Brasil

20 de janeiro de 2018 - 10h42

Lcio Monteiro, presente!


   
Para os comunistas, quando um grande companheiro de lutas morre, o exemplo e sua dedicao luta permanece e inspira ainda mais os camaradas. E essa representao acontece atravs da mensagem: Lcio, presente!

O membro do Comit Central do PCdoB Renildo Calheiros, ex-prefeito de Olinda, recordou a trajetria poltica de Lcio. "Era um revolucionrio dedicado, destemido e com larga compreenso do processo poltico", sublinhou Renildo e contou: 

"Era o Ano de 1982.Toda sexta-feira a gente almoava no restaurante universitrio da UFPE e partamos para a cidade do Cabo. Chegando l nos juntavamos com Gregorio , Jason, Ana, Alberto e muitos outros militantes da campanha de Lucio Monteiro para prefeito.
Lucio era altamente politizado, avesso ao fisiologismo, sempre abordava as questes tentando elevar o nvel de compreenso das pessoas.

Fazamos reunies, caminhadas, porta-a-porta, pichaes, comcios, colagens e tudo mais.
Foi uma campanha acirrada. Lucio estava filiado numa sub-legenda do PMDB onde tambm disputava Elias Gomes, o adversrio era o ex prefeito Zequinha da Bolacha, muito forte no povo.

A eleio foi resolvida com a soma dos votos das sub-legendas, foi a maneira de derrotar o PDS e Elias ficou a frente de Lucio por 1000 votos aproximadamente. Na poca essa vitria foi atribuda a Arraes que na reta final da campanha foi para o Cabo apoiar Elias. Arraes estava com o prestgio em alta.

Lucio nunca se lamentava, era um revolucionrio dedicado, destemido, disprovido de sentimentos menores e com uma larga compreenso do processo poltico.

Lembro bem da casa de Lucio. Ele morava no centro da cidade, por la passavam muitas pessoas e os meninos de Lucio, muito pequenos, ficavam correndo por dentro de casa e pulando em cima das cadeiras. Ele, Lucio, conversando ao lado, tranquilo e sem nenhuma perturbao, no se incomodava com aquele cenrio, compreendia que aquelas circunstncias comportavam todos os personagens. Estas cenas esto gravadas em minha memria como se fossem um filme da Tuca.

Lucio era engenheiro, sempre risonho, mas pode ser considerado economista, professor, filsofo, socilogo, advogado, contador e outras coisitas mais. Lucio era mesmo um pensador, um guerreiro, um grande humanista.

Lucio tinha um jeito meio distrado, sempre de bem com a vida. No gostava de brigas e era muito estudioso. Lucio estava sempre onde a gente esperava que ele ia estar.
Junto com Marcelino passei vrios fins de semana numa casa que Lucio tinha em Gaibu. Ele era um grande comedor de peixe, comia de todo jeito.

Durante alguns anos morei num apartamento de Lucio na rua Hamilton Ribeiro.

estranho como a vida nos afasta de pessoas que gostamos tanto. Nos encontrvamos muito pouco ultimamente. Quase sempre nos eventos polticos.

Lucio sempre foi muito respeitado e muito querido. Teve uma trajetria que orgulha todos ns.

Como diz o ditado popular "morre o homem fica a fama".
Como diz o mais letrado "morre o homem fica sua histria".
Como dizemos ns outros "morre o homem e ficam sua luta e seu exemplo".
Quem diz melhor so os poetas: "uma estrela no morre, ela se muda para brilhar em outro lugar".
Grande abrao Lucio Monteiro, foi gratificante aprender com voc ao longo de nossa caminhada, foi um "presente" ser seu contemporneo e seu camarada.

Vamos luta !
A luta tem que continuar !

Marcelino Granja

Amigo de Lcio Monteiro, o vice-Presidente Estadual do PCdoB de Permanbuco e secretrio estadual de Cultura do estado, Marcelino Granja tambm prestou uma homenagem ao camarada, abaixo a ntegra do depoimento publicado em suas redes sociais:

"Tenho, como muita gente tem, uma grande dificuldade de compreender o desaparecimento de pessoas muito queridas, principalmente dessas a quem a gente se sente sempre devedor de ateno, por terem marcado nossas vidas com sua presena, ajuda material concreta e na formao de nosso prprio caminho como ser humano, nas opes de vida, etc...

Lcio Monteiro pra mim um desses, que se soma ao meu av Cazuzinha Granja, meus tios Milvernes Granja e D Menezes, minha prima Ftima Menezes, aos camaradas Marcelo Medeiros, Gregrio Soares, Aldo Gonzaga, Solange Souza e a Anglica Magalhes, primeira esposa de Lcio, e que se foram to cedo.

No meio do primeiro semestre deste ano de 1982 o Partido me deslocou para o Cabo, pra ajudar a campanha de Dr. Lcio para prefeito. L passei a viver e atuar de forma permanente. Me liguei famlia de Lcio, casei com sua cunhada Ana Magalhes, fui abrigado em sua casa, fui cuidado por Anglica e Alberto, dividimos as frias das crianas em Gaib, nos revezando entre os casais para cuidar de uns doze ou treze meninos e meninas. Eu s tinha 22 anos em 82. Em 83 j estava ligado para sempre a Lcio Monteiro, sua histria poltica no Cabo e em Pernambuco e sua famlia. No Cabo fiquei 4 anos. Alguns anos depois voltei pra mais um. No tenho dvidas em afirmar que o perodo mais importante na minha formao como militante e homem foi entre 1982 e 1985.

Lcio Monteiro est na minha vida e na minha alma.
Foi camarada, irmo mais velho e um pouco de pai.
Lcio era o exemplo do homem bom. Tinha todas essas qualidades referidas por Renildo e  Luciano Siqueira. Tinha defeitos, como todos ns. Mas era sobretudo um homem bom. Nada melhor que isso.
Tenho tambm essa tristeza de Renildo, de ter ficado distante dele nos ltimos anos.

Estou aqui me sentindo preso em Ouricuri. No pude viajar para seu sepultamento, estamos aqui nas Conferncias Regionais de Cultura e contamos com uma equipe enxuta de 18 pessoas em 4 veculos, se eu sasse com um, ficariam alguns colegas sem transporte. Tambm no consegui um vo de Petrolina pela manh deste sbado.

Mas no fao despedidas. No me despedi nunca dessas pessoas queridas que aqui citei. No me despeo de Lcio Monteiro. Ficar comigo enquanto eu estiver vivo."



Do Portal PCdoB

  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

ltimas Mais