20 de dezembro de 2017 - 16h06

Prazer, Lu Castro, a desprestigiada


Foto: Laura Castro
   
Entre a alegria de ver algum futuro para o futebol feminino brasileiro, quer seja um ciclo olímpico bem trabalhado, por exemplo, e se opor veementemente às ideias conservadoras que insistem em avançar, seguíamos todos acompanhando e dando a visibilidade necessária ao futebol das mulheres.

E eis que, dentro da aparente calmaria no trabalho de Emily, vem o golpe futebolístico. Com a desculpa esfarrapada de que Emily não vinha conseguindo bons resultados, sua demissão é anunciada.

Para completar o quadro surreal, de fazer inveja a Dalí, o retorno de Vadão é consumado. Aos que acompanham meu posicionamento, suponho que minha reação seja óbvia, mas vale desenrolar toda a caminhada.

Imediatamente, eu e mais alguns colegas, reagimos à decisão da CBF. Entre “a decisão é do presidente” e “eu não sabia de nada” nas palavras do coordenador de futebol feminino da entidade, havia um bastidor digno de amiga falsiane. E nós sabíamos.

Não poupamos críticas à atuação do coordenador. Não, devo ser honesta. Nós batemos à vera, mas por uma razão bastante forte: dispensar Emily e sua comissão técnica usando como argumento os resultados em AMISTOSOS, estava longe, muito longe de nos convencer da lisura do processo.

Discorri tanto quanto foi possível sobre o assunto como modo de desopilar o fígado da bile da irresponsabilidade e pouco caso com o real desenvolvimento do futebol feminino brasileiro
. Me presenteei com um período sabático nas águas de Ubatuba. Era necessário limpar a alma de tanto sentimento ruim, e para isso, só muita água salgada.

Decidi, como auto proteção, me abster de notícias e postagens de quem permanece abraçado ao sistema. Não compreendo muito esse modus operandi e tenho por hábito dar ouvidos à intuição, afinal, a bendita sempre me foi leal.

Curiosamente, após a demissão de Emily, as notícias e as transmissões que tiveram um salto de audiência com sua presença, despencaram. Pouca coisa circulando e coisas acontecendo sem que chegasse ao conhecimento das principais mídias alternativas e especializadas no futebol das mulheres.

Esse é o jeitinho Marco Aurélio Cunha de lidar com quem não lhe joga confete ou não refuta seu posicionamento tão previsivelmente conservador. A prova? No início desta semana aconteceu no Museu do Futebol a premiação do Brasileiro Feminino de 2017. Nenhum dos canais que efetivamente trabalham com a modalidade e que expuseram suas opiniões sobre o erro crasso na demissão da Emily, foram convidados. Planeta Futebol Feminino, Dibradoras, ESPNW e esta escriba, por exemplo.

Quando me dei conta de que não tivemos notícias da cerimônia, ficou claro que os “desprestigiados blogs” incomodam. E, como eu fico feliz em saber que não estou servindo aos propósitos de quem só pensa em benefício próprio e de amigos.

Nos espaços que ocupo, estão também pessoas comprometidas com a lisura e transparência dos processos. Estão também as pessoas comprometidas com o bom senso e com o desenvolvimento justo das pessoas. Nos espaços que ocupo, não cabem favorecimentos em detrimento de um trabalho bem realizado.

Ao contrário do que muita gente pode entender sobre a ausência dos especialistas no evento de premiação do Brasileiro Feminino de 2017, me senti amplamente prestigiada por tudo o que sou, penso, manifesto e busco de justiça e igualdade.

Não confraternizo com quem age na trairagem. Não confraternizo com quem é rasteiro. Não confraternizo com quem não vê nada além do próprio umbigo e, pra finalizar, não nutro respeito algum por peleg@s.

E que sigamos, Rafael Alves, as Dibradoras Roberta Nina e Renata Mendonça, Eduardo Pontes, Juliana Cabral, Gabriela Moreira e demais opositores, no nosso desprestígio, porque mais do que estar à margem, como alguns podem supor, nos destacamos.

Fecho o texto desejando boas festas de fim de ano a todos e renovação das forças para a luta que, indubitavelmente, seguirá em 2018.



*Lu Castro é jornalista especializada em futebol feminino. É colaboradora do Portal Vermelho e é parceira do Sesc na produção de cultura esportiva.

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