América Latina

6 de dezembro de 2017 - 17h02

Mesmo com policiais em greve, crise em Honduras se mantém 

Polícia de Honduras  Polícia de Honduras 

Em comunicado lido na segunda-feira (4) por um agente das forças especiais, no início de uma greve de "mãos para baixo", os polícias afirmaram que não eram "máquinas nem robôs" e que não se "arriscariam a ser mortos nas ruas, nem a reprimir o povo", indica a Prensa Latina.

Poucas horas antes, o Supremo Tribunal Eleitoral (STE) tinha anunciado que o atual presidente e candidato à reeleição, Juan Orlando Hernández, obtivera 1 411 517 votos (42,98% do total), ficando com mais 52 mil que o candidato pela Aliança da Oposição contra a Ditadura, Salvador Nasralla, com 1 359 170 votos (41,39%).

Este último não reconheceu o anúncio do STE e exigiu uma recontagem dos votos, alegando, como o faz desde o início da semana passada, que a eleição foi marcada por "fraude" e "manipulação" de atas, e que o STE, instituição pela qual deixou de reconhecer legitimidade, "lhe roubou a vitória, expressa pela vontade popular". A autoridade eleitoral continua sem declarar um vencedor das eleições presidenciais.

Protestos, repressão, sublevação

A greve dos polícias e das forças especiais, juntaram-se agentes de outros corpos, em vários pontos do país, alegando que o "povo é soberano" e recusando-se a "reprimir os seus direitos". Isso ocorre em um contexto marcado por grande agitação social e política, manifestações e protestos, no âmbito do qual diversos manifestantes foram mortos (entre seis e dez, conforme as fontes) e um número indeterminado ficou ferido.

As manifestações – algumas de grande dimensão – duram desde quarta-feira (29), quando se avolumaram as suspeitas de fraude e de manipulação dos resultados. Dois dias antes, com cerca de 60% do escrutínio realizado, Nasralla, candidato da oposição à presidência do país, aparecia com 5% de vantagem sobre o candidato do Partido Nacional das Honduras. Depois, o portal do STE começou a sofrer "problemas técnicos" e, quando a contagem foi retomada, Hernández já aparecia à frente de Nasralla, com uma margem de meio ponto percentual.

Na sexta-feira (1), o governo hondurenho suspendeu algumas garantias constitucionais e decretou o recolher obrigatório por um período de dez dias, que polícias e militares deviam aplicar.

Promessa de pagamentos vários


Para além de exigirem às autoridades hondurenhas que encontrem uma solução para a situação política do país e em prol do bem-estar do povo, os polícias – que afirmaram estar a "sendo pressionados pelo mais alto nível", segundo refere a TeleSur – chamaram também a atenção para a existência de salários em atraso.

Face ao cenário de greve, de polícias rebelados nas esquadras e nos quartéis, o ministro hondurenho da Segurança, Julián Pacheco Tinoco, veio anunciar o acerto dos pagamentos e aumentos salariais, bem como a existência de dinheiro para lhes pagar o subsídio de Natal e um bó]ônus pelas "horas extras" de trabalho a que foram sujeitos após as eleições presidenciais, as suspeitas de fraude e a demora no anúncio do vencedor, com todas as consequências sociais daí decorrentes.

Neste contexto, Salvador Nasralla mostrou-se disposto a dialogar, mas também firme, dizendo que representa "um povo que se encontra oprimido, que quer que se faça justiça", revela a TeleSur.

Em simultâneo, pediu aos militares que "sigam o exemplo patriótico da polícia" e, em declarações a um meio de comunicação local, acusou Juan Orlando Hernández de "ter pago a certos militares sem escrúpulos para que não aplicassem" o artigo 272.º da Constituição, que, entre outras coisas, obriga as Forças Armadas a "manter a paz e a prevalência da Constituição". 


Fonte: Abril Abril 

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