Sem surpresa: Freire desiste para apoiar candidato da direita

Atualizada às 19h

O deputado Roberto Freire (PPS-PE) anunciou nesta quinta-feira que retirou sua pré-candidatura à Presidência da República. O partido deverá definir o apoio ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mas

O Partido Popular Socialista (PPS) abdicou de sua condição de partido de esquerda e, diante de uma disputa presidencial polarizada, preferiu aliar-se aos setores mais conservadores do espectro político nacional.
O presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (PE), anunciou hoje que não irá mais disputar a Presidência da República e tende a apoiar o candidato do PSDB-PFL, Geraldo Alckmin. Uma convenção neste mês decidirá se o apoio será formal ou não. Há mais de um mês que a candidatura de Freire já havia sido descartada internamente. Hoje, esta opção tornou-se pública.
Em reiteradas conversas com Alckmin e outros cardeais tucanos, Freire havia acertado duas opções: manter sua candidatura e, sabendo que não passaria dos 5% dos votos, utilizá-la para fazer o jogo sujo para o PSDB, atacando violenta e diariamente o governo Lula. Em troca, integraria o governo do PSDB em caso de vitória dos tucanos. A outra opção era apoiar formal ou informalmente o PSDB já no primeiro turno e assim permitir que alianças eleitorais dos Estados se viabilizassem. Por este acerto, algumas candidaturas tucanas a governador podem naufragar para dar apoio a candidatos do PPS. É o caso do Rio de Janeiro, onde o PSDB pode retirar a candidatura de Eduardo Paes para apoiar a candidata do PPS, Denise Frossard. No Paraná, os tucanos também devem engavetar o projeto de candidatura própria e apoiar o candidato do PPS, Rubens Bueno. Os tucanos também podem apoiar candidaturas do PPS no Mato Grosso e no Acre.
 

O presidente do PPS explicou que o partido não sairá só na disputa pela Presidência da República porque a prioridade são as eleições estaduais, fundamentais para que o partido atinja a cláusula de desempenho nas eleições de outubro — exigência de 5% dos votos nacionais para a Câmara, garantindo o acesso aos recursos do Fundo Partidário e o tempo de propaganda no rádio e na tevê. "Para atingir a cláusula de desempenho é mais importante ter bons palanques nos estados do que ter candidato a presidente", disse Freire.

Freire chegou a esta conclusão após ser lembrado que em nenhuma pesquisa feita até agora o candidato do PPS conseguiu ultrapassar os 3% das intenções de voto, o que já é muito se for levado em conta que, em 2002, Roberto Freire obteve uma votação pífia para deputado e escapou por pouco de não ter sua carreira política brecada pela vontade das urnas.

Briga com o PDT

Antes de desistir oficialmente da disputa, o PPS ainda tentou costurar uma aliança com o PDT, mas a articulação esbarrou nos interesses regionais e no revanchismo anti-petista de Roberto Freire.

"O Cristovam não é o melhor nome para o confronto. Ele faria uma campanha na defensiva. Se for assim, o melhor é uma aliança com o Alckmin", provocou Roberto Freire.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, devolveu a provocação do neo-alckmista afirmando que "Vamos disputar a eleição com a nossa cara e coragem. Ousadia para deixar a nossa marca".

Já Cristovam Buarque afirmou que há um vício na esquerda, que precisa ser superado, de ser oposicionista ao invés de ter propostas para o país. "Sou de uma geração da esquerda que tem propostas para o Brasil. Me ocupo menos em me opor e mais em propor. É muito pouco ser contra o presidente Lula e o tucano Geraldo Alckmin, um candidato tem que representar uma alternativa", disse Cristovam contestando Freire.

"O PPS tem tudo para ser um partido ideológico, mas não assume o risco de defender suas idéias. O PPS está colocando interesses locais e conjunturais acima dos interesses nacionais e estruturais", criticou Cristovam.

Eleição polarizada

Com a desistência de Freire, a disputa presidencial caminha para um cenário altamente polarizado com apenas quatro candidatos. O PMDB tende a não lançar candidato. PSTU e PCB já formalizaram apoio a Heloisa Helena. PTB, PP e PL não lançarão candidatos nem apoiarão formalmente nenhuma candidatura presidencial no primeiro turno. O PDT ainda mantém a pré-candidatura do ex-ministro e ex-petista Cristovam Buarque, mas este também deve anunciar sua desistência nos próximos dias, pois os comitês regionais do PDT, assim como os do PPS, não querem sacrificar as disputas estaduais em nome de um candidato que tem tudo para chegar em último lugar na disputa. O deputado Enéas Carneiro, do Prona, recebeu recomendação médica para não encarar uma campanha presidencial pois ele ainda se recupera do recente tratamento contra leucemia, que o obrigou a tirar a famosa barba que o caracterizava. Assim, sobram apenas quatro candidatos na disputa: Lula, Alckmin, Heloísa Helena e, possivelmente, José Maria Eymael (PDC) – esse último o da musiquinha "ei-ei-Eymael, um democrata cristão". Eymael mantém a candidatura na esperança de poder "terceirizar" o generoso espaço que terá no rádio e na TV para quem lhe fizer a melhor proposta.

Da redação,
Com informações das agências