Mundo

11 de fevereiro de 2018 - 17h37

 Milhares vão às ruas na Itália contra o fascismo

Foto: Fabio Falcioni
   

Outras concentrações também decorreram pelo país, incluindo em Milão, onde uma manifestante exibia um cartaz onde implorava: "Estrangeiros, não nos deixeis sós com os fascistas", referiu a agência noticiosa France-Presse (AFP).

Em Piacenza (norte), registaram-se breves confrontos entre várias dezenas de manifestantes antifascistas e forças policiais.

Em Macerata, onde as autoridades receavam incidentes, os manifestantes, alguns provenientes de outras regiões, responderam ao apelo de organizações antifascistas, organizações não governamentais, sindicatos, mas também de diversas formações políticas de esquerda.

No cortejo (calculado em 10.000 pessoa pelas autoridades e em 30.000 pelos organizadores), muitos agitaram bandeiras vermelhas e negras e entoaram clássicos como "Bella ciao", mas alguns também exibiam bandeiras italianas.

Há uma semana, Luca Traini, um homem jovem de cabelo rapado e tatuagens de inspiração fascista, disparou sobre uma dezena de africanos em diversos locais da cidade, provocando pelo menos seis feridos.

Luca Traini afirmou ter agido para vingar a morte de Pamela Matropietro, uma jovem de 18 anos cujo corpo foi descoberto cortado em pedaços, após o anúncio da prisão de um 'dealer' nigeriano suspeito de envolvimento neste crime.

Dois outros nigerianos foram detidos, posteriormente, e o procurador anunciou hoje que o inquérito está "encerrado" e se tratou provavelmente de um homicídio voluntário, enquanto também admitia a tese de uma 'overdose'.

O ministro do Interior da Itália, Marco Minniti, que é da legenda governista de centro-esquerda Partido Democrático (PD), fez apelos contra o fascismo e o nazismo. "Não tem nenhuma razão que possa justificar um ato criminal de um criminoso. O único ponto de conexão entre as vítimas era a cor da pele, o que faz toda essa história ser inaceitável", disse. "O fascismo na Itália morreu para sempre e não deixou uma lembrança boa ao nosso povo", completou. 

A três semanas das eleições legislativas de 4 de março, este crime e o tiroteio racista colocaram o tema da imigração no centro de uma campanha eleitoral dominada por discursos muito à direita.


 Fonte: Diário de Notícias e Ans

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