12 de novembro de 2017 - 13h22

Repúdio à falsificação da história e dissimulação do ódio


   

Completando exatamente um século, a Revolução Russa foi a primeira experiência vitoriosa de tomada do poder pela classe trabalhadora, acendendo a esperança e a disposição de luta dos povos de todo mundo, e ao mesmo tempo lançando ondas de choque e de pavor na direção dos exploradores de todos os quadrantes. Da mesma forma como a chama que foi acesa ainda inspira e ilumina aos oprimidos da Terra, as ondas de temor ainda reverberam para a burguesia de todo o mundo, que tratou de desferir seus ataques à Rússia revolucionária por todos os meios, desde o primeiro dia da conquista do poder pelos sovietes.

Derrotados os exércitos invasores que o Ocidente capitalista lançou contra a Rússia nos anos iniciais, restou a guerra ideológica que desde então e até hoje povoa o imaginário social de mentiras, afirmações descontextualizadas e ataques de todo tipo à experiência social da Revolução Russa e da União de Repúblicas Socialistas que se constituiu após seu triunfo.

O surgimento do fascismo durante a crise europeia do período entre guerras, culminando com a trágica ascensão do nazismo na Alemanha, certamente não pode ser compreendido sem a perspectiva de temor que o comunismo causava nas classes dominantes e do terrorismo ideológico anti-bolchevique que garantiram o apoio de setores da classe média e da alta burguesia ao fascismo, que é uma forma extrema de dominação capitalista e colonialista.

Da tragédia do nazismo nasce a farsa do neonazismo. E este também se alimenta do temor ao comunismo que a burguesia implanta de forma incessante na sociedade, das ideias distorcidas que muitas pessoas ainda formam deste sistema social, em virtude da ideologia dominante, que reafirma o anticomunismo continuamente. A contrarrevolução vivida em diversos países socialistas a partir de 1989 reforçou esse sentimento, e não é por acaso que a ela se seguiu o avanço da extrema-direita em todo mundo.

Claro, o discurso dominante omite qualquer abordagem complexa destes fatos históricos, e principalmente o fato de que as elites e países imperialistas travam há cem anos uma guerra incessante (política, militar, econômica e cultural) contra as nações socialistas e seus aliados.

É nessa tradição de guerra ideológica e mentiras a serviço das classes dominantes que se insere o evento intitulado “Semana Vítimas do Comunismo”, que se pretende realizar em Florianópolis, com a finalidade de atacar as conquistas que a classe trabalhadora obteve com os avanços pioneiros da União Soviética, associando de forma sensacionalista essa experiência histórica à eliminação de milhões de seres humanos. Os proponentes do evento pretendem assim dar sua contribuição ao objetivo tipicamente nazista de eliminar da memória histórica e da consciência dos povos a perspectiva popular e socialista.

Um dos “ilustres” palestrantes do evento é o cônsul da Ucrânia em São Paulo, Valerii Hryhorash, do partido ligado ao governo de extrema-direita daquele país, de comprovados vínculos com o neonazismo. Sim, a coalizão golpista que governa a Ucrânia após a deposição de seu presidente constitucional inclui entusiastas da ocupação nazista durante a Segunda Guerra, e tem como uma de suas referências históricas o movimento nacionalista que colaborou com o nazismo e ajudou a deportar centenas de milhares de judeus e outras minorias da Ucrânia para os campos de concentração nazistas. Um representante deste governo é que os organizadores da farsa convidaram para dar “lições de história” em nossas instituições públicas! E qual o “genocídio” a que se referem? Trata-se de uma versão bastante parcial e reelaborada pelo nacionalismo ucraniano das lutas camponesas da Ucrânia nos anos 1920 e 1930 do século passado, momento crítico em que os camponeses mais abastados (os kulaks, cerca de 5% da população ucraniana), estavam em conflito aberto com o Estado soviético. Os kulaks desejavam a manutenção da antiga estrutura agrária, que os favorecia, mas impedia a modernização da agricultura capaz de dar fim às sucessivas crises alimentares que ocorriam com frequência no velho Império russo czarista, e que estavam a se acentuar graças à guerra e o bloqueio imperialistas. Como se sabe, a invasão imperialista contra a Rússia soviética causou guerra e fome em larga escala: e esses mortos os “reescritores” da história querem atribuir ao comunismo!

Vejamos agora qual a origem das cifras assustadoras de vítimas que divulgam os difamadores da Rússia socialista. Em 1935 os jornais do empresário americano William Hearst, que se reuniu com Hitler diversas vezes em 1934 e na Alemanha colhia suas fontes jornalísticas sobre a Ucrânia, estampavam em todas as suas capas o suposto assassinato de seis milhões de ucranianos. De lá para cá, as falsificações dos números das “vítimas” do socialismo soviético são as mais diversas possíveis, todas adequadas aos propósitos de cada um que as divulgam, sem credibilidade estatística ou histórica alguma. A cada ano que passava esses números cresciam sem explicação de critérios, até falarem em 100 milhões de pessoas mortas pelo comunismo. Depois da queda do nazismo, coube à agência de inteligência dos Estados Unidos (CIA) continuar o trabalho ideológico anticomunista. Até livros com o intuito de dar um tom de “cientificidade” às mentiras foram financiados, como o "Livro Negro do Comunismo" que, além de tudo, já estampa seu racismo no próprio titulo.

Nossa cidade não deve receber um evento patrocinado por simpatizantes do fascismo, evento apoiado na falsificação histórica, em métodos anticientíficos e antiacadêmicos. Nos recusamos a receber tão nefastas figuras, trazidas pela extrema direita de Florianópolis associada a instituições organizadas pelo imperialismo para avançar uma agenda anti-popular e anti-nacional, como o Instituto Mises e o MBL, apoiados pelo Gabinete do vereador Bruno Souza.

Os cem anos da Revolução Russa constituem um século de glórias e de dores. As dores por uma experiência histórica que foi cercada em toda sua existência pela agressão externa. Em 1921, a guerra já tinha matado mais de 20 milhões de russos (civis e militares), mas não podiam matar o povo todo e os invasores e reacionários foram derrotados pelo Exército Vermelho. Nasceu assim a URSS e a pátria socialista se construiu. Nos anos 1930 veio a contra-revolução no campo, o apoio externo para desestabilizar a experiência socialista, mas os sabotadores é que foram derrotados. O 3º Reich tinha como designo maior dominar todos os povos do leste europeu, que a ideologia nazista considerava biologicamente inferiores. O governo soviético sabia disso desde a década de 1930, e precisou fazer esforços de guerra para preparar a resistência. A corrida às armas não foi uma opção programática, e sim uma exigência vital diante da ameaça nazista. A União Soviética foi invadida pela maior potência militar até então existente, o exército nazista, ainda em junho de 1941. Grande parte do território russo foi ocupado pelos nazistas, que chegaram à periferia de Moscou, onde tiveram a primeira derrota. Outros 20 milhões de pessoas do povo russo morreram na Segunda Guerra, resultado da invasão nazista.

Apesar das dores dos que lutaram, e dos milhões de perdas humanas, o que caracteriza a experiência da URSS são justamente suas vitórias. Foi a Rússia Socialista que revolucionou a luta feminista do século XX. As mulheres na URSS votaram antes que as americanas, inglesas e francesas. A constituição soviética colocou em seu texto a igualdade substancial entre mulheres e homens, e a necessidade do Estado construir condições materiais para isso, o que significou o fim da “dona de casa” e deu igualdade concreta e vida pública para as mulheres. A licença maternidade passou a ser de um ano e oito meses.

Na Rússia socialista, a jornada de trabalho passou a ser de sete horas diárias, com dois dias de descanso por semana e um mês de férias por ano, enquanto pelo mundo afora a jornada de trabalho era de 12 a 14 horas, sem descanso semanal e com apenas uma semana de férias por ano. O direito à educação e à saúde universais foram conquistas que a União Soviética apresentou ao mundo como possibilidade concreta. Os países ocidentais mais avançados economicamente tiveram que adotar parte destas medidas, no chamado "estado de bem estar social", para esvaziar a força que a experiência socialista exercia sobre a classe trabalhadora em todo o mundo. Não é por acaso que os detratores do socialismo são justamente os que mais combatem estes direitos, tanto no passado longínquo quanto no Brasil de hoje.

No plano internacional, enquanto o imperialismo só tinha a oferecer a guerra de agressão e conquista, a URSS foi um farol da luta internacionalista e da solidariedade entre os povos, ao apoiar todos os processos de libertação contra o colonialismo tanto na Índia, quanto na Ásia, na África e na América Latina. As maiores vitórias contra o racismo, desde o movimento pelos direitos civis no Sul dos EUA até a libertação dos países africanos e a afirmação do Poder Negro, tinham referência direta nas lutas dos comunistas, assim como a luta de Mandela e seus camaradas contra o odioso apartheid sul-africano (tão ardorosamente apoiado por Reagan e Thatcher, ídolos do MBL). E o mesmo se pode dizer da luta do povo palestino contra o sionismo colonialista. Essa é a nossa herança e o nosso legado!

Os comunistas, portanto, não só temos o compromisso de levantar a bandeira da primeira grande experiência socialista da humanidade, (que não foi derrotada, mas apenas bloqueada), como também lutamos para dar continuidade a esta experiência em todas as partes do planeta. Com isto, estaremos na frente de batalha como estivemos ao longo do século XX. Não vacilaremos um segundo sequer e não retrocederemos um milímetro em denunciar e lutar contra todos aqueles que se utilizam da falsificação histórica como pretexto para esconder seus reais interesses: liquidar os direitos sociais da classe trabalhadora, extinguir as instituições públicas
voltadas à qualidade de vida e ao crescimento cultural e científico do nosso povo, privatizar as empresas públicas, entregar nossos recursos naturais e violar nossa soberania. Não permitiremos, pois a verdade está do nosso lado, e seguiremos até a vitória definitiva e a emancipação de todos os povos do mundo.

Abaixo o Fascismo! Viva o Comunismo!

Iniciativa Comunista Brasileira
Polo Comunista Luiz Carlos Prestes
Partido Comunista Brasileiro – PCB
Partido Comunista do Brasil – PCdoB


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