Vermelho

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13/09/2017

Lula: “Tenham a coragem de admitir: não há provas”

“Se eles estão com medo de que eu volte a governar esse país, é bom eles terem medo mesmo", disse Lula, depois de prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro, durante ato com movimentos sociais, em Curitiba. Numa Praça Generoso Marques lotada, ele afirmou: “Se querem me cassar, me prender, me condenar, achando que isso vai acabar com a luta… Considero cada um de vocês um Lulinha. Se um Lula incomoda muita gente, milhões incomodam muito mais”. 

Em muitos momentos do seu discurso, era difícil compreender o que Lula falava, devido aos gritos do público, que aplaudia e entoava gritos de guerra. O ex-presidente começou seu discurso reiterando sua inocência. “Eu quero que o Ministério Público, que é uma instituição que eu respeito, tenha a coragem de admitir: não tenho provas e menti”, afirmou.

“Não sou melhor do que ninguém, eu respeito a Justiça. A única coisa que eu peço é que quem está me acusando tenha a dignidade de, se não provar um real errado na minha conta, vá à mesma televisão onde me acusa pedir desculpas”, colocou.

O ex-presidente ressaltou seu compromisso com a verdade. “Sou um cidadão comum, só tenho quatro anos de escolaridade e curso do Senac, mas tenho a sensibilidade de entender o coração e a alma do nosso povo. Desafio eles a ter coragem de ir para a rua como tenho e abraçar cada mulher, cada homem e cada criança. Tenho comigo uma coisa que devo a vocês: a verdade. Jamais mentiria para vocês. Jamais enganaria vocês. Prefiro a morte a mentir para o povo brasileiro”, disse.

De acordo com ele, diante dos ataques, ele não fica nervoso, mas orgulhoso pelo fato de, apesar de vasculharem sua vida, não terem consigo provas de nenhum ilícito. “Tenho consciência do porquê dos ataques, tenho consciência por conta das mentiras que são contadas, mas em vez de ficar nervoso, fico orgulhoso. Foram mais de dois anos gravando Marisa e eu, a Dilma e eu, meus filhos e eu, invadindo a nossa casa até agora, ainda não encontraram nada”, discursou.

Lula disse ainda que o seu grande “erro” foi ter sonhado alto. “Sonhei em fazer a Petrobras a maior petroleira do mundo. Sonhei em fazer esse país uma indústria naval competitiva, sonhei em fazer uma energia limpa, a começar pelo etanol. Sonhei que era possível fazer uma empregada doméstica fazer a filha cursando uma faculdade. Sonhei que era possível fazer as pessoas mais humildes fazerem faculdade (...) sonhei que o Brasil tinha que pagar a dívida de 300 anos com a África e que o Brasil poderia virar protagonista internacional e ser respeitado pelos Estados Unidos e pelo mundo inteiro.”

Segundo o petista, “nenhum humano ou estadista resiste à sangria e ao ódio da elite perversa que domina o mundo”. “Mas não vou cansar. Quem quase morreu de fome no Nordeste aos quatro anos não tem medo. Vou provar que a gente vai consertar esse país.”

Sob gritos de apoio , Lula disse que vai lutar até o fim. “Não sei quantos processos tenho. Não sei se eles vão cansar, mas eu não vou.”

Confira o ato dos movimentos sociais com presença de Lula: