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14 de novembro de 2017 - 15h50

Reino Unido confirma data pra deixar a União Europeia 

EPA
Theresa May

A primeira ministra britânica, Theresa May, alertou na sexta-feira (10), em um artigo publicado no The Daily Telegraph, que não tolerará nenhuma tentativa de “bloqueio ao desejo democrático do povo britânico tentando atrasar ou deter o Brexit”. O Governo apresentou na noite de quinta-feira uma emenda à lei principal de saída da UE, que será debatida no Parlamento na próxima semana, que afirma que o Reino Unido abandonará o bloco em 29 de março às 23h.

Ao inclui-la em uma emenda, oficialmente, o Governo forçará os deputados mais europeístas a expressarem clara e publicamente se opõem-se à saída da UE na data estabelecida. A primeira ministra, em seu artigo no jornal conservador, alerta os políticos contra a tentação de utilizar a tramitação da lei para atrasar o processo de saída.

A emenda significa também uma tentativa da primeira ministra de reafirmar sua própria autoridade, após ter sido obrigada a forçar a renúncia de dois ministros de seu Gabinete em somente uma semana.

Lord John Kerr, antigo embaixador britânico na UE e responsável pela redação do artigo 50 do Tratado de Lisboa, afirmou que o Reino Unido pode voltar atrás no Brexit, até mesmo se a data de saída for incluída na lei, como pretende a primeira ministra. “Em qualquer momento podemos mudar de opinião se quisermos, e se o fizermos sei que nossos sócios ficarão muito contentes”, disse em uma entrevista na rádio na manhã de quinta-feira. “Os partidários do Brexit criam a impressão de que, da forma como está escrito o artigo 50, tendo enviado a carta preceptiva em 29 de março de 2017, devemos abandonar a UE automaticamente em 29 de março de 2019 no mais tardar. Isso não é verdade e é enganoso sugeri-lo”, alertou, enquanto as equipes negociadoras se dispunham a começar em Bruxelas o segundo dia da última rodada de negociações antes da reunião de líderes europeus do próximo mês, crucial para o avanço do processo do Brexit.

Pressão e instabilidade 

Representantes das empresas europeias foram na segunda-feira (13) até a Downing Street pedir a Theresa May para que quebre nas próximas semanas o impasse nas negociações para a saída da União Europeia, avisando que um novo adiamento terá custos econômicos irreversíveis. A primeira-ministra segue pressionada por aqueles favoráveis ao Braxit, por aqueles que recusam uma saída a qualquer custo e pela subida de tom dos parceiros europeus.

“Estamos extremamente preocupados com o avanço lento das negociações e com a falta de progressos” declarou Emma Marcegaglia, presidente da BusinessEurope, que representa confederações patronais em 39 países e encabeçou a delegação europeia, dizendo que Londres precisa de “apresentar propostas claras e concretas” para convencer a UE a aceitar o início das negociações sobre um futuro acordo de comércio.

Carolyn Fairbairn, diretora da confederação industrial britânica, afirmou que 10% das empresas que ela representa já acionaram planos de contingência caso as negociações fracassem e 60% admite que fará o mesmo se até março as negociações comerciais não tiverem avançado e não houver uma ideia clara de como será a transição pós-"Brexit", motivo de preocupação para diversos setores da economia britânica.


Do Portal Vermelho, com informações do El País e do Publico 

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