13 de novembro de 2017 - 9h33

Evento de mulheres capoeiristas debate questões de gênero


Arquivo Nzinga
   
Com uma programação extensa, os seis dias de atividade contarão com rodas de conversa sobre feminismo, sobre relações de gênero e terá exibições de filmes, atividades de danças e aulas de capoeira.

Realizado pelo grupo Nzinga de Capoeira Angola, o evento integrará capoeiristas de vários grupos e coletivos de diversos estados do Brasil e de outras partes do mundo. Todos os espaços serão coordenados por mulheres.

Mestra Janja, do grupo Nzinga e uma das organizadoras do evento, explica que o Chamada de Mulher dá continuidade a uma série de processos de organização de luta que vêm sendo realizados por mulheres nos últimos 20 anos no interior da capoeira.

“O que está em jogo é discutirmos tradição, resistência e, portanto, chamar atenção ao fato de que a capoeira também deve se comprometer com essas bandeiras de luta que envolve a autonomia das mulheres, assim como elas se envolvem com outras bandeiras em defesa dos direitos das pessoas negras e da classe trabalhadora."

Diversos ícones da cultura popular, como as mestras Paulinha, também do grupo Nzinga; Cristina, do Mocambo de Aruanda; Elma, do Nzambi, e Beth Belli, do Ilú Obá de Min, estarão presentes na atividade, que este ano traz o lema “Corpos em Jogo”, ao buscar levantar provocações e responder a questão: o que está em jogo quando estes corpos estão em cena?

Mestra Janja fala sobre a relevância do tema: “Pensar o corpo é pensar a descolonialidade do poder e do conhecimento, entendendo que o corpo é um espaço sagrado e consagrado ao acolhimento desses saberes, seja aqueles conhecimento que lhes dão autonomia ou aqueles que lhes violentam”.

Ela também ressalta a importância da presença e da força das mulheres nas culturas populares. “As mulheres são detentoras de grande parte dos legados culturais do nosso país. E infelizmente sobre elas se mantêm jogada uma cortina que as inviabilizam nesses processos" , e aponta a necessidade de se dar maior visibilidade às mulheres como forma de romper com os processos de dominação.

"Nos cabem, então, refletir os processos que as inviabilizam, e ao fazermos isso buscar traduzir em importância para aquela própria cultura o quanto todo mundo ganha e o quanto a sociedade ganha se esses aspectos de invisibilidade, que são processos de dominação, se eles são quebrados e rompidos.”


SERVIÇO:
Evento Chamada de Mulher
Dias 15 a 20/11
Sede do grupo INzinga (Rua dos Cariris, número 13 – Pinheiros/São Paulo/SP


Vermelho/SP, com texto do Luiz Felipe Albuquerque, do portal Brasil de Fato.

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