De Olho no Mundo, por Ana Prestes

O que há de importante nas relações internacionais.

Por Ana Prestes*

Mourão - Foto:Adnilton Farias / VPR.

Segundo nota do Itamaraty, a 5ª reunião da COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação) realizada no último dia 23, com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão, concluiu pela “excessiva concentração das exportações brasileiras para a China em um grupo restrito de produtos primários” e foi reafirmado um compromisso bilateral de “criar condições para a diversificação e o aumento do valor agregado dos produtos vendidos pelo Brasil para a China. O Brasil solicitou celeridade nos processos de certificação de aeronaves”. De 2004 (data em que foi criada a Cosban) até 2018, o comércio bilateral Brasil – China cresceu 11 vezes, de 9 para 99 bilhões de dólares.

Ainda na China, na última sexta (24), Mourão foi recebido no Palácio do Povo, em Pequim, pelo presidente Xi Jiping, que disse ao general: “os dois lados devem continuar se vendo como parceiros e oportunidades para o seu próprio desenvolvimento. Devem respeitar-se, apoiar-se, ter confiança um no outro e construir as relações China-Brasil como um modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”. Há dois pontos sensíveis que permanecem após visita de Mourão, se o Brasil limitará o papel da Huawei nas redes 5G do país, seguindo os EUA, e se o Brasil vai aderir formalmente (via memorando de entendimento) à Nova Rota da Seda, a exemplo de outros 14 países latino-americanos.

Depois de muito questionamento por parte do governo brasileiro e disse me disse, o governo dos EUA reiterou na Reunião Ministerial do Conselho da OCDE, do dia 23 de maio, em Paris, seu apoio ao pedido de adesão do Brasil à organização, como membro pleno. Todos os demais integrantes da OCDE já apoiam, segundo o Itamaraty.

E a última semana terminou com a renúncia da primeira ministra britânica e pretensa líder do Brexit, Theresa May. O anúncio foi feito na última sexta (24), três anos após outro premier, David Cameron, também haver renunciando por causa do Brexit, na época ele caiu após o referendo aprovar a saída da União Europeia. A renúncia efetiva de May passa a valer em 7 de junho. Ela ainda será a anfitriã de Trump entre 3 e 5 de junho. Em seu pronunciamento em frente ao número 10 da Downing Street, em Londres, May disse que “ocupar este cargo foi a maior honra da minha vida. Fui a segunda mulher a ocupar o cargo, mas não serei a última”.

A renúncia de May abriu passagem para Boris Johnson, ex-prefeito de Londres entre 2008 e 2016, um dos maiores defensores do Brexit dentro do Partido Conservador. Tendo sido um dos maiores garotos propaganda do Brexit durante o referendo, após sua aprovação chegou a defender a saída “a seco” ou “dura”, prescindindo de um acordo de saída com a UE. Johnson chegou a ser ministro das relações exteriores do RU durante o mandato de May, mas deixou o cargo em 2018 deixou o governo por discordar do rumo que as negociações de May com a UE estavam tomando. A ver se o partido conservador escolherá ele para apresentar ao parlamento que deverá aprovar o novo primeiro ministro, estão no páreo também Jeremy Hunt (atual ministro das relações exteriores), Michael Gove (ministro do meio ambiente) e o deputado Dominic Raab (ex-ministro da pasta do Brexit). Os conservadores devem levar o novo primeiro ministro, pois ainda tem maioria no Congresso em aliança com o DUP, partido norte-irlandês.

A renúncia de May se deu em meio às eleições para o parlamento europeu dos últimos dias. O Partido do Brexit, de acordo com as apurações, está liderando, tendo obtido a maioria dos votos, à frente dos liberais democratas, trabalhistas, verdes e conservadores, nesta ordem.

O parlamento europeu passou por eleições nos últimos dias. A casa legislativa existe desde 1979 e desde então os cidadãos de todos os países da União Europeia elegem os representantes (hoje 751) que vão ser a voz de 28 Estados-membros e 512 milhões de habitantes. O parlamento europeu possui três sedes de funcionamento, em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo. Um fenômeno notado nos últimos anos é o aumento do número de parlamentares populistas de direita e eurocéticos na composição do parlamento europeu. Em 2009 eram 11%, em 2014 passaram para 20% das cadeiras e enquanto escrevo está sendo fechado o cenário do recém-eleito parlamento europeu. Outro fato interessante e preocupante é que tem diminuído ao longo do tempo e na eleição de 2014 teve a média de 42%, fato que parece estar sendo revertido em 2019.

As notícias que começam a ser difundidas apontam para uma maior participação de votantes para o Parlamento Europeu em 2019, com uma taxa de 51%. Os partidos de centro perderam a maioria absoluta, liberais e verdes aumentaram sua participação, assim como os grupos de extrema direita e os eurocéticos, em especial pelas vitórias na Itália e na França. Por décadas o EPP (Partido Popular Europeu) de centro-direita e o S&D (Aliança Progressista de Socialistas e Democratas), ambos pró-europeus, formaram mais de 50% das cadeiras, fato que não ocorreu em 2019. Precisarão se aliar para terem maioria. Já o ALDE (Aliança de Democratas e Liberais pela Europa), também de centro e pró-europeu, cresceu em número de cadeiras. Outros que surpreenderam em 2019 foram os verdes do Partido Verde Europeu, que aumentaram em 3% suas cadeiras, foram fortes na Alemanha (segunda força) e também na Finlândia, França e Portugal. Os eurocéticos vieram divididos em três grupos: o ECR, o EFDD e o ENF, respectivamente, Conservadores e Reformistas Europeus, Europa da Liberdade e da Democracia Direta e Europa das Nações e da Liberdade. Em seu conjunto, cresceram cerca de 10% de 2014 para cá. Liderados por Salvini, da Itália, eles querem criar um bloco nacionalista no parlamento europeu chamado Aliança Europeia dos Povos e das Nações, podendo vir a se tornar a segunda força no Parlamento Europeu.

Na Bélgica, capital do parlamento europeu, as eleições europeias foram concomitantes com a eleição local e surpreendeu o resultado do PTB (Partido do Trabalho da Bélgica), de orientação marxista-leninista, por ter tido um salto de 2 para 12 deputados federais e 30 parlamentares para os parlamentos regionais (são quatro).

Em meio à elevação da tensão com o Irã, os EUA prometeram enviar cerca de 1,5 mil soldados ao Oriente Médio, Trump disse que são “poucos mas especiais”. No começo do mês os americanos já haviam enviado porta-aviões, bombardeiros e mísseis Patriot ao Oriente Médio.

As negociações entre Mercosul e União Europeia para um acordo comercial pareciam avançar nas últimas semanas quando um comunicado do ministro da Agricultura francês chegou com os seguintes dizeres: “a França não ratificará nenhum acordo que prejudique os interesses dos agricultores e consumidores, as exigências de qualidade sanitária e alimentar das normas europeias e os nossos engajamentos ambientais do Acordo de Paris”. As negociações já duram 20 anos e o acordo nunca pareceu tão próximo.

Governo e oposição venezuelana voltarão a conversar em Oslo, na Noruega, nos próximos dias. Maduro e Guaidó confirmaram o envio de representantes.