Brasil

1 de dezembro de 2017 - 14h28

Para Manuela, programa tucano é ‘armadilha’: Estado se torna gestão


Clécio Almeida
   
Segura dos passos que dá em direção a 2018, Manuela comentou sobre diversos temas da conjuntura política e econômica e não se esquivou de falar sobre as críticas feitas contra a sua candidatura sob o argumento de que representaria a divisão da esquerda.

“Nossa candidatura não tem o sentido que alguns, de forma apressada, dão de ‘fragmentação do campo político’, ao contrário. Somos como um time de futebol e temos que fazer a opção se queremos escalar um craque para jogar contra um time de 11 ou se nós queremos ter um time que defende diversas opiniões, porque nossas opiniões não são únicas, por isso não estamos organizados num só partido”, comparou.

Continuando a analogia do jogo de futebol, ela enfatizou que, diferentemente dos setores progressistas, a direita está colocando o seu time em campo “com todas as nuances, faz um balão de ensaio com a extrema direita e deixa a candidatura de Alckmin desfilar como se fosse de centro, quando é na verdade a candidatura da direita, porque defende a diminuição do Estado, privatizações e retirada de direitos do povo”.

Segundo ela, a direita está escalando o seu time em todas as posições, enquanto parte da esquerda e demais forças acreditam que a existência de múltiplas campanhas poderia prejudicar. “Não acredito nisso. Nós podemos mostrar ao povo as diversas alternativas sobre a construção de um projeto nacional de desenvolvimento que garanta políticas sociais”, frisou.

Frente ampla

Em outras entrevistas, Manuela enfatizou que a sua pré-candidatura tinha um caráter coletivo, plural. Em suas respostas ela reforça essa característica ao se referir às propostas na terceira pessoa.

“Quando se fala em ampla frente, muitos pensam que nós estamos falando de uma enorme coligação de partidos. Nosso sentindo de frente ampla é maior. É uma espécie de pacto com o povo brasileiro em cima de um projeto de país”, disse ela, ao abordar a necessidade de unidade do campo progressista em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil. Na avaliação dela, o Estado tem papel determinante para a retomada do desenvolvimento.

Documento do PSDB

Ao ser questionada sobre o documento do PSDB, divulgado na última terça (28), que aponta as diretrizes do programa partidário para 2018, Manuela classifica como uma “armadilha” dos tucanos. O documento defende a redução do Estado e privatizações, entre outras medidas, como alternativa para promover o que chamam de "eficiência pública".

“O documento é um pouco do que o PSDB trabalhou no último período, sendo o polo aglutinador da direita brasileira. É um esforço para travestir o discurso de diminuição do Estado com o de eficiência de gestão. Esse é um debate que eles fizeram de forma muito ardilosa como se uma coisa fosse sinônimo de outra”, salientou a pré-candidata comunista.

“Eles transformaram o Estado em gestão”, sublinha Manuela, admitindo que o tema foi subestimado pela esquerda. “Como transformar o serviço público num serviço de melhor qualidade para a população? Talvez tenha sido um debate que nós tenhamos feito pouco e deixado essa bola quicando para eles”, afirmou.

Manuela afirma que as forças progressistas sempre defenderam o fortalecimento do papel do Estado como indutor do desenvolvimento. “Portanto, somos aqueles que têm condições de fazer um debate sério sobre como o Estado pode ser eficiente para a prestação de serviços públicos”, defendeu.

“O PSDB transformou o tema da gestão e da eficiência num tema opositor ao papel do Estado. Eles defendem o fim do Estado como executor de políticas públicas. Defendem que o Estado desregulamente a economia e que garanta apenas que a economia esteja a serviço de dois ou três, não por cento, mas de duas ou três pessoas”, rebateu ela, que está cursando o mestrado em políticas pública e capacidade do Estado.

Reforma tributária

Ainda sobre economia, Manuela defendeu uma reforma tributária progressiva. “Os pobres pagam tanto tributos quanto os ricos no país. E isso não é papo de esquerda. O capitalismo funciona assim. Temos experiência de países de economia central, como é o caso da Inglaterra, que a tributação funciona de uma forma absolutamente distinta que a brasileira. Não é por outro motivo, que o Reino Unido investe três vezes mais em saúde pública universal do que o Brasil”, apontou.

Para a deputada gaúcha, a direita brasileira vende uma forma de neoliberalismo que não existe. “Que capitalismo é esse que se vende no Brasil em que o indivíduo não tem direito individual? Em que o Estado não tem papel nenhum? Qual é o país capitalista que o Estado não tem papel? EUA? O que significa as compras públicas de armas dos EUA então? É muita mentira. Eles vendem um sonho que não existe em lugar nenhum do mundo”, pontuou.

“O Estado não é esse monstro como eles constroem. Fazem matérias sobre a Dinamarca e não falam sobre a tributação, convencendo o povo de que o problema no Brasil é o Estado e os impostos, quando na verdade é justamente o contrário. No Brasil temos um Estado que não serve à maior parte da população e os tributos não são cobrados de quem tem que ser cobrado”, completou.



Do Portal Vermelho

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