Brasil

8 de fevereiro de 2018 - 12h52

Planalto tenta comprar apoio de influenciadores na web e é rejeitado


Reprodução da Internet
   
A bola da vez é a busca aos influenciadores digitais. De acordo com informação divulgada pelo site Poder360, pelo menos três usuários do LinkedIn, que possuem alto número de seguidores, publicizaram a “investida” governista para defender a reforma.

Flavia Gamonar (673 mil seguidores), Murillo Leal (255 mil seguidores) e Matheus de Souza (86 mil seguidores) relataram em seus perfis ter declinado a proposta.

Professora de pós-graduação da Universidade Estadual Paulista, Flavia Gamonar afirmou na rede social que ela poderia “cobrar o que quisesse” que o governo bancaria. “Há valores que compram carros e viagens incríveis, mas nenhum paga o compromisso com quem você é e o que acredita, com dormir com a consciência tranquila”, escreveu.

Considerado o terceiro brasileiro mais influente no LinkedIn em 2016, o colunista Matheus Souza também relatou o contato do governo federal: “Ontem [6.fev.2018] acordei com um “convite” do governo federal para falar (bem) da Reforma da Previdência”. E emenda: “Posso listar uma série de fatores que me fizeram dizer ‘não’.”

Outro procurado foi Murillo Leal, jornalista e palestrante. “Diziam representar a parte publicitária do governo. Era um “convite” do governo federal. Sendo influenciador aqui, queriam que eu escrevesse (positivamente) sobre a reforma da Previdência”, escreveu Murillo na rede social.

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que a prática é “comum”, mas negou ter autorizado os contatos a usuários do LinkedIn.

“É uma prática comum do mercado de comunicação utilizar-se de porta-vozes para transmitir mensagens à sociedade.

Também é pratica usual de empresas que oferecem esse tipo de serviço, atuarem proativamente e apresentarem propostas comerciais a marcas e governos. Para isso, consultam antecipadamente, os possíveis contratados, para saber de sua disponibilidade em participar ou não com tais depoimentos.

O governo não solicitou os contatos aos usuários do Linkedin e a proposta apresentada não foi autorizada”, diz a nota do Planalto.

Propaganda é tudo

Nesta semana, o governo ampliou sua campanha pró-reforma nas redes sociais e na TV. Na segunda-feira (5), publicou uma série de vídeos para tentar “viralizar” uma onda a favor proposta na internet. Nas peças, pessoas com aparência humilde e até com dentes faltando dizem que o Norte e o Nordeste vão sofrer sem a reforma.

O discurso é o mesmo que vem sendo adotado nas entrevistas dadas pelo presidente e seus aliados, tentando transmitir o terror em caso de não aprovação da matéria.

Isso tudo porque Temer ainda não tem o mínimo de 308 votos para aprovar a emenda constitucional na Câmara.

Esta semana, o relator da matéria chegou a apresentar uma nova versão do texto na tentativa de reduzir a insatisfação e conseguir os votos que faltam. No entanto, a batalha parece perdida, visto que desde o final de 2017, quando o governo adiou pela primeira vez a votação, não conseguiu um voto a mais a favor do texto. 


Do Portal Vermelho, com Poder360

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