Vermelho

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13/09/2017

Ato na Câmara marca luta contra desmonte de Temer

O caráter entreguista de Michel Temer foi exposto e deslegitimado na tarde desta quarta-feira (13), na Câmara. Durante ato promovido pela Comissão de Legislação Participativa (CLP) – atendendo às requisições das Lideranças do PCdoB, Psol, PT, Rede, PDT e Minoria, e das frentes parlamentares em Defesa da Soberania Nacional e em Defesa da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) –, deputados e entidades sociais apontaram os ataques do governo à população e ao país.

Por Ana Luiza Bitencourt

Desde que se instalou no Palácio do Planalto com o golpe, Temer avança desenfreadamente com seu plano de desmonte do Estado brasileiro. A venda de empresas públicas ligadas a setores estratégicos como transportes, energia, portos e aeroportos compromete qualquer possibilidade de retomada do desenvolvimento, e ataca a diretamente a soberania nacional. Isso sem contar na tentativa de entregar grande área da Amazônia, repleta de recursos minerais, à exploração do capital estrangeiro.

A líder do PCdoB na Câmara, deputada Alice Portugal (BA), destacou o caráter unificador do ato, que foi chamado por ela de ‘uma reunião de trabalho’, “já que entre todos nós está clara a matriz autoritária do governo, que fez com que as elites, em todos os momentos de ascensão, articulassem golpes”.

“Eles não suportaram o êxito dos mais pobres. Neste momento, o governo ilegítimo está colocando as unhas de fora e dizendo a que veio o golpe. Eles estão aqui para derrotar as conquistas e a soberania do país com suas reformas ultraliberais. Precisamos nos armar de argumentos para enfrentar a onda conservadora que vem através de Temer, que foi, inclusive, apontado ontem pela Polícia Federal como chefe de quadrilha”, defendeu a deputada.

O pacote entreguista do governo inclui os Correios, a Infraero, a Eletrobras (maior companhia de energia elétrica do país, essencial para manter a conta de luz acessível ao bolso do povo) e até a Casa da Moeda do Brasil – empresa pública fundada em 1694, responsável pela fabricação do dinheiro brasileiro e de documentos como os passaportes, entre outros produtos essenciais.

Dezenas de trabalhadores da Casa da Moeda viajaram 20 horas de ônibus para representar os mais de 2.700 funcionários da empresa no ato. Aluizio Junior, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da estatal, estava entre eles, e destacou o papel histórico de mais de 323 anos da Casa da Moeda e o enfrentamento que deve e está sendo feito.

“Coube a nós, à nossa geração, defender não somente nossos empregos e o futuro das nossas famílias, mas também uma empresa que contribui muito para a história da nação. Se não existe soberania sem domínio do território, imagina se o país não fabricar a própria moeda! Esse governo não tem legitimidade para desfazer um patrimônio nacional, eles querem entregar nosso dinheiro para ficar sob domínio do estrangeiro. Mas não permitiremos, a Casa da Moeda é do Brasil”, bradou Junior.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) aplaudiu o engajamento dos trabalhadores e representantes de movimentos sociais, enaltecendo seu papel de luta. “Os protagonistas são vocês. Nós estamos aqui apenas para dizer que contem conosco, preferimos morrer lutando do que acovardados, como vocês mesmos disseram aqui. Não vivemos apenas um retorno ao neoliberalismo, é muito pior. Estão voltando a transformar nosso país, a oitava economia do planeta, à era do colonialismo”.

Com o intuito de beneficiar o mercado privado, bancos públicos também estão sendo atacados pelo governo Temer, tendo à frente o BNDES, que, nas últimas décadas, tem garantido recursos necessários para os projetos de empresas brasileiras na área de inovação e ampliação de exportações de bens e serviços para outros países. O pretexto para tudo isso é o déficit de R$ 159 bilhões, que está relacionado à equivocada política de austeridade encampada pelo governo ilegítimo.

Para a vice-líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), este é o momento de o Brasil mostrar que não é “um subpaís, uma subpopulação para perder a altivez para ninguém, país algum, estrangeiro algum”.

“Quem poderia imaginar que um governo iria submeter decisões ao capital sobre nossa água, energia, diversidade, recursos? O que vemos hoje, com a democracia ferida, é que, ou nós viramos o jogo, ou viraremos uma verdadeira república das bananas. Não seguraremos essa avalanche de perdas e derrotas se nos limitarmos aos muros do congresso e às paredes dos sindicatos. Isso precisa chegar ao povo, precisamos nos levantar com tudo”, defendeu Jandira.

Seguindo a sugestão da deputada, Paulo Vinicius Santos da Silva, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e do Núcleo de Base dos Bancários, propôs maior articulação entre movimentos sociais e entidades, de forma suprapartidária, para que sejam realizados grandes atos pelo país que promovam a defesa das empresas públicas. “É preciso unificar nosso campo e dividir o do adversário para barrar essa agenda demoníaca. Não podemos recusar nenhum tipo de luta ou de estratégia”.

Com a série de ataques decisivos ao futuro do país e à soberania – que reside em organizar sua sociedade, economia, seu Estado, seu sistema político e sua defesa –, abrem-se as portas para a exploração predatória do território nacional e de seus recursos. Se depender da União Nacional dos Estudantes (UNE), isso não ocorrerá. Sua presidente, Marianna Dias, colocou a entidade à disposição para o embate.

“Há 80 anos a UNE defende o povo e nossas riquezas de forma muito brava, já vimos muita luta. Mas Michel Temer é um dos maiores traidores já visto na história do Brasil. São medidas e ações de quem não ama seu país, de quem não entende que este é um país soberano, rico, de conhecimento vasto e ciência desenvolvida. Mas ele só vai destruir o Brasil por cima de nós. A minha geração não será de covardes. Vamos lutar, defender e fazer a nação prosperar e vencer”, explicitou a jovem.

As Lideranças do PCdoB, Psol, PT, Rede, PDT e Minoria, aliadas às frentes parlamentares em Defesa da Soberania Nacional e em Defesa da Companhia Hidroelétrica do São Francisco, aproveitaram o ato para lançar um manifesto de repúdio às maléficas privatizações de Michel Temer. Intitulado “Querem Vender o Brasil – O Brasil não está à venda!”, o documento será amplamente distribuído, inclusive até chegar às empresas estrangeiras para que elas saibam que o país é do povo e que haverá resistência e luta.