenha a impressão de que não é importante vacinar, esse estímulo a vacinação deve ser feito o tempo inteiro, disse Jandira, inclusive é uma exigência do Bolsa Família", lembrou.

Com análise dos especialistas em mãos, Jandira citou as dados Alguns dados que foram identificados como as principais deficiências encontradas no setor como o mal funcionamento do sistema de informação, troca de informação do governo federal e dos municípios, perda de vínculo entre as comunidades. Segundo a deputada, esse vínculo se perdeu porque o governo federal que não respeita a sociedade e não tem relação democrática com a população. 

Para ela, o quadro é gravíssimo e coloca a população em risco, "em situação vulnerável à saúde do povo". E nesse momento é preciso recuperar a liderança do ministério para garantir que as famílias percebam a necessidade da vacinação e que as vacinas estejam à mão para que todos tenham acesso e que a gente volte a atingir as metas, afirmou Jandira.

"Promover a saúde não é só atender a doença, mas a prevenção", ponderou. "Esse enfraquecimento do Sistema Único de Saúde, essa fragilização do SUS (...) tem levado a essa impossibilidade de prevenir a doença e promover a saúde."

Confira abaixo a mensagem da deputada: