Brasil

5 de fevereiro de 2018 - 22h20

Luciano Siqueira: As consequências da condenação de Lula 


Luciano Siqueira, vice-prefeito de Recife, fala sobre os desafios da conjuntura atual Luciano Siqueira, vice-prefeito de Recife, fala sobre os desafios da conjuntura atual
Em sua fala, Luciano reforça ainda a decisão do PCdoB de se manter solidário a Lula, mas, ao mesmo tempo, investir na candidatura própria à Presidência da República, apresentando Manuela D’Ávila como pré-candidata. Ele também aponta o que fazer agora para que se avance no debate visando “melhorar a luta do nosso povo pela democracia, pela liberdade e pela soberania do nosso país”.

O vídeo foi gravado no Parque 13 de Maio, no centro do Recife, local escolhido, segundo Luciano, por ter sido palco de inúmeras manifestações populares nas décadas de 1940/1950 “pela democracia, pela liberdade, pelos direitos fundamentais do povo do Recife e de Pernambuco, e para marcar o fato de que a condenação de Lula é parte da trajetória de luta do povo brasileiro”. A conversa foi publicada pelo jornal online La Voz de Los Barrios, de Buenos Aires.

As consequências da condenação de Lula

Lula condenado em segunda instância, ameaçado de prisão e correndo o risco, inclusive, de ter impugnada sua pré-candidatura à Presidência da República. E agora, o que fazer? É a pergunta que muitos fazem e, provavelmente, você está fazendo nesse instante.

Lula foi investigado por mais de três anos de forma exaustiva, nos detalhes, até o ponto de, como ele próprio diz, abrirem os colchões de sua residência. Lula depois de ter toda sua vida pesquisada pelos procuradores, pela Polícia Federal, é condenado com base em indícios como disse um dos procuradores da Operação Lava Jato “quando não se tem provas pode se condenar por indícios”. O que é um absurdo. Eu não sou um advogado, talvez você não seja um advogado, mas nós sabemos, dizem os juristas, diz a Constituição do país, que para condenar alguém é preciso ter provas, e não há provas contra o ex-presidente Lula.

O que fazer agora? Há muita coisa a fazer. Uma é continuar resistindo, continuar na solidariedade, o apoio, ao presidente Lula. O próprio PT, o Partido dos Trabalhadores, tem afirmado que vai manter a pré-candidatura de Lula até o fim. Mas, não basta só isso. É preciso, sobretudo, neste instante da vida do país em que se aprofunda a crise, em que a agenda de Temer aniquila as salvaguardas as soberania do país, avança sobre os direitos fundamentais dos trabalhadores e do nosso povo e restringe, cada vez mais, a democracia, desmoralizando a prática política, nós temos uma agenda, uma pauta de debates muito importante, a ser encaradas desde agora, concomitantemente com a solidariedade ao presidente Lula.

Retomada do desenvolvimento

Por isso, que o nosso partido, o PCdoB, apresenta a pré-candidatura da deputada estadual (RS) Manuela D’Ávila; o PDT do ex-ministro Ciro Gomes, e outros partidos ensaiam também apresentar suas candidaturas, no campo da oposição. Para quê? Para elevar o nível do debate, para aprofundar temas fundamentais, como, por exemplo, não é possível que um país da dimensão do nosso, das atuais circunstâncias do mundo, possa retomar seu desenvolvimento sem pesados investimentos públicos em infraestrutura. Como fazer isso com o aniquilamento das empresas estatais? Como fazer isso com esse esgarçamento do nosso poderio estatal de indução do desenvolvimento que vem sendo feito por Temer e seu grupo? A Petrobras, por exemplo, está vendendo ativos fundamentais a preço de banana o que é um crime de lesa-pátria.

Mas, é preciso também enfrentar outros problemas. Por exemplo, o governo diz agora que a inflação caiu, mas caiu por quê? Principalmente, porque diminuiu a demanda. As pessoas não estão podendo comprar, não vão comprar, e a inflação cai. Os juros estão baixos? Nominalmente, sim. Entretanto, com a inflação baixa as atuais taxas de juros continuam sendo estratosféricas, uma das maiores do mundo. Isso inibe investimentos produtivos. Como resolver a restauração de direitos fundamentais dos trabalhadores, que estão sendo solapados? Como garantir que o Judiciário, o Legislativo e o Executivo possam cumprir os papéis que lhe cabem, conforme a Constituição, sem esse entrelaçamento, sem esse bate-boca diário que só aprofunda a instabilidade do país? Em outras palavras, como também recuperar a indústria e a engenharia nacional, a nossa capacidade de implementar o desenvolvimento econômico com inclusão social com soberania e de maneira sustentável?

Plataforma única

Basta anunciar, assim, brevemente, esses pontos para as pessoas compreenderem que a nossa tarefa, além de lutar pelos interesses imediatos, no cotidiano; além de continuar protestando e denunciando a perseguição ao presidente Lula, este é um momento de muito debate, de muita discussão, e nossos partidos, os partidos da oposição, só têm um dever: o de oferecer propostas para que se possa constituir uma plataforma comum, ou seja, um conjunto de proposições para superar a crise do país, retomar o desenvolvimento do país com inclusão social e dar novos passos para retomar aquilo que nós vínhamos vivendo nos dois governos Lula e no primeiro governo Dilma, que era um ciclo de transformações sociais favoráveis aos interesses do nosso povo.

Manuela D’Ávila, pré-candidata pelo PCdoB à Presidência da República, vem dando uma contribuição importante nesse sentido, de diversas formas, indo a debates, gravando vídeos, participando de atividades públicas e sustentando, sim, um discurso coerente, responsável, consistente, de proposições para livrar o país da crise e encontrarmos um novo caminho.

Se nós constituirmos uma plataforma que possa unir nossas forças, que sabe possamos ter uma única candidatura do nosso campo oposicionista à Presidência da República. Ou não. Podemos ter mais de uma candidatura e deixar para celebrar a unidade de todos em um eventual segundo turno. Essas são hipótese, esses são os caminhos da luta neste instante. Quero que todos participem ativamente desse debate e dessa tentativa de fazermos avançar a luta do nosso povo.



 Assista abaixo a íntegra do bate-papo de Luciano Siqueira: 




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