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14/06/2018

Especialista defende banco público como ferramenta desenvolvimentista

A economista Maria de Lourdes Mollo participou de debate promovido pelo deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) na CDEICS, nesta quarta-feira (13).

Por Ana Luiza Bitencourt

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) da Câmara dos Deputados discutiu, na manhã desta quarta-feira (13), o papel do sistema financeiro, dos bancos públicos e do BNDES no desenvolvimento.

O debate foi proposição do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que preside o colegiado. Ele esclarece que a iniciativa faz parte de um conjunto de audiências chamado “Painéis Setoriais”, que pretende abordar ferramentas para a retomada do desenvolvimento nacional e identificar os atuais entraves econômicos.

O parlamentar pontua que este é o momento ideal para a realização de debates sobre tais temas, já que estamos a quatro meses de uma eleição que definirá os novos rumos do país. Para ele, é a oportunidade ideal de a população acompanhar proposições e se familiarizar com diferentes ideias.

“É preciso que levantemos temas de interesse nacional em discussões feitas nas comissões. O espaço é para isso, é para dar luz aos brasileiros. Nestes debates centrais trataremos do futuro da nação, como estamos fazendo hoje ao falar de desenvolvimento econômico e do papel das instituições públicas e privadas para a saída da crise”, disse Almeida.

Durante a audiência pública, a professora de Economia da Universidade de Brasília (UNB), Maria de Lourdes Mollo, esclareceu que há duas vertentes dentro da especialidade que acreditam em diferentes abordagens desenvolvimentistas.

A primeira é a tradicional, uma visão ortodoxa neoliberal, que vê a poupança como ferramenta fundamental no processo de investimento, como seu financiador. “Como se fala em futuro, a taxa de juros, para esta teoria, não tem problema porque está estimulando a poupança”. Para ela, a saída é pela visão heterodoxa, que exige uma taxa de juros baixa, porque o mais importante é o investimento em si.

“Quanto menor é a taxa, maior é a probabilidade de que o investimento se dê, já que aproxima e atrai o público. Sem os investimentos, não se caminha para frente. Com ele, temos aumento de renda e de emprego multiplicados. A grande questão é o medo, a apreensão em investir porque não se sabe os resultados”, disse.

A economista também defendeu que existe um papel econômico para o Estado, que é exatamente para compensar a incerteza. Para isso, segundo a visão de Mollo, os bancos públicos têm papel fundamental e são ferramenta para a saída da crise.

“Um banco público não tem somente o objetivo de lucro, mas também o objetivo desenvolvimentista. E se isso for ditado pelo governo que controla as instituições financeiras, ele pode emprestar a taxas de juros mais baixas, e isso força os bancos a seguirem a tendência, incentivando investimentos e fazendo a economia girar e se recuperar”, falou.