27 de novembro de 2017 - 18h12

Urariano Mota lança A longa duração da Juventude na UFPE, 4ª-feira  


Divulgação
No livro é narrada a longa juventude dos que lutam contra a injustiça  No livro é narrada a longa juventude dos que lutam contra a injustiça 
“Para mostrar que tão alto desejo é a expressão da verdade”, Urariano selecionou trechos de depoimentos de leitores jovens de diferentes gerações, que reproduzimos abaixo.

Urariano destacou também outro trecho do seu romance “A mais longa duração da juventude”: “No píncaro do tempo, não decaíram, como se fossem uma revolta contra a biologia. À maneira de Goethe no poema Um e Tudo, eles foram atravessados pela alma do mundo, e com ela lutaram sem descanso, como se vivos pudessem ter a eternidade”.

Durante o lançamento haverá debate com o escritor, Michel Zaidan, cientista político, e Thauan Fernandes, presidente da UJS Recife.

Depoimentos

Thauan Fernandes, 25 anos, presidente da UJS Recife 
"Eu terminei a primeira parte ontem, e entendi plenamente os que falam que leem devagar pra não sair da sua companhia, meu caro. Desde a história da ratazana que eu estou pegado no livro. Eu fico ansioso pelo próximo ‘causo’ recifense. Rapaz... esse livro pra um bom jovem recifense, que tem histórias pela cidade, é identificação total"

Paulo Verlaine, jornalista e escritor, 67 anos
“A Mais Longa Duração da Juventude --romance com base em fatos reais – do escritor pernambucano Urariano Mota, com destaque nacional, chega no momento oportuno: hoje, saudosistas da ditadura militar (1964-1985) – ou pessoas que nunca viveram aquele período opressivo – acham que a melhor solução para os problemas do Brasil é a intervenção das Forças Armadas. É o retrato do País nos anos de chumbo, na década de 1970, no auge da ditadura militar, onde imperavam o medo, a tortura e os assassinatos de opositores do sistema vigente”.

Eduarda França, militante da UJS, 23 anos
“Quero apenas relatar a experiência que foi ler A Mais Longa Duração da Juventude. E por que falar sobre esse livro e não falar dos outros? O que ele tem de especial é a proximidade com a nossa realidade. É um livro de ficção que ao mesmo tempo é brutalmente real, que conta a história de jovens militantes no Recife durante os 'anos de chumbo' da ditadura, e traça um contraste com a juventude atualmente. Mas ele é muito mais que isso. Esse é um livro que traz efeitos colaterais no seu corpo, que te causa um mal-estar com a verossimilhança com a qual denuncia a repressão, a luta, a pobreza no calor opressivo do Recife dos anos 70, quando o privilégio da militância era ter um quarto sujo pra dormir em companhia de ratos, ou usar seus últimos trocados pra comprar uma sopa para um camarada. E pra quem é militante o soco no estômago é duas vezes mais forte: A angústia que sentem os personagens é a mesma que sentimos, em tempos de retrocessos, em que tememos a ascendência inesperada do fascismo na população do Brasil afora”.

“No romance estamos todos nós que resistimos contra as forças reacionárias no Brasil ultimamente, pois compreendemos o perigo de que as coisas só piorem daí adiante, e por entender que a ditadura militar é uma página na história do Brasil que ainda não foi completamente virada. Ele te coloca contra a parede e te faz encarar coisas que você deliberadamente desviaria o olhar. Chorei no caminho do trabalho, dentro do transporte público, e teria chorado mais se não tivesse outras coisas pra fazer. Internamente estou chorando até agora. É um livro que com certeza irei reler, duas, três, cinco mil vezes, enquanto restar juventude em mim”.

Renato Mayer, pesquisador, fotógrafo, 71 anos
“Pela leitura, reconstruímos, no pensar e agir dos militantes de esquerda, muitos já na clandestinidade, a torrente de ideias que nos chegam e chegavam, sem controle, sem censura e sem sair do Recife. O livro absorve continuamente. Abala verdades íntimas do leitor, como se ele também fosse (e, na verdade, se torna) personagem. Como escreve o autor, ‘com o olhar de 2016, só a lembrança repõe a dimensão do que não víamos’. Soledad, traída e torturada, que desperta e alimenta a paixão do jovem militante. São páginas e páginas a rever e tentar compreender retrospectivamente como a bela, a musa Soledad, foi capaz de se enredar em uma história tão canalha e fatal. Um episódio dolorosíssimo, cuja narrativa dilacera até quem esteve relativamente longe desses acontecimentos”.

Audicéa Rodrigues, com informações do autor.
Do Recife


 


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