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27 de novembro de 2017 - 18h03

Reintegração de posse despeja 700 famílias de acampamento no PA

divulgação MST
Crianças, idosos, homens e mulheres deixaram suas casas e plantações Crianças, idosos, homens e mulheres deixaram suas casas e plantações

Paulo Pereira da Silva, de 49 anos, mora no acampamento que recebe o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Ele, a esposa e o filho moravam no Helenira Rezende há oito anos. Silva era coordenador na escola que foi construída pelos agricultores, e atualmente é estudante na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) no curso de educação do campo.

Por telefone ele relata a situação enfrentada pelas famílias durante a desocupação e critica a atuação do governo em relação aos trabalhadores rurais sem-terra: “A gente está vendo esse projeto de sonho, que cuida da educação e da agricultura, sendo desmanchando hoje pelo governo do estado e pelo governo federal, que negligenciou a causa dos trabalhadores. Estamos aqui no meio da pista, polícia para todo lado, com caminhões, caçamba; para o governo mobilizar uma ação dessas aparece verba imediatamente, mas para fazer um projeto de reforma agrária não aparece [dinheiro] e as famílias estão aqui agora à mercê”.

Cerca de 700 famílias viviam no acampamento e ocupavam uma área de, aproximadamente, 10 mil hectares espalhados em lotes e vilas pelas fazendas Cedro e Fortaleza. As áreas integram um conjunto de fazendas chamado Complexo Cedro, do qual a empresa Agro Santa Bárbara Xinguara S/A afirma ser a proprietária.

Em matéria publicada em 2009, a ONG Repórter Brasil, informou que a Agro Santa Barbará foi alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF-PA), e processada pelo desmatamento ilegal de 51 mil hectares da Floresta Amazônica, uma área que equivale a um terço da área do município de São Paulo. Há ainda em seu registro, segundo a reportagem, histórico de casos de trabalho escravo.

De acordo com o MST, as famílias do acampamento criam galinhas, porcos e gado bovino. São produzidos ovos, leite e queijo. Só de leite são produzidos mais de 1.500 litros por dia. Há plantações de 10 mil pés de bananas e 40 hectares de mandioca, além de outras hortaliças, que garantem a alimentação e o sustento das famílias.

Durante a audiência realizada no Fórum da Comarca em Marabá na semana passada, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista, informou que a empresa e a Superintendência Regional do Incra no Pará, estavam em negociação para realizar a venda e a compra das áreas e assim assentar as famílias. Contudo, o processo ficou parado e Batista questiona sobre a ação de despejo.

“Se o governo vai comprar as áreas, por que razão tem que despejar as famílias? É tirar agora, depois cumprir o negócio ano que vem, e daí traz as famílias de novo? Só para destruir as casas, as plantações, colocar as crianças e os idosos e as famílias no meio da rua no período chuvoso, no período em que começam os plantios; é muita maldade.”

A reportagem tentou entrar em contato com o Incra, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.



Por Lilian Campelo

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