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30 de novembro de 2017 - 11h32

Volta possibilidade de coligação para governar a Alemanha 

EPA
   

Uma nova “grande coligação” dos partidos do centro e um Governo minoritário dos conservadores “tolerado” ou com o apoio dos sociais-democratas; esses são os dois cenários mais presentes nas discussões entre a chanceler da CDU, Angela Merkel, e o líder dos sociais-democratas, Martin Schulz, que vão ser recebidos pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Na quarta-feira (30), véspera da reunião, Schulz declarou que não faz prognósticos sobre o que poderá acontecer nas negociações, mas que se é verdade que a Alemanha precisa de estabilidade, também é certo que precisa de mudança.

“Se queremos que a Europa se mantenha forte a longo prazo, temos de assegurar que pode atuar e fazer uma diferença na vida das pessoas”, afirmou o líder do Partido Social-Democrata (centro-esquerda) numa conferência de empresários em Berlim. Para isso, e segundo a agência Reuters, defendeu duas ideias já apresentadas pelo presidente francês, Emmanuel Macron: um orçamento comum e um ministro das finanças para a zona do euro.

No entanto, o ambiente entre os dois partidos azedou por uma outra questão: um voto do ministro da Agricultura Christian Schmidt no Conselho Europeu a favor de uma extensão da autorização do uso do glifosato contra a opinião do SPD (em um momento, aliás, que o Governo não deveria tomar novas decisões já que não é o executivo escolhido nas eleições). Merkel disse que o ministro tinha agido mal, mas não o afastou, como pedira o SPD.

De qualquer modo, vários analistas especulavam que o SPD estaria tentando obter o máximo de concessões para se juntar ou apoiar um Governo. Merkel prefere ter um acordo de coligação. A ideia de um Governo minoritário expressa fraqueza e instabilidade, ambas indesejáveis em política e sobretudo na Alemanha, onde o sistema foi desenhado para permitir maiorias sólidas (embora não de um só partido), e a tradição é de compromissos entre dois partidos para governar.

Steinmeier fez grande pressão para um entendimento do seu partido (foi ministro de uma "grande coligação" com Merkel, suspendeu a militância durante a presidência como é habitual) com a chanceler, sublinhando a necessidade de estabilidade e recusando chamar logo os eleitores às urnas. Isto fez com que Schulz, que prometeu e voltou a prometer não se coligar com Merkel, voltasse atrás e considerasse agora todos os cenários: "Nenhuma opção está fora da mesa", disse.

Das eleições de 24 de Setembro saíram apenas duas coligações maioritárias possíveis, ambas lideradas pela CDU: uma com o FDP (liberais) e Verdes, nunca tentada a nível federal, e que depois de semanas de pré-negociações terminou com a saída teatral dos liberais; outra com o SPD.

O SPD está em um dilema: após cada participação numa grande coligação com Merkel (em 2005-2009 e em 2013-2017) perde mais votos. Mesmo quando, como foi o caso na última legislatura, consegue concretizar promessas eleitorais importantes como o salário mínimo nacional ou a idade da reforma aos 63 – mas na votação teve o pior resultado da sua história do pós-guerra, 20,5%.

Caso participe novamente de uma coligação com Merkel, o SPD se arrisca a sofrer nas próximas eleições. Caso contrário, se arrisca a ser acusado de irresponsabilidade, e a ser penalizado pelos eleitores se houver mesmo eleições antecipadas. O grupo parlamentar está mais aberto à ideia de novas eleições, mas qualquer acordo de coligação terá de ser aprovado pelas bases do partido.

O cenário de uma repetição de votação é especialmente desencorajador porque permitirá à direita radical da AfD (Alternativa para a Alemanha) reclamar sucesso, já que a sua entrada no Parlamento com 13,5%, em terceiro lugar, está dificultando a formação de uma maioria, já que nenhum partido admite colaborar com a extrema-direita.

Nesta campanha o SPD pediu mais igualdade social e mais investimento numa série de áreas, da educação, à saúde – o partido quer por exemplo o fim do sistema duplo de saúde, com seguros privados. Algumas das propostas esbarram no entendimento da CDU de que é preciso continuar a consolidar as contas públicas e não gastar já o que foi poupado.

A maioria dos observadores enxerga, no entanto, espaço para um entendimento, embora depois do fracasso das últimas negociações ninguém mais arrisque prognósticos.


Fonte: Publico 

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