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10 de novembro de 2017 - 9h38

Crise da saúde no município do Rio deixa unidades sem medicamentos

Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Profissionais da saúde estão sem condições adequadas para realizar atendimentos no município do Rio Profissionais da saúde estão sem condições adequadas para realizar atendimentos no município do Rio

Sem medicamentos, insumos básicos e salários atrasados. Esta é a realidade dos profissionais da saúde que trabalham nas 227 unidades de Atenção Primária da Prefeitura do Rio de Janeiro, o que inclui clínicas da família e postos de saúde. O quadro que ocorre no município se integra a situação de calamidade pública que já ocorria no setor estadual da saúde.

No último dia 26, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro declarou, por meio de nota, que a categoria entraria em greve. A paralisação foi decidida após uma assembleia que reuniu 240 trabalhadores que votaram de forma unânime.

Renato Santos é médico de família da rede municipal e organiza o movimento Rede de Médicos e Médicas Populares. Em entrevista à Radioagência Brasil de Fato, Santos explicou que a situação na rede municipal de saúde piorou a partir de agosto e que, apesar da Prefeitura ter recuado em algumas medidas, como o fechamento das clinicas da família, o quadro se agravou.

“Desde agosto começou uma situação mais complexa quando a Prefeitura anunciou, de forma não oficial, que fecharia 11 clinicas numa região aqui no Rio e isso repercutiu de forma bem negativa e também foi um sinal de alerta sobre o que vem a ser a situação atual da saúde no município do Rio. Teve uma forte mobilização dos trabalhadores, houve uma mobilização que vem a ser denominada "Nenhum serviço de saúde a menos". Porém, apesar da Prefeitura recuar na proposta, os atrasos pioraram e nós estamos numa situação em que 80% das medicações e insumos para as clínicas da família estão em falta”, explicou.

Os profissionais da saúde têm tentado driblar a precariedade de funcionamento das unidades para atender os pacientes. Valeska Antunes é médica de família e comunidade e há seis anos atua em uma das sete equipes que atendem especificamente pessoas em situação de rua na cidade. Segundo ela, nesses casos o quadro é de desespero.

“Se estamos com 17% de abastecimento nas farmácias e essas pessoas estão em situação de rua, você imagina o que acontece quando tem uma medicação para passar. Eles não têm condição de ter outra opção”, destaca.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Município para saber quais medidas estão sendo tomadas para regularizar o abastecimento de medicamentos e também os salários atrasados dos profissionais. A assessoria de imprensa informou que foi aberto um crédito suplementar no valor de R$ 25.716.802,97, que já está sendo utilizado para a compra de material e remédios para as unidades. Com relação aos salários, a assessoria afirmou que R$ 36,4 milhões estão sendo repassados para as Organizações Sociais para regularizar os vencimentos atrasados.

Nesta sexta-feira (10), os profissionais da saúde terão uma reunião com a Secretaria de Saúde e, simultaneamente, realizarão um ato em frente à Prefeitura a partir de uma da tarde. Depois do ato, os trabalhadores seguem para integrar a manifestação do Dia Nacional de Protestos que ocorre a partir das 4 da tarde na Igreja da Candelária, no Centro.



Por Jaqueline Deister no Brasil de Fato

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