América Latina

30 de novembro de 2017 - 10h39

Governo de Honduras planeja golpe fraudando o resultado das eleições 

   

Em meio a tensão e suspeitas de fraude nas eleições presidenciais em Honduras, a Secretaria de Defesa do país, por meio de comunicado, informou que “respeitará o mandato dado pelo Tribunal Superior Eleitoral, cuja tendência indica que o escolhido será nosso Comandante Geral, o advogado Juan Orlando Hernández Alvarado”.

A população de Honduras foi às urnas no domingo (26). Resultados preliminares publicados pelo Tribunal Eleitoral hondurenho indicaram a vitória de Salvador Nasralla, candidato da Aliança Opositora contra a Ditadura, com 45% dos votos. Porém, o atual presidente, Juan Orlando Hernández, se autodeclarou vencedor do pleito. O TSE então não só suspendeu a publicação de resultados preliminares, como também alertou que os votos ainda não computados, aproximadamente 2 milhões, poderiam mudar significativamente o resultado das eleições – ainda que isso seja estatisticamente improvável. 

Segundo o próprio TSE, os resultados finais devem ser conhecidos somente na próxima quinta. Em geral, os resultados em Honduras são conhecidos sempre algumas horas depois do encerramento das votações, e o atraso já vem gerando diversos protestos e aumentando ainda mais as suspeitas de fraude.

No sábado (25), a revista The Economist publicou um áudio que parece indicar que o partido de Hernández vem discutindo estratégias para cometer fraude eleitoral. A gravação mostra duas horas de treinamento para os representantes do partido nas zonas eleitorais, e, segundo a revista, sugere pelo menos três maneiras de adulterar a contagem dos votos durante o processo.

O comunicado do governo diz ainda: “Nossas famílias que vêm das zonas rurais certificam o triunfo do nosso presidente nessas áreas. À comunidade internacional e aos observadores exigimos que respeitem a vontade do povo hondurenho e que não se intrometam em assuntos próprios de uma nação democrática. Por isso é exigido que abandonem o país de forma imediata. À população que não aceitar a decisão do TSE e saia a promover desordem com propósitos desestabilizadores será aplicada a Lei Antiterrorista, para a qual estamos totalmente treinados e preparados. Confiamos na institucionalidade do estado e garantiremos o seu funcionamento. A Polícia Militar de Ordem Pública não irá tolerar ações que desestabilizem a tranquilidade e a governabilidade de nosso país, que com tanto sacrifício conseguimos nos últimos anos”.

A equipe de Nasralla diz que a vitória do candidato de esquerda será garantida pelo TSE e pela União Europeia, ainda que a margem de diferença entre os candidatos tenda a diminuir: “O que querem é levar a gente ao extremo e forçar uma negociação”, diz um dos integrantes da equipe de Nasralla. “Podem reduzir a diferença, mas a tendência se manterá e Salvador vai ganhar por 5%. Não vão conseguir ultrapassar. Não será fácil, mas temos que aguentar”.

Assista a explicação de Aline Piva sobre a situação em Honduras: 

 


Fonte: Nocaute 

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