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13 de dezembro de 2017 - 13h22

É inédito na Eletrobras um gestor notificado por conduta inadequada

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Wilson Pinto, presidente da Eletrobras, advertido por decisão unânime pelo Conselho de Ética da Presidência por ter definido como "safados" e "vagabundos" trabalhadores da Eletrobras Wilson Pinto, presidente da Eletrobras, advertido por decisão unânime pelo Conselho de Ética da Presidência por ter definido como "safados" e "vagabundos" trabalhadores da Eletrobras

Com 55 anos de vida, a Eletrobras já viveu muita coisa. Construída por milhares de brasileiras e brasileiros, do Norte ao Sul do País, a Eletrobras é motivo de orgulho. Temos muita história para contar, afinal somos a maior empresa de geração e transmissão de energia elétrica da América Latina. Estas histórias são o resultado de uma força de trabalho competente e inovadora, de gestores que vestiram a camisa e que passaram pelas empresas que compõem o Sistema Eletrobras.

A construção do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso no início da década de 50 pela Chesf foi um marco para a engenharia brasileira, visto que foi necessário controlar e reverter o fluxo do Rio São Francisco, para então iniciar o processo de construção da barragem da primeira usina (Paulo Afonso I).

A Usina Hidrelétrica de Furnas, iniciada em 1958, tornou-se a maior obra da América Latina em execução, sua construção foi efetuada a partir da demanda brasileira de energia elétrica para que se evitasse o colapso do sistema.

A Usina Hidrelétrica de Tucuruí, construída pela Eletronorte em plena região amazônica trouxe o desenvolvimento e a integração desta região ao restante do País, a obra iniciou em 1974 e é a maior usina hidroelétrica 100% brasileira.

Cada uma destas obras contou com equipes técnicas altamente qualificadas, nas mais diversas áreas do conhecimento, que deixaram sua marca para o desenvolvimento do país. Nos dias de hoje a Eletrobras continua sendo precursora, com participação nas grandes obras estruturantes como Santo Antônio, Jirau, Belo Monte.

Nestes 55 anos, muitos gestores passaram pelas empresas, apesar das divergências, todos respeitavam a história desta grande empresa e seus quadros técnicos. Até agora. Alçado ao maior cargo da Eletrobras, o senhor Wilson Pinto, em pouquíssimo tempo conseguiu uma proeza. Apresentou-se em todas as empresas, como o presidente líder que recuperaria a Eletrobras. Citou a valorização do quadro técnico, a prática da meritocracia e a transparência na gestão. Chegou a iludir com suas boas intenções.

Mas não tardou para que o verdadeiro intento se revelasse. Seu desdém pela empresa e pelos quadros técnicos que compõem a Eletrobras fez com que o senhor Wilson Pinto entre para a história como o primeiro dirigente da Eletrobras a ser notificado pela Comissão de Ética da Procuradoria Geral da República (PGR) por ter desrespeitado e desqualificado as trabalhadoras e trabalhadores do Sistema Eletrobras.

Não houve sequer um membro da Comissão que tentasse defender a postura daquele que se diz presidente, a decisão da notificação foi unânime. Esperava-se então que o senhor Wilson Pinto refletisse sobre seus atos e posturas.

No entanto, parece que a forma como vê e trata a Eletrobras e seus quadros técnicos em nada mudou. Em sucessivas entrevistas sobre a situação da empresa, distorce informações, vende apenas as dificuldades sem apresentar as melhorias, tenta facultar às trabalhadoras e trabalhadores os problemas enfrentados. Não consegue sequer responder por que privatizar uma empresa que está em franco processo de recuperação.

Quem está por trás desse projeto de tentativa de desmonte da Eletrobras? Quem lhe dá o direito de desrespeitar os valores institucionais que regem nossa atuação? Aonde foram parar a ética e a transparência, a valorização e comprometimento das pessoas? Já se sabe da ligação do senhor Wilson Pinto com o mercado financeiro através da 3G, assim como outros envolvidos na tentativa de desmonte do Sistema Eletrobras. Até quando essa situação será permitida?

Um bom líder: sabe como estimular a equipe a dar o seu melhor. As habilidades de um líder envolvem carisma, paciência, respeito, disciplina e, principalmente, a capacidade de influenciar seus colaboradores positivamente.

3G: É uma empresa criada em 2004 por Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles, e Carlos Alberto Sicupira, também sócios fundadores de outra empresa, a GP Investments. Controlam a AmBev, Burger King, H.J. Heinz e atuam no setor elétrico, com a Equatorial, além de ações na própria Eletrobras. Participaram da elaboração dos estudos pró-privatização.

*Roberta Quintino é jornalista e assessora de imprensa do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal






Sindicato dos Urbanitários do DF

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