Mídia

3 de novembro de 2017 - 9h54

Estudo: Donos da mídia atuam diretamente em outros setores econômicos

Agência Brasil
No Brasil, quatro grupos - Globo, SBT, Record e Band - controlam 70% da audiência da TV aberta, principal meio de comunicação do país No Brasil, quatro grupos - Globo, SBT, Record e Band - controlam 70% da audiência da TV aberta, principal meio de comunicação do país

O raio-x reforça a preocupação da sociedade civil organizada no que se refere ao conflito de interesses que domina essas relações, com ressonância direta na cobertura dos veículos.

"É um conflito de interesses muito grande quando, por exemplo, um grupo de comunicação que tem um grande conglomerado de educação privada vai discutir a questão da educação pública no Brasil. É importante que a gente consiga trazer transparência pra essas relações para as pessoas saberem quais interesses estão por trás dos grupos que estã se comunicando com elas", afirma o cordenador do estudo pelo Intervozes, André Pasti.

A pesquisa, já realizada em outros dez países, mapeou 50 veículos dentro dos 26 grupos selecionados, englobando os segmentos de TV, rádio, mídia impressa e internet. Eles foram selecionados com base na audiência e no potencial de influência sobre a opinião pública.

Concentração

Entre outras coisas, o levantamento mostra a concentração da audiência. Para se ter uma ideia, na televisão aberta, que é considerada o principal meio de comunicação no país, quatro grupos respondem por uma fatia de 70% do total. São eles: Globo, SBT, Record e Band.

O estudo também mostra que a concentração midiática tem um recorte regional: 73% das matrizes dos grupos pesquisados estão localizadas na Região Metropolitana de São Paulo. Um aspecto que se comunica diretamente com os interesses de grupos hegemônicos da economia, localizados, na maioria das vezes, na região Sudeste.

Transparência

De acordo com os organizadores, todas as empresas pesquisadas foram procuradas para prestar informações a respeito do tema, mas nenhuma delas respondeu. Os dados utilizados no estudo foram obtidos a partir de informações do Ministério das Comunicações, da Anatel e da Junta Comercial de São Paulo.

Patrícia Cornills, da ONG Repórteres sem Fronteiras, critica a falta de transparência dos veículos e a importância da pressão social para que a prestação de dados seja permanente.

"Que cidadão comum vai poder ter acesso a essas informações se nao for com esse nível de mobilização, de conhecimento anterior? Essa informação tem que estar nas mãos dos cidadãos do país", defende.

Por conta disso, o estudo ganhou uma plataforma digital que será constantemente atualizada, de forma a favorecer o monitoramento da mídia no país. O material pode ser acessado no link http://brazil.mom-rsf.org/br/


Fonte: Brasil de Fato

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