14 de janeiro de 2018 - 10h54

Percival, Taques e os “cachorros caídos da mudança”!


Miranda Muniz
   
 Miranda Muniz

Para quem acompanha as “notícias da política” percebe claramente, nesta fase que antecede as convenções eleitorais, a “guerra de bastidores” onde os partidos e suas lideranças movimentam-se no tabuleiro político a procura de um melhor posicionamento para quando o jogo começar.

Nos últimos dias, o que me chamou a atenção foi a movimentação do Governador Pedro Taques e alguns de seus secretários rumo ao PPS e a reação do Percival Muniz, presidente dessa legenda.

É publico e notório que o Governador, dotado de um estilo personalista e egocêntrico, oriundo das hostes do Ministério Público Federal e com pouca bagagem no trato político, tem enfrentado dificuldades de relacionamento com seus partidários e aliados. Foi assim com o PDT onde, pouco tempo depois de assumir a governança, bateu asas rumo ao ninho tucano. Agora o imbróglio é com o deputado Nilson Leitão, que o acusa de centralizador e de que não dá bola para o Partido.

No ápice da divergência, Pedro Taques ameaçou abandonar o ninho tucano e revelou que teria sido convidado pelo seu ex-colega de Senado, Cristovam Buarque, para aderir ao PPS, o que fez a cúpula nacional tucana colocar “panos quentes” para tentar contornar a desavença.

Além disso, com a volta do comando do PSB para o deputado Valtenir Pereira, o qual tem sinalizado que está mais para somar com a oposição, o Governador acaba ficando obrigado a acomodar alguns de seus aliados que estavam confortáveis no PSB.

Esse “assédio indecoroso” ao PPS motivou o Percival, que estava um pouco recluso depois de perder um duro embate eleitoral municipal para o Zé do Pátio, a manifestar publicamente numa reação duríssima contra essa verdadeira tentativa de estupro político.

Sobre uma possível filiação do Governador, Percival avaliou que seu estilo “apolítico e apartidário” não coaduna com o PPS – um Partido ideológico. Aconselhou o mesmo “ficar onde está” por “ser tucano” e “amar o PSDB”.

Já em relação à “Tropa de Choque” (Marcos Marrafon, Suelme Evangelista, Marcelo Duarte, Cândido Teles, Leonardo de Oliveira, Beto Correa, Thiago França e os suplentes de deputado Luizinho Magalhães e Adriano Silva, segundo divulgado na imprensa) ele ainda foi mais duro, afirmando que até aceitaria os mesmo “na condição de militantes”, mas que não estaria disposto entregar o comando político do Partido e, com ironia felina disparou: “não estou preocupado com eles e não estou fazendo esforço para acomodá-los. Os cachorros perdidos na mudança que busquem seu lugar.”

Pela reação, indica que essa articulação foi muito mal conduzida, articulada “de cima pra baixo” e “se esquecendo de combinar com os russos”, ou seja, com o presidente da sigla Percival Muniz, uma liderança histórica do Partido e que tem laços políticos fortes com expressivos dirigentes nacionais.

Parece também que essa articulação sórdida está tendo o famoso efeito do “tiro no pé” e que apenas serviu para mexer com os brios do “Barba” pois, já nesta semana, circulou notícias que o mesmo teria saído “da reclusão” e “entrado em campo”, articulando um Grupo de Oposição para enfrentar Pedro Taques.

Mas uma coisa me deixou intrigado: com tantos partidos ávidos para serem “alugados”, por que cargas d’água Pedro Taques escolheu logo o PPS, um partido com pouca força eleitoral (estadual e nacional), segundo o próprio Percival? Mistério...

É esperar pra ver quem vencerá essa queda de braço que, independentemente do resultado, certamente terá relevância na sucessão estadual.

Miranda Muniz – agrônomo, oficial de justiça avaliador federal, dirigente estadual da CTB e do PCdoB/MT


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