Vermelho

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19/02/2018

Metalúrgicos demonstram força em atos contra reforma da Previdência

Camaçari (BA), ABC paulista, Chapecó (SC), Betim (MG). Rio de Janeiro e grande São Paulo são redutos metalúrgicos que resistem à reforma da Previdência Social proposta pelo governo de Michel Temer. Nesta segunda-feira (19), os trabalhadores do setor, que rearticulam o movimento unificado Brasil Metalúrgico, realizaram protestos e paralisações contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016 que altera as regras da previdência em prejuízo dos trabalhadores.

Por Railídia Carvalho

Na avaliação do presidente da Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal), Marcelino da Rocha, a unidade contra as reformas de Temer demonstrada pelos metalúrgicos nos atos desta segunda tende a se fortalecer. “Em reunião com a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Força Sindical neste dia será intensificada a organização do movimento Brasil Metalúrgico para construir novas ações, denunciar a desindustrialização, as consequências da reforma trabalhista e combater a reforma da Previdência”.

Marcelino destacou a paralisação nas empresas Teksid do Brasil e Tower em Betim considerando uma vitória dos trabalhadores e sindicato local em uma região onde as empresas são recorrentes em práticas antissindicais.

Para o dirigente da Fitmetal, a indignação da população contra a reforma da Previdência vem ganhando corpo. “A indignação aumenta entre a população mais pobre. O próprio esvaziamento da possibilidade de aprovação dessa reforma, que é também fruto da denúncia, mas também da pressão sobre os deputados que não querem correr o risco de não voltar para a Câmara nas eleições deste ano”, lembrou Marcelino.

A denúncia contra a reforma da Previdência continua nesta terça-feira (20) na base dos metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. Reunião realizada nesta segunda aprovou uma jornada de assembleias nas fábricas nas diversas regiões para manter os metalúrgicos mobilizados. Segundo Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi, o governo Temer não é confiável.

“A intervenção militar no Rio de Janeiro impede o Congresso Nacional de votar qualquer medida que altere a Constituição. Mas não vamos baixar a guarda. Vamos intensificar a ida às fábricas para orientar os trabalhadores e mostrar que esta é uma reforma para dificultar o acesso à aposentadoria, acabar com a Previdência e beneficiar os grandes grupos de previdência privada e, portanto, precisa ser barrada”, completou Miguel Torres para o site do sindicato.

Na sexta-feira (16) Michel Temer assinou decreto para que as Forças Armadas passem a comandar as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro até 31 de dezembro deste ano. A iniciativa do governo deverá ainda ser submetida ao Congresso Nacional, o que está previsto para acontecer nesta semana.

O decreto de Temer não desmobilizou os trabalhadores. No ABC paulista a orientação do sindicato dos metalúrgicos foi paralisação em diversas fábricas nas cidades de Diadema, São Bernardo e ainda Ribeirão Pires.

De acordo com a entidade, cerca de 50 mil trabalhadores cruzaram os braços em empresas como Ford e Mercedes Benz (foto à direita). “Já é uma greve vitoriosa. Ninguém saiu de casa porque os trabalhadores entenderam o que essa ‘deforma’ pode fazer nas nossas vidas”, afirmou ao site da CUT, Wagner Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, alertou sobre os objetivos da intervenção no Rio de Janeiro: “Além da arbitrariedade com o povo carioca, na verdade, o governo tenta, de maneira autoritária, buscar factóide para desviar a atenção do povo com relação à reforma da Previdência”.

Outras categorias

A mobilização contra a reforma da Previdência também foi realizada entre petroleiros, bancários, professores, trabalhadores rurais e diversos movimentos sociais em cerca de 15 capitais brasileiras. Escolas, agências bancárias, agências do INSS, aeroportos, terminais e linhas de ônibus e indústrias metalúrgicas foram paralisadas neste dias. São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro recebem no final da tarde ato político contra as reformas.