Economia

10 de janeiro de 2018 - 16h24

Guru de Alckmin, Pérsio Arida foi afastado do BC após escândalo

   

A denúncia foi apresentada na época pelo senador do PT José Eduardo Dutra que conseguiu reunir documentos mostrando que uma visita de Lara a Bracher, saindo de Brasília para São Carlos, interior de São Paulo, antecedeu operações em que o BBA foi beneficiado com a aposta de desvalorização do Real, em detrimento de outros bancos que também operavam câmbio no período.

Na verdade, com ambos morando em São Paulo, a ideia de que se reuniriam em São Carlos para trocar informações não fazia sentido. Mesmo assim provocou nervosismo no mercado, levando ao afastamento de Pérsio.

O economista foi um dos idealizadores do Plano Real, colocado em prática em fevereiro de 1994, no governo de Itamar Franco. Antes disso, em 1984 desenvolveu junto com André Lara Resende a "teoria da inflação inercial", proposta para sair da inflação crônica a partir da criação de uma nova moeda indexada.

Em 1986 a teoria foi transformada no fracassado Plano Cruzado, no governo José Sarney. Na época, Arida disse a imprensa que a proposta não estava errada, o que atrapalhou foi a má interpretação e "condições políticas" que não estavam maduras para o plano. Em tese, o pacote deveria ter sido acompanhada por privatizações, cortes de gastos públicos e abertura da economia e não por congelamento, abono e gatilho salarial, como de fato ocorreu.

Pérsio Arida deu a volta por cima na mancha que o Plano Cruzado deixou a sua imagem quando o Plano Real entrou em circulação, estabilizando a economia e derrubando a inflação. Com o sucesso foi convidado para presidir o BNDES em 1993, cargo que ocupou até o final de 1994, para presidir no ano seguinte o BCB.

A sua passagem no banco público para o desenvolvimento também foi marcada por medidas neoliberais, como relembra o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa, no artigo "Pérsio Arida e a Submissão do BNDES à Estratégia Neoliberal", sendo adepto da teoria de que o crédito subsidiado distorce a alocação de recursos e diminui a eficiência da economia.

"Esse é o motivo pelo qual Arida nunca se sensibilizou com os pedidos de financiamento dos adquirentes das companhias que eram privatizadas", comenta o professor. Assim, colegas da linha desenvolvimentista o acusam de ter deixado de considerar, na presidência do BNDES, critérios importantes para o bem estar econômico, como geração de emprego, expansão da cadeia produtiva e desenvolvimento regional.

Em 1982, Arida foi autor de um artigo onde chegou a defender medidas econômicas heterodoxas para solucionar a crise brasileira como diminuição dos juros e aumento de imposto de renda, mas já considerava a racionalização de investimentos públicos como fundamental para solucionar a crise brasileira.

Além da direção de Persio Arida, a equipe econômica para a corrida presidencial de Alckmin terá como consultores os economistas da FGV de São Paulo, Roberto Giannetti e Yoshiaki Nakano.

Opportunity e BTG Pactual

No setor privado, Arida foi membro do Conselho de Administração do Unibanco e diretor da Brasil Warrant e, depois do Plano Real, ocupou por três anos a direção do Opportunity Asset Management do banqueiro Daniel Dantas - preso de depois solto pela Polícia Federal em 2008 acusado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Arida também foi membro por oito anos do Conselho de Administração do Banco Itau.

Em 2008 fundou o Banco BTG junto com o banqueiro André Esteves, preso em 2015 e depois solto por suspeita de planejar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. No ano seguinte, eles ampliaram a instituição, recomprando o UBS e formando o BTG Pactual.

Em 2017, o economista deixou o BTG e vendeu suas ações do banco, argumentando que iria se dedicar exclusivamente aos seus "interesses intelectuais".


 Fonte: GGN

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