Cultura

10 de fevereiro de 2018 - 10h09

Filme mostra ocupações nas escolas sob o olhar dos estudantes

Foto: Reprodução
   

A reestruturação seria feita a partir do fechamento de escolas e da proposta de manter apenas um ciclo por unidade. Como percebemos no documentário, essa lógica estaria atrelada ao pensamento defendido pelo governador, ou seja, basicamente o de cortar gastos públicos. Essa medida não teria bases para a melhoria da educação e iria afetar negativamente grande parte dos estudantes, tanto que ela não foi discutida com a comunidade estudantil.

Vemos relatos, por exemplo, de alunos que estudaram a vida inteira em uma escola e que, depois dessa proposta de modificação, teriam que migrar para outras unidades que estariam longe de suas casas. Isso poderia levar ao aumento da evasão escolar.

O ensino público em São Paulo (e no Brasil) não seria resolvido simplesmente pela reestruturação. A péssima infraestrutura escolar e a má valorização dos professores seriam aspectos mais importantes para se consertar e melhorar a educação. Notamos isso no depoimento de alunos que dizem estar aprendendo mais durante as palestras feitas nas ocupações com temas como o feminismo, do que na vida escolar inteira.

Um dos pontos (talvez o mais) positivo do documentário é interpretar as ocupações pela visão que mais importa, ou seja, a dos estudantes. Muitos dos fatos que aparecem nele a grande mídia nacional não procurou mostrar, focando-se nos embates entre a polícia e os alunos durante manifestações. A relevância de uma outra perspectiva se nota quando os ocupantes passam a ter aulas de filmagem para reproduzir a realidade na qual estavam vivendo. Assim, a abordagem feita por Pronzato é mais justa, já que se propõe a ouvir e expor as opiniões da comunidade estudantil – fato que Alckmin, definitivamente, não fez.




Fonte: Fundação Perseu Abramo

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